O dia 28 de junho é dedicado ao orgulho LGBT+. A data relembra as passeatas e protestos contra a agressão policial ocorrida no bar Stonewall Inn, em Nova York, no final dos anos 1960. Para celebrar e trazer reflexão sobre o tema, o Cine Set traz uma homenagem em forma de lista com cinco filmes que se debruçam ao universo de cada uma das letras da sigla, mas que foge das escolhas mais óbvias. Confere com a gente!


L: “Paris was a woman” (1996), de Greta Schiller

O documentário de Greta Schiller foca na comunidade de artistas e intelectuais americanas expatriadas na França durante os anos 1920-1930, muitas delas abertamente lésbicas. Figuras centrais de diferentes áreas como Gertrude Stein, Josephine Baker e Djuna Barnes são debatidas no filme, que traz imagens de arquivo, foto, música e entrevistas com personagens da época, revisitando um dos momentos históricos de grande efervescência cultural do ocidente.



G: “Delicada relação” (2002), de Eytan Fox

O drama israelense apresenta o envolvimento amoroso entre o rígido comandante Yossi (Ohad Knoller), um soldado numa base militar na fronteira com o Líbano, e o mais afável Jagger (Yehuda Levi), seu subalterno. Como o título em português já revela, a delicadeza dessa relação é entrecortada pelo pano de fundo bélico de uma trama na qual eles precisam esconder o amor dos demais membros da tropa e ainda conta com o fato de que uma recruta, Yaeli (Aya Steinovitz) tem interesse em um dos rapazes. Até hoje, a canção “Bo”, de Rita, é um pequeno hino cult/gay graças ao filme.



B: “Uma boa menina” (2014), de Desiree Akhavan

Encontrar um filme no qual um personagem bissexual não está envolvido numa fantasia sexual, não morra ou não diga “eu prefiro não me rotular” não é tão fácil, e por isso “Uma boa menina” se destaca. A comédia se passa em Nova York e tem uma pegada meio Woody Allen, meio Noah Baumbach, ou seja: faz comédia a partir de neuroses, tem diálogos marcantes e a presença de figuras hipsters bem atuais para contar a história da filha de imigrantes persas Shirin (Akhavan), que enfrenta o término de um relacionamento com Maxine (Rebecca Henderson).



T: “Minha vida cor de rosa” (1997), de Alain Berliner

O sensível drama de Berliner mostra a difícil transição de Ludovic (Georges du Fresne), uma criança nascida com a genitália masculina, mas que se identifica como menina. Ao passo que para ela é absolutamente normal assistir a programas infantis com a boneca Pam, querer usar vestidos ou dizer que pretende se casar com o filho do patrão do pai, a família passa por situações que vão do cômico ao trágico. O retrato da dificuldade de compreender o que se passa com a pequena Ludo também perpassa o preconceito e alienação da comunidade na qual as personagens se inserem, apesar do filme também focar em aspectos esteticamente mais fantasiosos de uma narrativa que apresenta o olhar de uma criança como perspectiva.



+: “XXY” (2007), de Lucia Puenzo

Porque a sigal LGBT+ não é tão simples como parece, é mais que justo adicionar um filme como “XXY” na lista. Nele, Alex é uma pessoa intersexo que, aos 15 anos, toma remédios para suprimir as características físicas identificadas com o sexo masculino e se apresenta como uma garota. A mãe de Alex planeja em segredo uma cirurgia de redefinição sexual definitiva, ao passo que as experiências de Alex põem em cheque essa decisão. Essa co-produção Argentina-Espanha-França recebeu prêmios em diversos festivais, incluindo Cannes.

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