Naum Kleiman, diretor do Museu Nacional do Cinema de Moscou, e toda a sua equipe se demitiram essa semana da instituição, o que vem verando polêmica na comunidade cinematográfica mundo afora. O motivo da demissão em massa seria a insustentabilidade das atividades no comando da nova responsável pelo museu russo, Larissa Solonitsyna, nomeada pelo Ministro da Cultura Vladimir Medinski.Ela é acusada de “falta de competência” e de ter um “estilo de gestão autoritário”, segundo o comunicado dos agora ex-funcionários.

Vale lembrar que Kleiman dirigiu o Museu de Cinema de Moscou por 25 anos, além de ser um dos grandes especialistas na obra do cineasta Sergei Eisenstein. Em julho passado, o então diretor foi substituído, sem aviso prévio ou motivo aparente, pela chefe de redação do Jornal SK Novosti, Solonittsyna, o que colocou Kleiman num cargo simbólico de presidente do museu. Nem mesmo o tom de homenagem conteve a insatisfação dos funcionários, dentre eles conservadores, arquivistas e programadores, que acreditam que a intenção da nova diretoria é encerrar as atividades do Museu de Cinema.

A polêmica tomou proporções mundiais após a equipe tornar públicas as reclamações contra a nova diretoria. Thierry Fremaux, director do Instituto Lumière e do Festival de Cannes, Mark Cousins, renomado crítico de cinema irlandês, e a atriz inglesa Tilda Swinton são algumas das figuras que se manifestaram numa carta aberta ao ministro da Cultura russo no final do mês passado pedindo pela volta de Kleiman à direção do museu. Publicações como a Sight & Sound também demonstram solidariedade a ele, publicando mensagens como a de Eva Truffaut, filha do diretor François Truffaut, que destaca as constribuições de Kleiman à divulgação e debate sobre grandes obras cinematográficas no decorrer de sua gestão. Até agora, os apelos não foram atendidos, e Solonitsyna continua à frente do Museu Nacional de Cinema de Moscou.

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