A pluralidade de estéticas e uma homenagem ao “cinema independente cubano” são marcas da 32ª edição do Festival Internacional de Cinema de Miami (MIFF), em EUA, que ganha, a partir desta sexta-feira (6), um protagonismo maior graças à numerosa participação de atores, produtores e diretores.

A grande festa do cinema de Miami soube cultivar durante estes últimos anos um “estilo único”, justificou à Agência Efe o diretor do MIFF, Jaie Laplante, por reunir projeções e estreias mundiais, conversas, apresentação de estrelas e diversão.

A 32ª edição vai até 15 de março, com a expectativa de receber mais de 60 mil espectadores e o “triplo de profissionais da indústria do que em 2011”, ressaltou Laplante.

A cerimônia inaugural desta noite no Olympia Theater do Gusman Center terá como prato principal a exibição do filme “Relatos Selvagens”, do cineasta argentino Damián Szifrón, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O cinema ibero-americano é um dos protagonistas dessa edição.

Um dos eixos do festival é, sem dúvida, a homenagem ao “cineasta independente cubano”, que começa no próximo domingo com a estreia nos Estados Unidos de “A obra do século” (2015), do cubano Carlos Quintela, uma co-produção cubana, argentina e alemã.

Segundo trabalho de Quintela, que estreou com “A piscina” (2012), “A obra do século” narra as expectativas criadas nos anos 80 na população da “cidade nuclear”, perto de Cienfuegos, com a construção da primeira usina nuclear no Caribe. Mas este mundo de possibilidades desmorona com o afundamento da União Soviética.

A relação de filmes nesta homenagem inclui “Óculos Escuros”, de Jessica Rodríguez; “A nuvem”, de Marcel Beltrán; o documentário “Hotel Nova Ilha”, de Claudia Calviño. Todos em espanhol com legendas em inglês.

Um dos destaques é “Esto es lo que hay”, de Léa Rinaldi, que narra os problemas enfrentados pelo grupo de hip- hop cubano Los Aldeanos por causa das letras anticastristas de suas composições.

A categoria Reel Music traz filmes tão atraentes como “Montage of Heck”, o primeiro retrato autorizado de Kurt Cobain; “Paco de Lucía: a Busca”, do diretor espanhol Curro Sánchez Varela, sobre o excepcional talento desse guitarrista do flamengo.

Nesta edição, o festival mantém sua aposta pelas estreias: são 14 em nível mundial e outras 12 nos Estados Unidos, com uma inovadora seção, “Culinary Cinema”, em que serão exibidos filmes como “Finding Gastón”, sobre a vida do chef peruano Gastón Acurio.

“Las Ovejas no Pierden el Tren”, do espanhol Álvaro Fernández Armero, e o extraordinário “Los Hongos” (os fungos), do colombiano Óscar Ruiz Navia, sobre dois jovens artistas que grafitam nas ruas de Cali e enfrentam diversas peripécias, também estão cheios de expectativa.

“Los Hongos” participa da seção Knight Competition, que premiará com US$ 40 mil o ganhador. São dez concorrentes, nove deles produções ibero-americanas.

Outra produção latino-americana que se destaca, mas na categoria Cinema 360 graus, na opinião de Laplante, é o “terrivelmente honesto” filme “Dólares de Areia”, da dominicana Laura Amelia Guzmán, um drama de amor lésbico, protagonizado pela atriz britânica Geraldine Chaplin.

Laplante se mostrou especialmente orgulhoso de ter tido a “oportunidade de apoiar e interagir com cineastas independentes de Miami que trabalham agora em nível internacional, mas que antes foram reconhecidos neste festival com filmes de qualidade assombrosa”.

Três filmes de diretores radicados ou nascidos em Miami fazem parte da seção Florida Focus: Billy Corben, Carla Forte e Mark Moorman.

Outro esperado prêmio é o dado ao melhor de cinco filmes que são “obras-primas” da região ibero-americana.

Concorrem o venezuelano “3 Belezas”, de Carlos Caridad Montero; o espanhol ” Sexo fácil, Películas tristes”, de Alejo Flah (estreia internacional); “En la Gama de los Grises”, filme chileno do diretor Claudio Marcone (estreia mundial); além de “Algum lugar”, do dominicano Guillermo Zouain (estreia mundial).

A lista é completada com a produção espanhola, alemã e mexicana “Eles Estão Todos Mortos”, dirigido por Beatriz Sanchís (estreia mundial).

Também serão exibidos o documentário “Antes que Nos Esqueçam”, do mexicano Matías Guelbur, sobre a crua realidade da extrema violência que castiga o México, e “As musas de Bashevis Singer”, do israelense Shaul Betser, uma investigação em torno das mulheres que foram tradutoras do prêmio Nobel de Literatura Isaac Bashevis Singer.

Na seção de cinema asiático se destacam trabalhos do chinês “Uncle Victory”, de Zhang meng, e do coreano “A Girl at my Door”, de July Jung.

O cinema francês apresenta sete longas, entre eles o suspense “Ladygrey”, de Alain Choquart (estreia internacional), e “O Homem que Elas Amavam Demais”, do cineasta André Téchiné, exibido ano passado na Mostra de Cinema de São Paulo.

da Agência EFE

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