Da Bíblia a Nostradamus, passando pelo calendário maia e o erro do milênio, os fatalistas, fãs e religiosos fervorosos são fascinados com o fim do mundo.

E os diretores de cinema adoram alimentar as grandes preocupações que surgem da superpopulação, de uma praga ou do Armagedon nuclear.

O pacote de ficção distópica que vem aos cinemas e aos serviços de vídeo sob demanda nos próximos meses inclui “Mortal Engines”, de Peter Jackson; “Inrang”, de Kim Jee-woon; e “Luxembourg”, de Myroslav Slaboshpytskyi.

Shawn Robbins, analista do Boxoffice.com, qualifica o gênero como a “definição do escapismo”, uma forma de arte que satisfaz um desejo primário de voltar ao básico.

“Esses filmes são geralmente vistos como versões pessimistas do futuro, o que certamente é uma interpretação válida, mas também podem ser autorreflexivos de uma forma positiva”, disse à AFP.

“É fácil ver os filmes pós-apocalípticos e distópicos como parte do nosso destino inevitável, mas também podemos tomá-los como lições e parábolas, pois, no coração de qualquer boa história, a condição humana é explorada e desafiada”.

‘Vida comum de rato de laboratório’

Zumbis, meteoros e armas de destruição em massa são normalmente as causas dos apocalipses fictícios, embora nem sempre.

Em “Um lugar silencioso” eram extraterrestres carnívoros, enquanto em “Eu sou a lenda”, “O enigma de Andrômeda”, “Os doze macacos” e “Planeta dos macacos”, o vilão é um vírus.

Também há os desastres causados pelo homem como em “No mundo de 2020”, “Waterworld: O segredo das águas” e “Wall-E”, assim como quando o inimigo é a tecnologia, como em “Fuga no século 23”, “O exterminador do futuro” e “Matrix“.

Os filmes “Mad Max” de George Miller de 1979-2015 inspiraram um exército dos chamados “cosplayers”, que se reúnem em festivais para viver as suas fantasias como guerreiros da estrada após o colapso da civilização.

A cada verão, mais de 2.000 ginetes de escritório deixam os seus trabalhos diários para ir ao festival “Wasteland Weekend” no calor do deserto do sul da Califórnia.

“É uma oportunidade de se afastar da vida comum de rato de laboratório e se divertir”, disse à AFP em 2016 Joseph Hileman, de 52 anos, supervisor de segurança de Concord, perto de San Francisco.

”Fascínio macabro’

A visão apocalíptica do cineasta Mike P. Nelson, “The Domestics”, estreou em alguns cinemas dos Estados Unidos e sob demanda este fim de semana.

“Existe uma espécie de fascínio macabro de que tudo pode acabar a qualquer momento”, declarou. “É uma fantasia estranha das pessoas de que algo assim pode acontecer, e acho que esses filmes podem dar uma espiada e nos permitir ter medo por um momento e logo nos sentirmos a salvo”.

Protagonizada por Kate Bosworth (“A onda dos sonhos”) e Tyler Hoechlin (“Cinquenta tons de liberdade”), esta produção de 95 minutos, impactante e violenta, é ambientada no Meio-Oeste dos Estados Unidos, transformado em uma terra desabitada e sem lei após uma atrocidade química induzida pelo governo.

Bosworth e Tyler, um casal separado que estava em processo de divórcio antes que o mundo se tornasse obscuro, devem aprender a sobreviver em uma paisagem angustiante e devastada por gangues.

da Agência France Press

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