Yay, chegou o Oscar! Aquela cerimônia que faz com que percebamos que há dois tipos de cinéfilos: aqueles que a aguardam ansiosamente, esperando a revelação dos filmes e profissionais mais renomados do cinema; e aqueles que assistem à premiação, mas já desistiram de levar a sério um evento totalmente voltado à grande indústria de filmes norte-americana.

Não importa a qual grupo você pertença; muito provavelmente, você vai aceitar uma verdade absoluta: o Oscar é meio cansativo. Nem todos os seus favoritos ganham, sempre acontece alguma injustiça nas indicações e o evento demora séculos, um teste de provação até para os mais empolgados.

Por causa disso, o Cine Set decidiu dar uma força para a Academia esse ano com 6 dicas de como a cerimônia do Oscar pode ser menos chata.

6 – Seja mais curto!

Por que fazer uma cerimônia que já chegou a 4h30 de duração? Por que não retornar à época em que o Oscar alcançava 2h, dando tempo suficiente de vender a preços exorbitantes o espaço publicitário na televisão, mas não deixar o show tão longo a ponto de desafiar a paciência do espectador? Não é por acaso que a audiência do Oscar  diminuiu em 2015 (foram cerca de 37 milhões de espectadores), quase o maior recorde de rejeição, que pertenceu à edição de 2008 (32 milhões de espectadores). Para ter uma ideia da queda, o Oscar de 1999 somou mais de 55 milhões de espectadores.

5 – Incentive discursos menos corporativos

É normal e perfeitamente aceitável um profissional premiado aproveitar o momento para agradecer a Deus, a família e amigos ou a um outro profissional que ajudou na excelência de seu trabalho. Frases motivacionais ou defesas de causas nobres são também queridas nesse momento. Agora não tem porque pressionar o premiado a agradecer por longos minutos, por exemplo, a uma corja de produtores com quem nem se envolveu diretamente só para “fazer bonito” e cumprir uma formalidade. As pessoas da indústria cinematográfica já sabem quem eles são e o que fizeram por cada filme; não precisa reforçar, uma vez que o público, para quem o show é feito, não tem a mínima ideia de quem eles são. O que nos leva a…

4 – Seja menos formal

Ok, já sabemos que o Oscar se impõe ao cinema como referência maior dentre as premiações, e que o glamour envolvido é parte essencial da aura que ele pretende manter. Mas estamos em 2016. Podemos deixar algumas formalidades de lado, desviando do risco de a cerimônia soar quase uma coisa datada. Que tal investir nas comidinhas e bebidinhas, em piadas menos “certinhas” e num ar mais relax à apresentação? Deixem o pessoal mais à vontade, no estilo do Globo de Ouro. Todos, participantes e espectadores, parecem achar essa premiação mais divertida.

3 – Alavanque o espaço próprio para prêmios técnicos

Não se engane. O Oscar é, primeiramente, um espetáculo. Ele gera receita sendo popular, mostrando atores famosos, roupas e jóias caras, dizendo quem é o melhor no quê. Uma maneira de ele soar menos chato para esse público mais geral, mas sem deixar a coisa correr tão solta a ponto de se equiparar com um MTV Movie Awards, seria reservar uma cerimônia separada aos prêmios mais técnicos. Na verdade, isso já acontece a um bom tempo, sendo então uma questão de ajuste colocar categorias menos “espetaculares” nessa festinha separada, já que o público em geral não tem a mínima ideia de quem exatamente são, por exemplo, profissionais de mixagem de som e o que fazem. Verdade seja dita, trabalhadores bem importantes, mas não muito envoltos em glamour.

2 – Pare de premiar filmes que ninguém liga

As campanhas pela indicação ao Oscar vem fazendo um desserviço à premiação não é de hoje, mas atualmente isso tem se tornado mais gritante. Temos esse ano, por exemplo, um filme de grande potencial para a premiação, “Carol”. Ele, sem uma campanha forte nos bastidores para se “vender” aos votantes, acabou completamente esquecido, e é muito provável que saia da cerimônia sem prêmios. Essa aposta nada tem a ver com merecimento, trata-se de puro marketing. “Beasts of no Nation” é outro filme prejudicado nesse processo. Por outro lado, filmes esquecíveis como “A garota dinamarquesa” entram na corrida com folga. Isso puxa o ponto 1, que é…

1 – Aumente a variedade de filmes indicados

Não, Academia, nenhum cinéfilo jamais vai aceitar que “Mad Max: Estrada da Fúria” não tem chance nenhuma de ganhar o Oscar de Melhor Filme por ser de ação/aventura. Também não vamos entender porque Alicia Vikander tinha que concorrer ao Oscar por “Garota Dinamarquesa” quando ela fez um trabalho tão mais impressionante atuando em “Ex-machina”, um misto de suspense e ficção científica. Daqui a 5, 10, 20 anos, é sobre esses filmes que falaremos sobre e não “A grande aposta”. Como sustentar um prêmio que ignora o que de relevante é produzido?

Já passou da época do Oscar priorizar apenas os dramas, os filmes baseados em fatos reais ou aqueles em que os atores passam por transformações físicas brutais em detrimento de filmes realmente bons de qualquer gênero que seja. Há comédias, filmes de terror, aventura e outros bons o suficientes para trazer maior abrangência aos indicados na premiação.

Também ajuda que tenhamos temáticas mais variadas. Sério que não existe nenhum filme sobre a causa negra digno de nota? Ou sobre indígenas? Mulheres? Latinos? Nada? Nada que acontece fora do universo do homem caucasiano de classe média norte-americano gera um bom filme? Ninguém cai mais nessa.

Dica bônus: acompanhe o Oscar com o Cine Set!

Esse ano, assim como fazemos desde 2010, nós vamos segurar sua mão e atravessar todas as intermináveis horas de tapete vermelho e premiação com você. Fazemos isso a um bom tempo, com uma cobertura completa, cheia de surpresas e mimos para nossos seguidores, e curtimos muito a sua companhia com a gente a entrar pela madrugada comemorando, reclamando e abrindo o olhão na hora do “And the Oscar goes to…”.

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