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10. Fred Astaire recebe uma homenagem especial da Academia (1950)

Certo, a cerimônia do Oscar começou a ficar mais elaborada e menos certinha dos anos 1970 pra cá. Mas também não faltaram momentos emocionantes nas décadas anteriores da premiação, como nesta homenagem feita ao ator, cantor e dançarino (não necessariamente nessa ordem) Fred Astaire, comandada pela parceira de longa data Ginger Rogers.

Num lance inovador para a época, Astaire, que não pôde comparecer, agradeceu aos presentes numa transmissão por telefone.

9. Heath Ledger ganha um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante por O Cavaleiro das Trevas (2008)

Esse momento é especial por dois motivos: primeiro, porque faz uma justa homenagem a um ator de grande talento, que morreu cedo, bem quando havia acabado de realizar o melhor trabalho de sua carreira.

Segundo, porque, pela primeira vez na história da premiação, um filme de super-heróis mostrou que podia ser tão “de arte” quanto filmes de gângster ou comédias românticas, dois gêneros que, a seu tempo, também derrubaram preconceitos.

8. Jorge Drexler canta sua música em protesto ao levar Melhor Canção (2005)

Outra bela quebra da rotina. Indicado ao Oscar de Melhor Canção por “Al Otro Lado del Río”, do filme Diários de Motocicleta (2004), e preterido para se apresentar na cerimônia – a Academia entendeu que Drexler era “desconhecido”, preferindo chamar os originalíssimos Antonio Banderas (que desafinou bastante) e Santana –, o compositor uruguaio, ao receber o prêmio, deu uma resposta elegante e soberba: cantou sua música como ela era, suave e delicada, e assim desancou a miopia (ou o preconceito) de Hollywood.

Seu protesto sutil foi bastante aplaudido e gerou até pedidos de desculpa da Academia.

7. Roberto Benigni enlouquece ao ganhar Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Vida é Bela” (1999)

Pode ser uma má lembrança para o cinema brasileiro. Pode-se dizer que “Central do Brasil” era mais filme que “A Vida é Bela”. Claro que foi errado escalar Sophia Loren para entregar a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro e entregá-lo a um italiano.

Entretanto, não há como negar que a efusiva comemoração de Roberto Benigni ao receber a estatueta, pisando nas cadeiras do Kodak Theater foi um dos momentos mais pitorescos da história do Oscar. Um misto de constrangimento pela vergonha com uma felicidade genuína e um tanto calculada.

Inesquecível. Para o bem ou para o mal.

6. Discurso de Michael Moore contra a administração Bush (2004)

2004 foi o ano do documentarista Michael Moore. Com um filme brilhante sobre os motivos que levaram dois jovens a cometer uma chacina na escola de Columbine (Tiros em Columbine) e uma das poucas vozes discordantes da americana incursão ao Iraque, Moore aproveitou seu momento de consagração máxima – o Oscar de Melhor Documentário – para fazer uma verdadeira diatribe contra o presidente George Bush. “Vergonha, senhor Bush, vergonha”, disse Moore ao criticar a invasão do Oriente Médio.

Aplaudido e vaiado em igual medida, o discurso do cineasta foi importante por marcar uma virada no pensamento da classe artística americana, que passaria a criticar duramente a administração Bush pelos anos seguintes. Pelo menos em 2004, Moore estava com a razão.

5. Homenagem de Woody Allen a Nova York após o 11 de setembro (2002)

Os EUA ainda estavam de luto quando o Oscar 2002 foi realizado. Não poderia ser diferente. Os atentados às torres do World Trade Center e ao Pentágono deixaram a marca do horror do terrorismo, presente apenas em solo americano nas fitas de ação.

A missão da Academia naquele ano era oferecer o melhor do cinema: a capacidade de reinventar a vida, de construir novos mundos a partir de escombros. Para começar a festa, nada menos que Tom Cruise abre a noite com um discurso sobre como o cinema lhe deu determinação e propósito na vida.

O grande momento, porém, viria logo em seguida: em sua única aparição no Oscar, Woody Allen fez um apelo a cineastas do mundo todo para que não deixassem de filmar em Nova York, que agora, mais do que nunca, estava necessitada de animação e gente criativa nas ruas.

Recado que ressoou pelo mundo todo, ajudando a erguer a moral combalida do país.

4. Christopher Reeve aparece após o acidente (1996)

Um dos grandes galãs americanos durante os anos 80 e início dos 90, Christopher Reeve, o eterno Super-Homem (1978), sofreu um acidente gravíssimo durante uma cavalgada em 1995, que o deixou tetraplégico. Sua aparição no Oscar de 1996, numa cadeira de rodas, comoveu o mundo, mas era, na verdade, uma demonstração eloquente de força de vontade, não de tristeza.

Pois o que era um mero bonitão se transformou verdadeiramente num Super-Homem: pelos anos seguintes, Reeve passou a ser um ativista em prol das pessoas com paralisia, criou uma fundação para financiar pesquisas e tratamentos científicos, e ainda voltou (quem diria!) a trabalhar como ator.

O homem que nos pareceu tão frágil naquele Oscar era na verdade um gigante, com uma determinação inabalável de seguir lutando – e prova de que Hollywood às vezes é palco para thrills genuínos.

3. Martin Scorsese vence o primeiro Oscar da carreira

Não adiantou fazer clássicos essenciais para a história do cinema como “Touro Indomável”, “Taxi Driver”, “Os Bons Companheiros”. Scorsese parecia fadado a entrar na lista dos injustiçados pelo Oscar ao lado de gigantes como Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock.

Porém, a Academia achou em “Os Infiltrados” a chance de premiar este mestre do cinema. Mesmo não sendo um dos grandes momentos da carreira de Scorsese, o suspense competente e estrelado por grandes nomes de Hollywood serviu para terminar a injustiça.

Para coroar a entrega da estatueta de Melhor Diretor, nada melhor que os amigos do começo da carreira. Nada menos que os antigos parceiros Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg deram a estatueta a Scorsese.

2. Indígena representa Marlon Brando e recusa Oscar

Era a consagração de uma carreira brilhante. Marlon Brando ganhava o seu Oscar da carreira com uma atuação icônica: Don Corleone de “O Poderoso Chefão”. Seria receber aplausos atrás de aplausos com todos em pé.

Eis que surge ativista de origem indígena Sacheen Littlefeather e, em nome de Brando, recusa o prêmio. Durante um minuto de discurso sob vaias e aplausos, ela explica que o motivo do astro refutar o prêmio acontece por causa do tratamento preconceituoso dado a indígenas no showbusiness americano.

Mesmo com as notícias surgidas posteriormente de que Littlefeather seria uma atriz e não uma ativista, o momento entrou para história do Oscar como uma das posturas mais polêmicas e ousadas da premiação.

httpv://www.youtube.com/watch?v=2QUacU0I4yU

1.  Charles Chaplin recebe o prêmio pelo conjunto da obra (1972)

Mais do que uma premiação de melhores do ano, o Oscar é a grande homenagem que a indústria do cinema faz a si mesma. Nada mais emocionante, então, do que os momentos em que grandes artistas são resgatados do ostracismo.

Desses, o maior de todos certamente foi a homenagem a Charles Chaplin em 1972 – por sinal, na mesma cerimônia simbólica que iria “enterrar” de vez a velha Hollywood dos estúdios, ao premiar “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola.

Sem nunca ter recebido um Oscar em uma carreira de décadas e inúmeras obras-primas, e ainda por cima vivendo no exílio, por acusações de comunismo, o velho cineasta ficou profundamente comovido com a homenagem da Academia. Seu discurso ao receber o prêmio é, até hoje, o momento mais emocionante em 86 anos de premiação.

Se puder, confira também as homenagens feitas a outros mestres do cinema, como Federico Fellini, Ennio Morricone e John Hughes, ou a vaia histórica a Elia Kazan em 1999. São quase sempre o ponto alto do Oscar.

O pior

Marisa Tomei leva Melhor Atriz por Meu Primo Vinny (1992)

Nada contra Marisa Tomei. Além de linda, a atriz mostrou grande talento em papéis dramáticos na última década, em filmes como O Lutador ou Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto. Mas eu não precisaria estar fazendo esta justificativa se não fosse o contestadíssimo prêmio dado à atriz em 1992, pela comédia Meu Primo Vinny.

A lenda conta que o idoso Jack Palance, que chegou a fazer flexões no palco para mostrar a boa forma (oh, boy…), não conseguiu ler o que estava escrito no envelope da vencedora. Como só lembrava do último nome anunciado (Marisa), deu no que deu.

Toda a celeuma foi porque o filme, se não era ruim, também não era nada de mais, e nem a atuação de Marisa, ainda inexperiente, poderia fazer frente às outras indicadas, como a dama do teatro inglês Maggie Smith. Pelos dias seguintes, houve uma enxurrada de críticas, mas a Academia até hoje jura de pés juntos que a escolha de Marisa não foi por engano.

Bom, quem gosta de cinema (e de boas atrizes) saiu insatisfeito, a própria Marisa quase caiu no ostracismo após a onda mundial de antipatia, e Palance ficou com fama de doidão e senil. Episódios desastrosos no Oscar já houve vários (empolgação excessiva com a premiação, vaias, protesto “fake”, arrogância dos premiados, até um homem pelado que correu atrás do ator David Niven em 1974), mas, entre mortos e feridos, nenhum desagradou a tantos.

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