O que Operação Overlord faz em quase duas horas de duração é: misturar nazismo com zumbis e entregar um filme B com selo de diversão garantida. Não tem coisa mais fácil do que vermos nazistas sendo destroçados em um filme. A figura do soldado alemão da Segunda Guerra é talvez a mais fácil de se detestar e, aliado ao fato de torná-lo um zumbi, a culpa de fazê-lo em pedaços não existe.

Com a produção de J.J. Abrams (“Lost”, nova trilogia “Star Wars”), “Operação Overlord” conta com roteiro e personagens nada densos, porém, em situações bem construídas, tensão na medida e sangue pra todo lado. Na história, faltando algumas horas para o Dia D, um batalhão é enviado para uma região da França em uma difícil missão: derrubar uma torre de rádio de extrema importância para os alemães e, assim, conseguirem mudar os rumos da guerra. Depois de um pouso não muito bom, os soldados percebem que ali não tem apenas uma torre de comunicação, mas também um laboratório em que seres humanos são feitos de cobaias. Os pobres coitados fazem parte de um plano nazista da construção de super-soldados. O resultado, porém, não foi o Capitão América, mas, sim criaturas assassinas e famintas por carne humana.

O interessante de “Operação Overlord” é que se qualquer um fosse assistir sem ter contato nenhum com trailers e material de divulgação pensaria estar diante de um novo filme de guerra qualquer. Não que isso seja defeito, muito pelo contrário: o primeiro ato não deixa nada a desejar e se inspira de alguma forma em O Resgate do Soldado Ryan, só que a bordo de um avião prestes a ser atacado – os paraquedistas saltam não apenas para iniciar a missão, mas também para salvar suas vidas. A câmera quase fechada no rosto do protagonista não apenas potencializa a tensão, mas cria uma atmosfera assustadora porque sabemos o que está ocorrendo ao redor dele, mesmo a imagem não deixando nos depararmos com os detalhes, uma sequência por sinal muito bem conduzida.

À medida que os mistérios vão sendo apresentados, não deixa de ser interessante notar que o comportamento dos personagens se molda organicamente as novas situações. A incredulidade é absolutamente momentânea, o que deixa a narrativa mais ágil sem perda de tempo, deixando claro que o filme não quer ser levado a sério. Nisso, dá-se a transformação do longa de guerra para um filme B – como citei acima – com pedigree (orçamento de quase 40 milhões de dólares).

Sobre o elenco, pode-se destacar a competência dos atores em fazer personagens rasos bons condutores da história. O melhor de todos é o vilão Oficial Wafner, interpretado por um Pilou Asbaek com uma demonstra uma animação contagiante de quem parece ter se divertido o máximo que pode nos bastidores. Debaixo de uma maquiagem sensacional, o personagem carrega certos ecos do Caveira Vermelha (vilão do Capitão América).

Como não poderia ser em um filme de Hollywood, “Operação Overlord” é muito competente tanto nas cenas de ação como no design das criaturas. A direção de Julius Avery se prova eficiente e entrega um bom filme. Claro que com uma dose de liberdades como o protagonista negro no meio de uma companhia de brancos (isso não ocorreria: os negros eram separados em companhias próprias).

Tirando uma presença dos zumbis aquém do que fica sugerido (seria ótimo ver mais o cão zumbi, por exemplo), “Operação Overlord” deixa o drama de guerra de lado, abraça o cinema B e se torna, involuntariamente, uma versão zumbi do Castelo de Wolfenstein, com direito a labirinto, chefão final de videogame – o bom e velho maniqueísmo de sempre. Divertido, despretensioso e competente, seria um sucesso daqueles nas locadoras dos anos 90.

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