Hollywood viveu um dos momentos mais relevantes dos últimos anos quando se insurgiu contra os abusos da administração George W. Bush. O discurso opressor e os erros táticos da guerra contra o terrorismo abriram espaço para uma leva de importantes filmes políticos. São os casos de “Syriana”, “Guerra ao Terror”, “Boa Noite, Boa Sorte”, “No Vale das Sombras”, “Zona Verde”, “Rede de Mentiras”, “O Mensageiro”, “Soldado Anônimo”, “Leões e Cordeiros”, além, é claro, do documentário “Fahrenheit 11 de Setembro”.

Estreando no cinema americano em uma produção original do Netflix, o brasileiro Fernando Coimbra (do excelente “O Lobo Atrás da Porta”) lança, agora, em 2017, “Castelo de Areia”. O tema é justamente a Guerra no Iraque: um grupo de soldados americanos está prestes a voltar para casa, porém, acaba escalado para uma tarefa considerada até fácil de restabelecer o serviço de água em uma região do país.

Não dá para negar que “Castelo de Areia” tenha boas ideias: tanto o roteiro do jovem Chris Roessner quanto Coimbra deixam claro como os EUA pensaram apenas em invadir o Iraque com toda a força militar existente sem um real plano de dar maior dignidade à população. Chega a ser irônico as imagens dos fortes bombardeios em Bagdá, do helicóptero fazendo um rasante para executar um ataque contra um prédio da resistência de Saddam Hussein e não conseguir acabar a obra de uma estação de água ou impedir a violência e criminalidade em um pequeno vilarejo do Iraque.

Infelizmente, antes de “Castelo de Areia”, vieram tantos outros projetos, já citados acima, com as mesmas ideias. O longa da Netflix não parece, em nenhum momento, capaz de trazer um ponto de vista diferente para a temática. Ter que, mais uma vez, assistir ao processo de desumanização de um soldado bonzinho em uma pessoa mais amargurada, sem tanto elo com aquilo que era em solo americano é, no mínimo, cansativo. Ainda mais se um temos um ator apenas simpático, mas, sem a capacidade de oferecer maior densidade ao protagonista como Nicholas Hoult faz.

Com personagens clichês (até quando um ator negro nestes filmes vai se comportar como o comedor e ser o alívio cômico?) e as tradicionais cenas bem executadas de ação, “Castelo de Areia” consegue ser digno de nota apenas em um momento: o curto diálogo entre o protagonista e um engenheiro mecânico iraquiano sobre o preço e o conceito da educação nos dois países demonstra que, nem sempre, as tais nações desenvolvidas são tão justas assim.

Muito pouco para um segundo filme de um diretor tão promissor quanto Fernando Coimbra.

PS: como Henry ‘Superman’ Cavill é ruim!

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