Mais de 70 filmes dirigidos por mulheres serão projetados em três cinemas de rua durante o II Festival Internacional de Cinema de Realizadoras. De 14 a 19 de agosto, além das atividades formativas, a extensa programação contempla curtas, médias e longas-metragens de várias partes do mundo exibidos no Cinema São Luiz, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (ambos no Recife) e no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro em Camaragibe, na região metropolitana do Recife.

A realizadora Patrícia Ferreira, a primeira diretora indígena a exibir filme no FINCAR, co-dirigiu o média-metragem Teko Haxy – Ser Imperfeita com Sophia Pinheiro. As duas realizadoras estarão presentes nas sessões do filme no Recife e em Camaragibe. Na programação de médias e longas encontra-se também o documentário O Caso do Homem Errado (RS – Brasil), de Camila de Moraes, que rompe o hiato de 34 anos sem longa de realizadora negra em circuito comercial, vencedor do 9º Festival Internacional de Cine Latino, Uruguayo y Brasileiro; o documentário Mulheres Rurais em Movimento, direção coletiva do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste / MMTR-NE e Héloïse Prévost, vencedor do prêmio do júri do 11º Seminário Fazendo o Gênero; Piripkura (Brasil), de Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge, exibido no forumdoc.bh 2018 e Festival do Rio 2018; Diários de Classe (BA – Brasil), dirigido por Maria Carolina da Silva e Igor Souza, exibido no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; Lírios não Nascem da Lei (MG – Brasil), realizado por Fabiana Leite, presente na Seleção oficial para o WomenCinemakers Biennial Edition 2018; Wild Relatives (França, Líbano e Noruega), dirigido por Jumana Manna e estreado mundialmente no 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim – Berlinale 2018; Cuatreros (Argentina), dirigido por Albertina Carri, circulou pelo mundo em festivais, a exemplo do Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (La Habana, Cuba) e Mar del Plata Inernational Film Festival (Mar del Plata, Argentina); e Dreamstates (EUA, França e Ruanda), realizado por Anisia Uzeyman, que estreou mundialmente no Los Angeles Film Festival.

CURTAS-METRAGENS

Ao todo 65 curtas serão exibidos no II FINCAR, com várias estreias em Pernambuco. Entre as primeiras exibições de filmes de realizadoras pernambucanas nas cidades do Recife e Camaragibe, temos duas diretoras negras e uma indígena: Anna Andrade com Entremarés, documentário que aborda a vida de mulheres pescadoras na Ilha de Deus (Recife); Ayla Oliveira com Entre Pernas, ficção de realismo fantástico sobre a Perna Cabeluda; e Graci Guarani com Mensageiro do Futuro, documentário que fala sobre questões urgentes em uma das aldeias indígenas mais populosas do país. Dos 65 curtas que serão exibidos, 22 são de realizadoras negras e 6 de realizadoras indígenas.

CURADORAS

Todo o processo de seleção dos filmes foi feito por uma equipe de curadoras mulheres, são elas: Ana Carvalho, Aurora Jamelo, Cíntia Lima, Elaine Una, Íris Regina Gomes, Maria Cardozo, Mariana Porto, Sabrina Luna, e as curadoras assistentes: Erlânia Nascimento,  Júlia Karam, Karla Fagundes, Mariana Souza e Rayanne Layssa. Algumas delas escreveram textos para o catálogo inspirados nos nomes das sessões de curtas: Dançando a revolução, Correntezas, Vivas nos queremos!, Recontando a história, É minha cada parte do meu corpo, Existir, ocupar!,  Noturnas, Corpos de terra e mar e Me chame pelo meu nome.

INFÂNCIAS E ESCOLAS

O cinema de animação realizado por mulheres em diversos países compõem a Sessão Infantil, novidade neste II FINCAR junto a Programação Escolar. Estes últimos terão como espectadores estudantes de escolas públicas nas duas cidades, resultado de uma intensa articulação institucional para viabilizar o transporte e a pauta letiva junto ao Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Educação, e da Prefeitura Municipal de Camaragibe, através da Fundação de Cultura.

SÓCIAS E SOCIAIS

Além das articulações via instituições públicas, estão sendo feitas mobilizações junto às comunidades ao redor dos cinemas para que estas pessoas possam conhecer mais estas e outras sessões do II FINCAR, bem como a proposta do festival como um todo. Já a sessão do média Mulheres Rurais em Movimento contará com a presença das ativistas do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste / MMTR-NE, mulheres que participaram da direção coletiva do filme. Elas virão de Caruaru e de outros estados do Brasil para participar da exibição e muitas entrarão pela primeira vez no Cinema São Luiz, em sessão que acontece na quinta (16) à noite. No domingo (19) à tarde o filme volta a ser exibido, mas desta vez no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro, em Camaragibe.

Como trabalho de formação de público, lançamos para esta edição a campanha Sócias FINCAR, na qual 150 credenciamentos serão distribuídos para residentes em subúrbios e periferias, especialmente pessoas trans, não binárias, e a mulherada heterossexual e LBT. Basta enviar um e-mail para o endereço fincar.comunicacao@gmail.com solicitando o passe livre para a programação completa. O objetivo da campanha é democratizar o acesso ao Cinema de Realizadoras e aos debates pertinentes que dele decorrem, inclusive no ambiente virtual.

O EVENTO

Viabilizado através do 10° Edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de Pernambuco – Funcultura / Fundarpe, da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco, o FINCAR é uma produção da Orquestra Cinema Estúdios e Vilarejo Filmes. Em sua segunda edição, conta com a apoio da Fundação de Cultura de Camaragibe, Pajeú Filmes, Paço do Frevo, Portomídia e Porto Digital.

O FINCAR tem como proposta ocupar os equipamentos culturais públicos da Grande Recife com uma programação provocativa, política e produzida por mulheres, com debates pós-sessões de cinema para investir na formação de público. Durante o mês que a convocatória esteve aberta 1168 filmes de realizadoras foram inscritos. O país que mais inscreveu filmes foi o Brasil, com 320 filmes submetidos à curadoria, estritamente formada por mulheres. Na primeira edição, em 2016, o país que mais inscreveu filmes foram os EUA.

Realizadoras, artistas visuais, cineclubistas, comunicadoras populares, pesquisadoras acadêmicas, pesquisadoras livres, estudantes de cinema: cada curadora ao seu modo trouxe uma perspectiva sobre o cinema feito com mulheres. “A diversidade de vivências e experiências audiovisuais entre as curadoras é uma das potências políticas do festival. Os debates estabelecidos a partir dos filmes foram muito produtivos e a programação instigante a qual chegamos é resultado direto disso”, afirma Maria Cardozo, idealizadora e diretora de programação do FINCAR. O que ainda ecoa dos debates curatoriais desta edição poderão ser encontrados no catálogo online que será lançado no dia da abertura do FINCAR, terça (14), no Cinema São Luiz.

com informações de assessoria

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