Caio Pimenta

Antigo: Al Pacino

Colocar Marlon Brando nesta posição seria a forma de homenagear o sujeito responsável por mudar todo o conceito de atuação no cinema e prestar uma reverência a Don Corleone. Aí recordei de uma história de quando tinha 12 anos de idade, no início da minha vida de cinéfilo.

Seria exibido “Perfume de Mulher” na “Tela de Sucessos” do SBT e a chamada de ter sido vencedor do Oscar chamou minha atenção. Após o filme, somente vinha uma coisa na minha cabeça: que ator era aquele? como ele fez isso? e outras tantas perguntas. De tudo isso, tirei uma conclusão: Al Pacino é insuperável.

Mal sabia que aquele sujeito tinha no currículo outros personagens e filmes ainda melhores: a trilogia “O Poderoso Chefão”, “Um Dia de Cão”, “Scarface”, “Fogo Contra Fogo”.

Quase 15 anos depois, ainda mantenho aquele pensamento.

Atual: Ricardo Darín

Ser o rosto do maior momento da produção cinematográfica do seu país não é pouco. Darín, entretanto, foi além, se tornando a cara do cinema da América Latina. A força do ator é tamanha que muita gente deixou o preconceito de lado para prestigiar cada lançamento dele.

Não é para menos, afinal, são tantas grandes obras: “O Filho da Noiva”, “Kamchatka”, “Clube da Lua”, “XXY”, “A Dançarina e o Ladrão”, “Elefante Branco”, “Abutres”, “Um Conto Chinês”. Nenhum desses citados supera o brilhantismo alcançado tanto pelo suspense “Nove Rainhas” quanto pelo drama ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “O Segredo dos Seus Olhos”.

Pode sim haver atores melhores na atualidade (Day-Lewis, Joaquin Phoenix, Wagner Moura, Sean Penn, Leonardo DiCaprio), porém, nenhum deles é mais essencial como Ricardo Darín.

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Diego Bauer

Antigo: Robert De Niro

O trio de ferro, DeNiro, Nicholson, Pacino não poderia ficar de fora nessa categoria. Escolher apenas um dos três, ou também deixar de fora um Gene Hackman não é uma escolha fácil. Mas DeNiro é, talvez, o que mais consegue se diferenciar de um grande trabalho para outro, além de estar em grandes filmes de todos os tempos como Taxi Driver, Touro Indomável, Caminhos Perigosos, Os Bons Companheiros, O Poderoso Chefão Parte 2, e tantos outros trabalhos memoráveis.

É realmente uma pena que de alguns vários anos pra cá, é possível se fazer também uma longa lista de fracassos retumbantes envolvendo o nome deste ator. Mas mesmo que ele continue nessas produções vergonhosas, não tem mais jeito, o seu nome está pra sempre na história do cinema como um dos maiores atores de todos os tempos.

Atual: Brad Pitt

Poderia escolher nomes como Joaquin Phoenix, Mathew McConaughey, Javier Bardem, ou ainda o fenomenal Ricardo Darín, mas preferi escolher Brad Pitt, com toda a convicção. Escolhi seu nome pelo fato de achar que desde sempre Pitt é um ator de um talento grandioso, mas que é sempre subestimado por sua aparência. É realmente uma pena que não o levem a sério da maneira adequada, pois este ator nos apresentou uma série de trabalhos fantásticos, e parece que ele ainda precisa ficar se provando para “chamar a atenção” apenas pelo seu talento.

Filmes como Os 12 Macacos, Clube da Luta, Snatch, Onze Homens e um Segredo, Queime Depois de Ler e Bastardos Inglórios, só pra ficar nesses nomes, são exemplos claros que é de um grande ator que estamos falando. Se fosse fazer um filme, e precisasse de um grande ator para conduzir a trama, e tivesse muito, muito dinheiro (claro) para chamar quem eu quisesse, o primeiro nome da minha lista seria o de Pitt, seguido de Jim Carrey, outro subestimado.

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Ivanildo Pereira

Antigo: Paul Newman

Claro que nunca houve na historia do cinema um ator como Marlon Brando. A atuação para cinema se divide em antes e depois dele, e isso ninguém discute. Mas Brando era inconstante, nos seus últimos anos foi visto em produções deprimentes e havia limites para o que ele podia fazer. Ele não conseguia ser engraçado, por exemplo – sua participação no filme do Chaplin A Condessa de Hong Kong (1967) deixa isso claro.

Mas um contemporâneo de Brando teve atuações tão brilhantes quanto ele, conseguia fazer de tudo, foi também produtor e diretor, tinha uma capacidade de rir de si mesmo na tela e nunca fez nada de que pudesse se envergonhar fora dela. Foi Paul Newman, para mim um dos grandes intérpretes da história.

Quando jovem, era carismático e incendiava a tela, como em Desafio à Corrupção (1961), um dos meus filmes favoritos, O Indomado (1962) e Butch Cassidy (1969). Já veterano, arrasou em O Veredito (1982) e ganhou merecidamente o Oscar por A Cor do Dinheiro (1986) e até o fim da carreira ele continuou realizando grandes trabalhos como Estrada para Perdição (2002) e dublando Carros (2006). Definitivamente, não fazem mais astros como Paul Newman.

Atual: Joaquin Phoenix

Bem, o melhor ator de cinema vivo é o Daniel Day-Lewis, e acho que poucos discordam. Porém como ele só faz um filme a cada três ou quatro anos, hesito em nomeá-lo como meu favorito da atualidade. Por isso prefiro eleger o Joaquin Phoenix, que trabalha mais e sempre se destacou, mesmo em bobagens como 8mm (1998). Apesar de ele ter estado ótimo em Gladiador (2000) e Johnny e June (2005), foi a atuação dele no pequeno drama  Amantes (2008) que finalmente me convenceu de que ele se tratava de um ator especial. Após ficar alguns anos fora das telas exibindo um comportamento bizarro, ele voltou com uma das mais incríveis atuações dos últimos tempos com O Mestre (2012), um trabalho com partes iguais de genialidade e loucura, diferente de todos os seus contemporâneos.

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Renildo Rodrigues

Antigo: Robert De Niro

Embora esteja vivo e atuante, falar de Robert De Niro, hoje em dia, é falar de um ator que já simbolizou o frescor, a originalidade, a intensidade no cinema – mas não mais.

Fosse ao lado de Martin Scorsese, com quem cultivou uma longa e maravilhosa parceria, fosse com Coppola, De Palma ou as dezenas de nomes, grandes ou nem tanto, com quem colaborou nos anos 1970 e 80, não tinha bola quadrada para De Niro. Um trabalho, em particular, eu considero a maior interpretação de um ator que eu já vi na vida – o infeliz e violento Jake LaMotta, de Touro Indomável, em parceria com Scorsese.

Mas, como se a intensidade maníaca nos trabalhos dessas décadas fosse um fardo, De Niro, a partir dos anos 1990, começou mais e mais a se repetir, a se desafiar menos, a se contentar em colher os louros do seu status de lenda. E assim vem sendo desde então, com raras exceções – Cassino, a última parceria com Scorsese, o recente O Lado Bom da Vida, e poucos outros.

Bom, fica o legado incrível desse ator, que, mesmo por pouco tempo, fez coisas tão importantes que seu nome estará ligado para sempre ao melhor da profissão.

Atual: Leonardo DiCaprio

Eu poderia me desculpar pela obviedade, porque é fácil valorizar um grande nome de Hollywood, quando há tantos talentos vindos da Europa ou das Américas – Javier Bardem (Espanha), Ricardo Darín (Argentina), Gael García Bernal (México), Irandhir Santos (Brasil), enfim, a lista é longa.

Mas a verdade é que, fora Darín, cuja carreira eu gostaria de conhecer melhor, nenhum ator vem há tanto tempo fazendo tantos filmes bons, ou melhorando os não tão bons assim, como Leonardo DiCaprio. O americano, que começou como promessa juvenil e já foi fenômeno teen, soube construir sua carreira com tenacidade e persistência, sempre se desafiando e surpreendendo mais a cada papel.

Hoje, ele representa aquilo que caras como Paul Newman, Marcello Mastroianni, Toshiro Mifune ou o próprio Robert De Niro já representaram um dia, em outras décadas e países – a certeza de um trabalho vigoroso e original a cada nova produção.

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Susy Freitas

Antigo: Gary Oldman

Não se pode dizer exatamente que Gary Oldman é um ator “do passado”. No entanto, foi no período entre 1980 e 1990 que sua carreira teve os momentos mais brilhantes e, infelizmente, pouco reconhecidos. Em 1986, ele brindou o público com sua alucinada interpretação do baixista da banda Sex Pistols, Sid Vicious, em “Sid e Nancy” (1986). Nos anos 1990, ele assumiu sua paixão por interpretar tipos estranhos, indo de Lee Harvey Oswald em “JFK – A pergunta que não quer calar” (1991) a Drácula em “Drácula de Bran Stoker” (1991). Também alcançou um status cult ao interpretar o policial corrupto Stansfield em “O profissional” (1994) e o vilão de penteado nada estiloso Jean-Baptiste Emanuel Zorg em “O quinto elemento” (1995), ambos dirigidos por Luc Besson.

Nos anos 2000, ele alcança uma nova leva de fãs em papeis não necessariamente ousados como o comissário Gordon na série de filmes do “Batman” e como Sirius Black em “Harry Potter”. Ainda assim, ainda encontra tempo para pequenas surpresas como o interessante thriller “O espião que sabia demais” (2011). Ao contrário das carreiras de Robert De Niro ou Jack Nicholson, a de Oldman está envelhecendo com mais dignidade!

Atual: Michael Fassbander

O ator alemão criado na Irlanda começou a ganhar destaque como mais um dos guerreiros de abdominal trabalhado em “300” (2006). Nessa altura do campeonato, ele não prometia ser nada além de um belo espécime masculino. No entanto, quando Fassbender se uniu ao diretor Steve Mcqueen em “Fome” (2008), seu talento começou a ficar claro ao público. Em “Bastardos Inglórios” (2009), o ator atingiu o grande público e, de quebra, protagonizou um dos momentos clássicos de Tarantino ao ser desmascarado como um falso oficial nazista.

Fassbender bem que tentou ficar mais popular ao estrelar filmes de aventura medíocres como “Centurião” (2010) e “Jonah Rex” (2010). Ironicamente, foi em filmes mais artísticos como “Jane Eyre” (2011) que ele acabava chamando mais atenção, pelo menos até interpretar o mutante Magneto em “X-Men: Primeira Classe” (2011). Catapultado ao estrelado, ele passou a fazer escolhas acertadas ao equilibrar papeis realmente interessantes em grandes franquias como o próprio “X-Men” e “Prometheus”, mas não virou as costas a filmes menores, porém desafiadores, como os excelentes “Shame” (2011), o qual interpreta um viciado em sexo, e “12 anos de escravidão” (2013), no papel de um mestre de escravos abusivo que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

A versatilidade de Fassbender será posta a prova ainda esse ano, quando ele estrelará a comédia “Frank”, na qual interpretará um músico que usa uma enorme cabeça de boneco o tempo todo. Sem dúvida é um ator cuja carreira vale a pena ser conferida.

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