O Globo de Ouro sempre foi uma premiação mais conhecida pela vontade da imprensa estrangeira em Hollywood em agradar as estrelas do que no merecimento dos filmes ganhadores. Dessa vez, o evento parece ir além da conta ao escolher o astro George Clooney para receber o tradicional Prêmio Cecil B. DeMille.

O motivo da discórdia e polêmica causado pela escolha de Clooney se deve pelo fato do ator ainda ser muito jovem para ser homenageado pelo trabalho de toda uma carreira. Antes de deslanchar com “Irresistível Paixão” em 1997, o astro amargou fracassos retumbantes como “O Pacificador” e “Batman e Robin”. Depois se seguiram blockbusters como “Mar em Fúria”, “Onze Homens e um Segredo”, o cult “E Aí Meu Irmão, Cadê Você?” e o fraco remake de “Solaris”.

Tudo muda na carreira de Clooney em 2005 ao ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Syriana” e estrear como diretor no elogiado “Boa Noite, Boa Sorte”. Mesclando sucessos (“Conduta de Risco”, “Queime Depois de Ler”, “Amor Sem Escalas”, “Os Descedentes” e “Tudo Pelo Poder”) com obras duvidosas (“O Segredo de Berlim”, “O Amor Não Tem Regras”, “Os Homens Que Encaravam Cabras” e “Caçadores de Obras-Primas”), o ator mantém o carisma e charme como principais características de apelo popular aliado a um engajamento político que lhe rendeu uma detenção pela polícia de Nova York após protesto em frente à embaixada do Sudão em 2012.

Porém, a escolha de George Clooney para receber uma homenagem da carreira parece um desespero do Globo de Ouro pela audiência dos telespectadores ao apostar em uma figura pop. Isso fica ainda mais claro pela lista dos últimos vencedores: Woody Allen (2014), Jodie Foster (2013), Morgan Freeman (2012), Robert DeNiro (2011), Martin Scorsese (2010) e Steven Spielberg (2009). Todos nomes com muito mais peso e história do que o astro de “Onze Homens e um Segredo”.

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