“Acabou! Boa sorte!”, como diria Vanessa da Mata. Escrevo este último Diário de Bordo já em solo italiano refletindo na loucura dos últimos dias e no sonho que foi estar em Cannes fazendo essa cobertura pra você.

No último dia, acordei um pouco mais cedo do que meu anfitrião e saí correndo. O apartamento que ele alugou ficava a uma caminhada de dez minutos do Palais, boa parte da qual se dava pela Croisette – um belo passeio, apesar do dia nublado (o primeiro desde que cheguei a Cannes).

Chegando lá, a fila, claro, já havia começado, mas benza deus não foi o suficiente para me impedir de entrar e conferir The Beguiled, novo projeto da Sofia Coppola.

A mesma coisa não aconteceu na coletiva: lembro a vocês que as credenciais têm valores distintos em Cannes e o que aconteceu foi que um número absurdo de jornalistas com credenciais vermelhas, que são as mais poderosas lá na programação diurna (à noite, as brancas reinam), lotaram a sala de conferências de imprensa, de maneira que apenas alguns jornalistas com azuis e nenhum com amarela conseguiu entrar. Ah, o cara que estava na vez e que recebeu o “está lotado” em primeira mão? Este repórter que vos fala.

Restou ficar aguardando as estrelas no tapete vermelho na entrada da sala, o que foi uma boa ideia: consegui ficar perto da Sofia, da Nicole Kidman e do Colin Farrell, que aparentemente se atrasou para a coletiva de The Killing of a Sacred Deer no dia anterior mas conseguiu chegar para essa e foi bastante educado com os fãs. No mais, Elle Fanning, linda e simpática, ainda deu oi para mim!

Acompanhei a coletiva pela tela colocada do lado de fora da sala e depois saí em missão para fazer uma matéria especial (que vocês verão depois, então sem spoilers aqui) e dar uma passada em uma das lojas de Cannes para filmar e comprar alguma coisa.

Na saída, restou tempo somente de gravar o ao vivo do dia e partir para a estação de Cannes, pois ainda precisaria pegar um ônibus até Antibes, para pegar minhas coisas no apartamento, e depois outro até a estação da cidade, de onde eu pegaria o trem de volta.

Pude me despedir de minha anfitriã e, agora que escrevo isso, me lembro que não tirei a foto com a câmera Super 8 dela para mostrar aqui no Diário. Fica para uma próxima… De toda forma, ganhei uma carona até a estação, onde pude comer sossegado por estar adiantado.

Parece que não, mas é uma viagem e tanto: o trem saiu de Antibes às 17h46 e só chegou em Milão às 22h53. Em Milão, consegui uma pizza no último restaurante aberto da estação e esperei o último trem “regionale” da noite, que sairia às 0h15, mas atrasou meia-hora.

Esse trajeto deu um pouco de nervoso por estar com malas num trem quase deserto, passando por várias estações fechadas e/ou mal-iluminadas sem serviço de anúncio – em outras palavras, se eu perdesse minha estação, iria parar no destino final (Verona) sem ter como voltar até o dia seguinte.

Às 2h15, no entanto, cheguei a Desenzano del Garda, inteiro e apenas debilitado pelo sono. Em todos os dias de Cannes, se eu juntar todas as horas que eu dormi, não dá umas 20, mas tudo bem: não fui lá para dormir, mas sim para fazer a melhor cobertura possível para um site em que acredito e para realizar um sonho antigo de cinéfilo antigo.

Você que está lendo isso faz parte desse sonho e eu recebi um retorno imenso, ao qual sou grato. Vários colegas jornalistas também fizeram a diferença com ajuda inestimáveis, dos quais destaco o Bruno Fai, a Flávia Guerra e a Larissa Padron (caso leiam isso, obrigado de coração!).

E bem, vamos lá que Cannes não acabou aqui no Cine Set: ainda temos conteúdo especial para os próximos dias, sem falar nas resenhas de todos os filmes que conferimos na Croisette! O Diário de Bordo acaba, mas o cinema continua. Abraço!

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