Era natural que depois de uma sequência de bons episódios, “Feud” fraquejasse com um aquém do esperado. A expectativa após o ótimo capítulo sobre o Oscar era alta, mas, assim como as carreiras dos envolvidos, a série deu uma estagnada nesse s01e06.

Ainda assim, “Hagsploitation” foi eficiente nos momentos em que mostrou – mais uma vez – as agruras de envelhecer em Hollywood. Agora não são apenas Bette e Joan.

A série mostrou que em 1964 o sistema de estúdios também já andava mal das pernas e, com ele, toda a engrenagem, que envolvia desde o poderoso Jack Warner (o último dos moicanos, já que todos os rivais/colegas ou haviam morrido ou não faziam mais hits) até a colunista Hedda Hopper. Era o momento de fechar as cortinas e abrir espaço para a turma da New Hollywood, que começaria a dar seus pulinhos em breve.

Por isso, é compreensível que uma cidade que costuma sugar os sucessos até a última gota visse no crepúsculo das deusas (ou “meia-noite”, como diria Warner) Crawford e Davis uma oportunidade de ouro. Enquanto a segunda faz trabalhos na tevê, a primeira faz um humilhante retorno às películas de horror, o que acaba sendo um surpreendente sucesso. E que belo trabalho de Lange para simbolizar a vergonha e o cansaço de ter que se apresentar com o wannabe de Hitchcock William Castle (um casting inspiradíssimo de John Waters) para promover o filme Estados Unidos afora.

A hagsploitation do título do episódio diz respeito a isso: Aldrich é convocado para dirigir um roteiro parecido com Baby Jane até no nome e estrelando… bem, vocês entenderam.

Se “Feud” tocou mais nas feridas familiares de Davis, esse sexto episódio foi mais voltado aos dramas de Crawford. No entanto, é aí que o episódio cai de ritmo. Raymond J. Barry tem um bom trabalho como o irmão de Crawford, mas as suas aparições pontuais fazem dele nada mais que uma muleta do roteiro para dar mais profundidade aos problemas da atriz. O cuidado da equipe de Ryan Murphy em evitar um novo “Mamãezinha Querida” tem tropeçado nesse tipo de situação em vários momentos da série.

Mas se o foco da série é a rivalidade, neste episódio ela está mais viva que nunca. Sentimos, a cada momento que, se Baby Jane foi um inferno, esse novo filme tem o potencial de ser ainda mais. A não ser que… Bem, isso fica pro próximo episódio.

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