Filha de um trabalhador do petróleo cubano e de uma agente de importações americana, Cameron Michelle Diaz nasceu em San Diego, na Califórnia, em 1972 e, do alto dos seus 41 aninhos (sem ironia: 40 é o novo 30), já foi musa sexy, talento indie, estrela da comédia, atriz respeitada e ímã de bilheterias.

Infelizmente, quem acompanha a carreira da atriz vê que a maior parte da sua energia e de suas atenções é voltada para comédias fuleiras, e que – pior ainda – foram estas que fizeram a sua fama e fortuna. Mas, por trás das dezenas de O Amor Não Tira Férias e Professora sem Classe se esconde uma intérprete de grande talento, como se pode comprovar nos cinco filmes da lista de hoje.

5. Em Seu Lugar (2005)

Uma atuação surpreendentemente sensível de Diaz, que ainda mostra muita empatia com a companheira de cena, Toni Colette, numa comédia dramática inteligente e que merecia ter sido vista por um público bem maior. Dirigido por Curtis Hanson (Los Angeles – Cidade Proibida, 8 Mile).

4. O Conselheiro do Crime (2013)

Pra lembrar que Diaz é, sim, dona de um talento robusto, que ela insiste em deixar dormindo ao fazer um filme mais chinfrim que o outro, O Conselheiro do Crime, ensaio de Ridley Scott (Alien, Blade Runner) sobre a violência contemporânea, é dela.

No papel de Malkina, namorada de um empresário do tráfico que é bem mais poderosa do que aparenta ser, Diaz esbanja carisma e sensualidade, inclusive numa cena antológica onde ela simula sexo com um… carro (sim, é isso mesmo que você leu). Pena que o filme não esteja à altura: estilizado demais, O Conselheiro do Crime soa quase desumano – o que é o oposto da mensagem que o filme gostaria de passar. Mas Diaz e seus companheiros de cena ajudam a torná-lo pelo menos instigante.

3. Vanilla Sky (2001)

Quando Cameron Diaz, longe dos tempos de rising star do cinema independente, já não criava expectativas além das comédias românticas bisonhas que ela entregava a cada ano, ela lembrou que ainda pulsava um coração de atriz.

Um filme pretensioso, inflado e desnecessariamente complicado de Cameron Crowe, Vanilla Sky ao menos tinha duas qualidades que chamaram a atenção: a atuação intensa, quase feroz de Cameron Diaz, como a ex-namorada do protagonista David Aames (Tom Cruise), e a canção inédita de Paul McCartney para o filme.

Como esta lista é sobre Diaz, então, fica a dica: gostando ou não de Vanilla Sky (há quem ame, e pense o oposto do que eu escrevi aí em cima), o desempenho da atriz no filme certamente vale a conferida.

2. Quem Vai Ficar com Mary? (1998)

O trabalho que lançou Cameron Diaz ao estrelato, Quem Vai Ficar com Mary?, dos irmãos Peter e Bobby Farrelly, é um clássico moderno da comédia, e mais um show de carisma da estrela.

Como a personagem-título, que é o objeto de desejo do loser Ted Stroehmann (Ben Stiller) e do conquistador barato Pat Healy (Matt Dillon), mas tem “alguma coisa” que o filme alardeia durante quase toda a projeção, Cameron Diaz pôde exercitar todo o seu charme e alegria, convencendo inclusive a nós, do lado de cá da tela, a desejá-la também.

Infelizmente, o filme foi um sucesso tão grande de público (369 milhões de dólares, em números atuais, na bilheteria mundial) que Diaz começou a se achar comediante, e a querer arrancar uma risada barata atrás da outra. É o que ela vem tentando fazer desde então.

1. Quero Ser John Malkovich (1999)

Tendo feito a sua primeira aparição como a super-sexy Tina Carlyle de O Máscara (1995), foi preciso Cameron Diaz se despir de todo o glamour e aparecer tão feia quanto possível para seu talento de atriz aflorar também: em Quero Ser John Malkovich, ela dá vida a Lotte Schwartz, a esposa esquisitona do também estranho Craig (John Cusack), num cotidiano tedioso e excêntrico em Nova York.

Quando os dois descobrem um portal para a mente do ator John Malkovich (ele próprio), na brilhante trama imaginada por Charlie Kaufman, Lotte tem a oportunidade de dar vazão às suas fantasias bissexuais e se relacionar com Maxine (Catherine Keener), objeto da paixão de Craig também.

Tão distante quanto possível dos megafilmes que estampam o nome da atriz em marquises pelo mundo, Quero Ser John Malkovich mostra bem a qualidade e complexidade do trabalho de Cameron Diaz, mas revela, acima de tudo, que ela poderia ir bem mais longe como atriz, se quisesse. Um lembrete surpreendente, mas melancólico, de um brilho potencial que vem se esvaindo a cada ano, a cada novo filme estrelado pela americana.

O pior:

Jogo de Amor em Las Vegas (2008)

Em várias oportunidades nesta lista, falei mal das comédias, sejam românticas (Tudo pra Ficar com Ele, que de tão ruim se tornou cult) ou de ação (As Panteras, remake sem graça de um seriado que também só valia pela beleza das protagonistas) que Cameron Diaz vem estrelando.

Mas o ponto mais baixo (e ponha baixo nisso) dessa trajetória é mesmo a parceria com o campeão das comédias ruins, Ashton Kutcher. O garotão e a mulher-sorriso de Hollywood unem forças para dar vida a um casal que se conhece em Las Vegas e, numa noite de bebedeira, formaliza a união. Pela lei americana, porém, eles só podem desfazer o casamento após seis meses morando juntos e frequentando a terapia de casal, o que dá origem a todo tipo de situações previsíveis e a um final feliz tão artificial quanto o restante do filme.

O mais triste é saber que metade dos trabalhos de Cameron Diaz são comédias desse tipo, que não trazem nenhum desafio, pagam muito bem e só arranham a boa reputação conquistada nos (poucos) grandes filmes. Quando se trata de Cameron Diaz, meu amigo(a), é preciso escolher com bastante cuidado, pra não cair numa cilada como a desse filme.

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