Todo mundo, na sua vida cinematográfica, é exposto a elas: as sequências. Ainda mais hoje em dia, quando a indústria das chamadas franquias já está tão desenvolvida a ponto da sequência já começar a ser planejada enquanto os cineastas estão fazendo o filme original.

Mas no fim das contas, só existem dois tipos de sequência. O primeiro tipo se limita a recriar o que deu certo da primeira vez, apenas maior e mais espetaculoso. Já o segundo tipo é aquele que pega os temas e personagens vistos antes e os leva para o próximo estágio – estas já possuem um propósito narrativo claro, e não são motivadas apenas pela vontade de ganhar mais dinheiro. A maioria das sequências ruins ou desnecessárias pertence ao primeiro tipo; a maioria das que dão certo pertence ao segundo.

Então vamos aqui a duas pequenas listas: a das sequências mais desnecessárias da história do cinema, e a das melhores, na opinião deste autor.

Sequências mais desnecessárias

5º. Instinto Selvagem 2 (2006)

Lançado 14 anos após o original, Instinto Selvagem 2 não trouxe de volta o ator Michael Douglas nem o toque anárquico e louco do diretor do original, Paul Verhoeven. Apenas Sharon Stone voltou, e a única característica redentora do filme foi mostrar que ela ainda estava muito bonita. De resto, parece um daqueles suspenses lançados direto para DVD.

4º. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008)

No final da sua terceira aventura, A Última Cruzada, Indiana Jones saía cavalgando em direção ao pôr-do-sol… teria sido a perfeita despedida para o personagem, mas durante anos as pessoas imploraram aos criadores do personagem, os cineastas George Lucas e Steven Spielberg, por mais aventuras. Eles finalmente cederam, mas aparentemente pegaram o roteiro mais fraco disponível e a recente volta do herói arqueólogo acabou rendendo a sua mais desinteressante aventura. O Reino da Caveira de Cristal é a prova de que, no cinema, a voz do povo nem sempre corresponde à voz de Deus…

3º. O Legado Bourne (2012)

Em Hollywood, os estúdios têm notória dificuldade em admitir quando o fim chega. Matt Damon, astro da trilogia do assassino desmemoriado Jason Bourne, e Paul Greengrass, diretor dos filmes, encerraram a história com o terceiro filme. Mas isso não impediu o estúdio de lançar um quarto capítulo, com outro astro – Jeremy Renner – vivendo um novo agente. O Legado Bourne não chega a ser ruim, mas ele certamente não tem uma razão muito boa para existir, a não ser arrecadar mais uns dólares nas bilheterias.

2º. Velocidade Máxima 2 (1997)

Keanu Reeves leu o roteiro da continuação do seu sucesso Velocidade Máxima (1994) e dispensou. Sua co-estrela Sandra Bullock deveria ter feito o mesmo, pois este segundo filme se baseia numa ideia simplesmente absurda, ela tem zero química com seu novo companheiro de cena Jason Patric, e o resultado final acabou sendo terrível. É aquele tipo de filme que nós preferíamos não ter visto.

1º. Alien: A Ressurreição (1997)

Ripley, a heroína da revolucionária série Alien, faleceu no mediano terceiro filme, junto com seu inimigo o assustador monstro alienígena. Mas em se tratando de ficção-científica, ela e o monstro foram clonados para estrelarem mais um desnecessário capítulo… Alien: A Ressurreição tenta uma estranha mistura de terror com pitadas de comédia e outras bizarrices, e praticamente matou a franquia. Felizmente o diretor Jean-Pierre Jeunet se redimiu mais tarde junto aos cinéfilos com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

As melhores sequências

5º. Toy Story 3 (2010)

Superar os dois primeiros filmes, que entraram para a história do cinema com seus personagens inesquecíveis e animação revolucionária, parecia praticamente impossível… Mas Toy Story 3 consegue, levando adiante a história dos brinquedos e explorando seu tema de dependência dos humanos abordado nos anteriores. E o final é um dos mais belos momentos do cinema recente.

4º. Aliens: O Resgate (1986)

Olha aí a franquia Alien de novo, agora do outro lado do espectro. Enquanto o primeiro filme era um terror no espaço, o segundo adicionou uma boa dose de ação e um interessante subtema de maternidade na história, graças à visão do cineasta James Cameron. E o longa ainda rendeu à Sigourney Weaver uma indicação ao Oscar, a primeira concedida a uma atriz por um filme de ficção científica. Muita gente prefere este ao primeiro – não é o meu caso – mas de qualquer forma não há como negar o brilhantismo dessa poderosa continuação.

3º. Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)

Em Batman Begins (2005) o super-herói da DC Comics teve sua imagem reabilitada no cinema. Na continuação, o diretor Christopher Nolan continuou a analisar as implicações do que aconteceria se uma figura como o Batman existisse na realidade: ele viveria tempo o bastante para se tornar vilão? E de quebra, o longa ainda o coloca contra uma das maiores encarnações do mal da história do cinema: o Coringa vivido por Heath Ledger. O melhor blockbuster dos últimos anos e o maior filme já feito baseado em um herói dos quadrinhos.

2º. Star Wars: O Império Contra-Ataca (1980)

O segundo filme da trilogia original Star Wars era sombrio e dramático, enquanto o primeiro era alegre e empolgante. Foi neste filme que o projeto de George Lucas se transformou de uma mera diversão para algo mais profundo e mitológico, capaz de inspirar devoção em milhões de nerds por toda a galáxia. Além disso, esta sequência ainda contém a mais bombástica revelação já feita na história do cinema, e é um dos grandes filmes do gênero fantasia em todos os tempos.

1º. O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974)

Até hoje a única continuação premiada com o Oscar de Melhor Filme, esta segunda parte continua a ascensão de Michael Corleone como chefe, contrastando-a ao mesmo tempo com a época um pouco mais “ingênua” de quando seu pai tornou-se o Don. Al Pacino, Robert De Niro e Francis Ford Coppola fazem do filme a progressão lógica dos temas do original e se torna um complemento incrível e emocionante ao primeiro longa. O filme é bom a ponto de se poder afirmar que, se o espectador só assistir ao primeiro, terá perdido uma porção significativa da experiência do O Poderoso Chefão.

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