Um dos grandes nomes do cinema francês, Jean-Louis Trintignant, famoso por “E Deus Criou a Mulher”, “Z” e “A Fraternidade é Vermelha”, além de premiado nos festivais de Berlim e Cannes, anunciou nesta quinta-feira que vai deixar o cinema por não ter mais forças para lutar.

“Pra mim, o cinema acabou”, declarou em entrevista ao jornal “Nice-matin”.

Seu último trabalho foi no ano passado, “Happy End”, de Michael Haneke, o mesmo diretor do premiado “Amor” (2012), pelo qual Trintignant ganhou o César de melhor ator em 2013.

Ao jornal, ele também revelou que acaba de recusar um papel para trabalhar com o diretor francês Bruno Dumont.

“Foi interessante, mas eu estava com medo de não atender fisicamente. Eu não me movimento mais sozinho e preciso ter alguém por perto para me dizer: “Atenção, você vai cair”, confessou o veterano ator, que em 1968 ganhou o prêmio no Festival de Berlim pela atuação em “L’homme qui ment”, de Alain Robbe-Grillet.

Na entrevista, ele afirmou que deixou de lutar contra o câncer que trata em Marselha, no sul da França.

“Eu não luto, deixo ir, não faço quimioterapia, mesmo que estivesse fisicamente pronto”, contou o astro, que afirmou que a morte da filha foi o início do fim.

“Eu morri há 15 anos”, afirmou, se referindo ao falecimento de Marie, em 2003, assassinada pelo ex-namorado, que foi condenado a oito anos de prisão.

Além disso, ele refletiu sobre o trabalho de ator que começou a desempenhar nos anos 50.

“Eu era extremamente tímido, e a notoriedade nunca me interessou. Você sabe, é divertido na primeira vez que recebe um reconhecimento, mas depois cansa. Afinal de contas, por que recebemos prêmio? Já somos bem pagos. Seria melhor dar o Oscar para pessoas que não têm trabalhos tão divertidos”, julgou.

Nascido em Piolenc, em 1930, Jean-Louis Trintignant começou no Direito, mas deixou o curso para estudar teatro. Seu primeiro papel no cinema foi em 1956 como o marido de Brigitte Bardot.

Foi casado com a atriz Stéphane Audran e depois com produtora Nadine Marquand, com quem teve três filhos, Marie, Pauline e Vincent. O único vivo é o caçula.

da Agência EFE

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