Há dois personagens fanfarrões em No Olho do Tornado, os Caçadores de Tempestades. Dois bêbados que fazem pegadinhas do mallandro no quintal de casa, filmando tudo pra colocar no You Tube, pra assim conseguirem gatas notas 5, quem sabe até alguma nota 6, dependendo do sucesso, tudo isso regado a muita cerveja e churrasco. Quando veem que um tornado avassalador se aproxima deles, os dois nem hesitam, vão para o mais perto possível da ventania, pra conseguir boas imagens do fenômeno, e assim se tornarem celebridades virtuais.

Sendo bem sincero, acho que teria sido bem mais divertido acompanhar o vídeo desses dois malucos no You Tube, do que ter assistido a este filme de 89 minutos, que não é ruim, só é clichê pra daná.

Durante uma formatura de colégio, um tornado gigante se aproxima da cidade, colocando em risco a vida de todos. Acompanhamos então uma equipe de cinema/tv, liderada pelo inescrupuloso Pete (Matt Walsh), e pela especialista em tornados, Allison (Sarah Wayne Callies), que registra o fenômeno, e busca encontrar uma maneira de filmar o acontecimento de uma forma inédita, dentro do olho do tornado (haha, sacou a relação com o título?). Paralelamente seguimos a história de Donnie (Max Deacon) e Kaitlyn (Alycia Debnam Carey), que vão filmar as instalações de uma fábrica de papel abandonada, e acabam presos lá dentro devido ao furacão. Sabendo disso, o pai de Donnie, Gary (Richard Armitage) e seu filho mais novo, Trey (Nathan Kress), vão fazer de tudo para salvá-los.

Logo de cara, a direção de Steven Quale investe num promissor jogo de metalinguagem, utilizando-se de um tom documental para apresentar a trama, usando de maneira diegética as câmeras operadas pelos próprios personagens, cada um em seu contexto, como as câmeras do programa de TV, as câmeras do tanque, dos caçadores de tempestades, a câmera portátil de Trey, e a de Donnie. Mas isso rapidamente cansa o espectador, fica evidente a farofada que isso vira com o passar do tempo, parece apenas que o diretor quer mostrar que tem as situações filmada em vários ângulos, mesmo que eles sejam desnecessários, querendo trazer um tom de found footage artificial e cansativo. Depois dos primeiros 30, 40 minutos, o uso da metalinguagem se torna menos presente, mas já era tarde demais, já havia dedicado muito tempo do filme naquilo.

Talvez o diretor tenha querido dar esse dinamismo na montagem, pelo fato do início ser meio paradão, claramente uma preparação para a agitação desenfreada que vai ser o filme depois da chegada do primeiro tornado, e para tal tenta de qualquer maneira preencher esse vazio com traminhas desinteressantes como a de Allison com a filha, do pseudo documentário sobre como todos estarão dali há 25 anos, etc. Até legendas explicativas em excesso, sem nenhuma necessidade, são inseridas.

Quando o tornado finalmente chega o filme cresce e se torna bastante divertido. Momentos de CGI duvidoso são misturados com cenas de efeitos visuais convincentes, assim como também é convincente o design de produção, principalmente nos momentos que mostra a cidade destruída pelo tornado. A montagem contribui para a nossa imersão naquele acontecimento, acelerando os acontecimentos, de certa maneira nos atordoando, para que nos sintamos próximos do tornado, e de toda aquela agitação.

Mas aí entra em cena o roteiro fraquíssimo de John Swetnan, com os seus diálogos risíveis de tão artificiais, melodrama exagerado, personagens que vão se mostrando cada vez mais estereotipados e unilaterais, e as soluções clichês de todas as situações de perigo vão se acumulando, uma após a outra, sempre com o mocinho se salvando no último segundo, quando todas as esperanças já haviam ido embora. Os clichês são tão absurdos, que há até o clássico momento A Bruxa de Blair (1999) quando uma das personagens, falando pra câmera, manda uma mensagem para os pais, pois sabe que está prestes a morrer, e diz que sente muito, que não queria que as coisas terminassem dessa maneira, e blá, blá.

Além disso, somos obrigados a dividir a nossa atenção com a chatíssima trama envolvendo Donnie e Kaitlyn, cheia de clichês, de situações romantiquinhas que nos embaraçam de tão mal pensadas e desenvolvidas, além de serem completamente previsíveis e parecidas com tudo o que já vimos no cinema anteriormente, sem contar o fato de que esta subtrama apenas atrapalha a história principal, que se desenvolvia razoavelmente bem. Quer dizer, desenvolvia-se bem até a chegada do super tornado do final do filme, que é quando o filme abraça de vez o clichê do gênero, e enfia o pé na jaca, jurando que está desenvolvendo o potencial dramático dos seus personagens, quando na verdade está apenas tentando convencer a si mesmo de que está conseguindo fazer com que as pessoas se importem com aqueles personagens, quando na verdade, obviamente, não estão.

Por conta disso, o filme que tinha até certo potencial, pela maneira dinâmica com que as cenas de ação eram filmadas, perde-se por tentar ser mais do que isso, e fazendo tão pouco para alcançar sua ambição.

NOTA: 4,5

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