Existem filmes que nos pegam de surpresa quando menos esperamos. Filmes que, no primeiro momento, subestimamos, vamos assistir por estarmos com tempinho sobrando ou apenas com uma curiosidade mórbida. Em algum momento, porém, acabamos percebendo que estamos diante de um bom filme.

Essa, com certeza, é uma das características que tornam o cinema tão fascinante: a capacidade de nos surpreender quando menos esperamos.

Vamos à lista.


A Vida é Dura: A História de Dewey Cox

Piadas repetidas, uma trama rocambolesca que começa parodiando Johnny Cash e se mistura pela história da música e suas influências.

Tem como isso ficar bom?

Por incrível que pareça, John C. Reilly surpreende com um carisma bizarro e, apesar de um momento tolo flertar com a escatologia, o resultado no final não compromete. Esse filme/paródia me pegou de surpresa e a trilha sonora original é uma outra grata surpresa.

Uma comédia que vale a conferida.


Águas Rasas

Sempre tive comigo que filmes de tubarão só um cara acertou e faz muito tempo.

Jaume Collet-Serra é um diretor que tem uma carreira bastante irregular, mas não deixando de ser versátil, afinal de contas, já passou por terror (“A Órfã”), ação (“Sem Escalas”) e até filme esportivo (“Gol 2”).

Por tudo isso, não fui com muito interesse e expectativa ver “Águas Rasas” com a Blake Lively.

Além de acabar se mostrando um bom suspense e criando uma atmosfera de tensão, Serra criou um bom exercício de gênero de terror e da metáfora do humano versus natureza.


A Espiã que Sabia de Menos

Com essa horrível adaptação de título no Brasil para “Spy”, não era de se admirar minha total má vontade para com a produção. Mas, de longe, o filme não se revelou apenas uma ótima comédia, mas também um filme de ação muito maneiro.

Primeiro por fugir das convenções e não fazer piada com a ideia de Melissa McCarthy ser uma espiã, pelo menos, não pelo caminho mais fácil como muitos filmes fariam. Aqui, Susan Cooper (McCarthy) tem seus momentos à la Jason Bourne e chuta bundas com a mesma competência de Matt Damon e Daniel Craig. Tudo isso sem câmera trêmula.

Na história, a espiã precisa descobrir o que ocorreu com seu parceiro, interpretado por Jude Law, que aqui faz espécie de 007. Como destaque posso citar também Jason Sthatam que explora sua veia cômica de maneira inusitada.


Napoleon Dynamite

A humanidade dos personagens pitorescos e do protagonista (Jon Heder) que batiza o filme é encantadora. Uma produção que fala de amizade e toca em temas como bullying de maneira inusitada.

A trilha sonora é outro fator que chama a atenção,:faixas como “Forever Young” do Alphaville e “The Promise” do When in Rome tocam no decorrer do filme.

Mas, nada supera o número de dança com “Canned Heat” do Jamiroquai no terceiro ato: ouso dizer que nem Ryan Gosling em “La La Land” foi capaz de executar passos tão criativos.

Invasão Zumbi (Train to Busan)Invasão Zumbi

Mais um filme de zumbi?

Pois é, muita gente foi assistir a esse filme de zumbi pensando que assistiriam mais do mesmo. O que ninguém esperava, porém era que esse projeto sul-coreano viria surfando no melhor momento do cinema do país.

O que faz valer a pena é que o filme traz algo de novo ao gênero, além do comentário social de sempre e não se apegar tanto a clichês.

A história faz lembrar até outro filme de trem também feito por um diretor sul-coreano, Joon-ho Bong, chamado “O Expresso do Amanhã” (esse eu assisti com expectativas que foram cumpridas), não preciso dizer mais nada.


Sob a Pele

Esta ficção científica dirigida por Jonathan Glazer (“Reencarnação”) traz Scarlett Johansson como uma predadora (alien, demônio, monstro – o filme não revela) que usa do seu corpo como uma arma pra atrair sua presa – no caso, homens – para um esconderijo, onde ela literalmente os suga até a pele.

Ironicamente alguns espectadores questionaram a beleza do corpo de Scarlett que ao se despir de qualquer vaidade, apenas fomentou o debate sobre os padrões de beleza

Na verdade, “Sob a Pele” fica mesmo interessante a partir do momento que a criatura começa a questionar sua natureza.


Ponte para Terabítia

Pensando estar diante de um Crônicas de Nárnia genérico, eis que me deparo com um tipo de filme infantil que mais admiro: aquele que não poupa seu espectador e não subestima a inteligência do mesmo.

“Ponte para Terabítia” fala de amizade, bullying e como é difícil a infância na escola de maneira inteligente e comovente.

Utilizando a criatividade e imaginação do seu protagonista, acompanhamos seu amadurecimento.

Ah, preparem os lenços: o final é capaz de traumatizar os desavisados 🙁


Dois Filhos de Francisco

Em um primeiro momento, ao ler de subtítulo “A história de Zezé Di Camargo e Luciano”, não nego que até desanimei, mas é com perplexidade que, ao final da exibição, encarei estar diante de um ótimo filme.

Um projeto que podia ser apenas mais um caça níquel ou objeto de vaidade, mas, que mostrou ter personalidade e uma competência admirável.

Você pode até não ser fã da música da dupla, mas é  admirável a jornada deles até o sucesso. A história contada de forma competente pelo diretor Breno Silveira emociona, faz rir, torcer e cativa qualquer um.


Estômago

Confesso que fui assistir “Estômago” sem muita expectativa. Tinha lido algumas coisas boas, mas não imaginava que estava diante de uma espécie de jornada do “herói” bizarra e controversa.

Acompanhamos Raimundo Nonato (João Miguel), presidiário que tenta convencer, em vão, o povo da sua cela a permitir ele ficar com um pedaço de queijo Gorgonzola que está empestando o local. A partir dali, vamos observar como o personagem chegou até ali.

Com uma interessante analogia em relação ao título e um final impactante, “Estômago” tem como um dos pontos altos  Fabíula Nascimento como a prostituta Íria, uma femme fatale fora dos padrões tradicionais.


Medo da Verdade

Quem em sã consciência imaginou que Ben Afleck seria um bom diretor? Apesar de um Oscar de melhor roteiro original por “Gênio Indomável” no currículo, o ator vinha com uma série de escolhas e atuações duvidosas no currículo.

“Medo da Verdade”, porém, me fez queimar a língua na época. Sem grandes expectativas, acabei envolvido em um thriller policial adulto, instigante e que me prendeu até o fim. No filme, Patrick (Casey Affleck) e Angela (Michelle Monaghan) são namorados e sócios em uma agência de detetives contratados para investigar o desaparecimento de uma criança.

Não vou revelar mais nada, assistam e de nada.

Claro que essa não é uma lista definitiva, mas e você? Tem algum filme que não esperava nada e quando percebeu estava imerso na história? Conte pra gente e compartilhe.

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