A equipe da Campanha por Filmes Alternativos em Manaus conversou com o gerente de programação do Cinépolis em Manaus, Wanderson Alexandre Ferreira, na última segunda-feira (10). Durante o bate-papo, informações interessantes sobre a programação do cinema e como funciona o processo de chegada dos títulos foram discutidas. Saber por que determinado filme não chega aos cinemas de Manaus é sempre uma questão espinhosa, mas de acordo com Ferreira, essas decisões são sempre tomadas pelo ponto de vista mercadológico. “As distribuidoras acompanham o mercado e verificam a demanda”, afirmou.

Quando há atrasos em relação à estreia em outras capitais brasileiras, isso também se dá por questões mercadológicas. Os casos específicos de 12 Anos de Escravidão e Ela, dois filmes alvos do mês de março da Campanha e que já estão passando há semanas no Brasil, foram comentados pelo gerente. “Quanto ao 12 Anos de Escravidão, acredito que não veio antes por alguma questão estratégica, de negociação com a distribuidora para o filme chegar nesse mercado. Não sou eu que ligo pedindo o filme, eu gerencio a casa para exibir o filme para o publico. Claro que agora, depois do filme ter virado campeão do Oscar, a visibilidade dele aumentou”. Já sobre a estreia de Ela em Belém, mas não em Manaus, Ferreira afirmou não ter conhecimento da chegada do filme lá e comentou: “De novo, deve ter sido uma questão estratégica que às vezes foge do nosso controle”.

O gerente às vezes fica tão surpreso pela chegada de um título ao cinema quanto o publico – foi o caso do vencedor do Oscar Clube de Compras Dallas. “Pra mim, foi uma surpresa quando veio Dallas. A respeito desse filme, tivemos várias pessoas perguntando sobre ele antes da estreia”. E a respeito disso, segundo ele a demanda dos clientes pode sim, influenciar na programação. “Por exemplo, se eu ligar dizendo ‘meus clientes querem ver Ela’, os caras da distribuidora vão perguntar ‘Quantos clientes?’. Eles têm esses números, acompanham isso”, afirmou.

A Campanha levou os números de visualizações e compartilhamentos alcançados até agora via Facebook à atenção do gerente, e ele promete ajudar a fazer do Cinépolis um complexo de exibição com uma programação variada. “Vou municiar o pessoal de São Paulo com os números de vocês. Meu cinema aqui é novo, outras redes já conhecem o seu publico e sabem o que passar. Já a nossa ideia é fazer várias experiências para verificar a resposta do publico, colocar um filme aqui e ali”. Vale lembrar que o Cinépolis foi a única rede de Manaus que exibiu os filmes Clube de Compras Dallas e Ninfomaníaca: Volume 1, obras de destaque e premiadas. No caso específico de Ninfomaníaca, Wanderson Ferreira afirmou que “A resposta foi muito positiva”.

Essas duas iniciativas, além da chegada de 12 Anos de Escravidão e Ninfomaníaca: Volume 2, dão esperança ao publico cinéfilo manauara.

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