O cineasta argentino Fernando Birri, considerado o “pai do novo cinema latino-americano”, morreu aos 92 anos em Roma, na Itália, nesta quarta-feira (27), informou o Instituto Nacional de Cinema e Artes Visuais da Argentina (Incaa).

“O Espaço Incaa Fernando Birri realizará um ato em homenagem ao pai do Novo Cinema Latino-americano, falecido ontem”, diz um post publicado nesta quinta-feira (28) no Twitter do órgão.

O diretor estava doente havia vários anos e morreu em um hospital da capital italiana.

Birri foi o fundador da famosa Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, e em 15 de dezembro de 1986 pronunciou o discurso de inauguração, antes de abraçar o líder da revolução cubana, Fidel Castro.

Essas imagens e suas palavras ficaram registradas e fazem parte do documentário “Ata tu arado a una estrella”, da argentina Carmen Guarini, um tributo a Birri apresentado fora de competição em novembro passado no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata.

A publicação do Ministério da Cultura de Cuba, “La Jiribilla”, lamentou a morte do diretor, que fez “importantes contribuições à cinematografia continental, em seu empenho por expressar com autenticidade a história regional”.

“Espera-se utilizar o cinema a serviço da Universidade, e a Universidade a serviço da educação popular”, disse Birri certa vez, lembrou a Universidade Nacional do Litoral, ao lamentar sua morte.

“Até sempre, presidente”, anunciou em sua página de Facebook o Festival de Cinema Latino-americano, que Birri fundou em 1985 em Trieste, nordeste da Itália.

“Apesar da dor”, o festival quis prestar uma homenagem à altura de seu presidente: “Imaginativo, hiperbólico, irreverente, dissonante, grandiloquente, genial mas também poético, sonhador e inspirador”.

Birri nasceu na província de Santa Fe, em 13 de março de 1925, onde realizou seu primeiro curta-metragem, “Tire Dié” (1960), de acordo com o site especializado “Otros Cines”.

Em 1961, seu longa-metragem “Los inundados” ganhou o prêmio de obra-prima na Mostra de Veneza. Depois chegaram “La Pampa gringa” (1963), “Org” (1978), “Mi hijo el Che” (1985), “Che, ¿muerte de una utopía?” (1997), “El siglo del viento” (1999) e “El Fausto Criollo” (2011), seu último filme.

O cineasta recebeu o Prêmio Coral de Honra no VIII Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, em Havana, em 1986. Em 2010, ganhou o Cóndor de Prata por sua trajetória no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, Argentina.

Também em 2010, recebeu o prêmio de honra do Festival Internacional de Cinema de Innsbruck, Áustria, em reconhecimento à sua trajetória e influência sobre o festival. Foi realizada uma retrospectiva em sua homenagem, com o título “Sonhar com os olhos abertos”.

da Agência France Press