A 11ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, a CineBH, entra em sua reta final com homenagens ao diretor, crítico e ator francês Pierre León e com o conceito de “cinema de urgência” como tema de reflexão.

Um dos grandes nomes da produção independente da Europa, León sua filmografia completa sendo exibida durante o evento. Ele disse estar muito feliz por ter vindo pela primeira vez ao Brasil, com a homenagem no evento, e elogiou a cidade de Belo Horizonte, de maneira bem ‘artística’ e com licença poética.

“Em relação ao Brasil não sei falar muito, mais gostei muito de Belo Horizonte, gosto muito de cidades ‘bizarras”, contou o diretor à Agência Efe.

A coordenadora da Mostra, Raquel Hallack, explicou que a temática deste ano, o “cinema de urgência”, foi pensada para que se discuta o que está acontecendo no cinema brasileiro atual.

“Queremos saber como ele está refletindo o momento histórico do país, trabalhando com o recorte dessa crise política, social, econômica, pensando nos filmes que vão surgir mostrando isso”, explicou Raquel.

Segundo a coordenadora da CineBH, “Terra em Transe”, de Gláuber Rocha, é considerado um “cinema de urgência”, pois continua atual mesmo tendo passado 50 anos do seu lançamento.

Perguntado se sua obra poderia ser enquadrada dentro da temática da Mostra, León viu compatibilidade.

“Se recebi essa homenagem aqui, se fui convidado, acredito que devo ter alguma coisa a ver com isso (…) Acho que a urgência está presente em alguns filmes meus”, afirmou.

“Escolhemos Pierre León para homenagear, cuja filmografia fala dessa temática, seja em temas de gênero, em questões de interesse global, em transformações sociais, esta urgência como um todo estão na pauta da crise”, corroborou Raquel sobre a obra do diretor francês.

Em paralelo à CineBH, está acontecendo o 8º Brasil CineMundi, que coloca em contato profissionais brasileiros e estrangeiros para debater e trocar experiências sobre coproduções.

Encontros e debates reúnem produtores, diretores e gestores de cinema para trocas de ideias, promoção de novos negócios e debates sobre o panorama de coproduções.

Este ano, 37 convidados brasileiros e estrangeiros – entre eles representantes de Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai – participam do evento para estabelecer relacionamentos, negócios, intercâmbios, estimulando assim o diálogo do setor audiovisual.

O diretor de criação e conteúdo colombiano Jorge Andrés Botero – que participou do painel “Experiências em Coprodução Internacional na América” – disse que eventos como o CineMundi permitem aos produtores encontrar outras pessoas que tenham uma visão diferente ou que tem ideias que ajudem uma produção a alcançar seu público.

“Também serve para abrir as portas para as coproduções e ver quem está interessado em financiar o filme, e ajudar a levá-lo a outras praças e festivais pelo mundo”, completou Botero.

Um dos destaques da programação para este final de semana, quando se encerra a CineBH, é a exibição do filme clássico “O Mágico de Oz”, de 1939, acompanhado da execução ao vivo – por uma orquestra sinfônica – de músicas da banda inglesa Pink Floyd.

da Agência EFE

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