Ganhar um Oscar, ou, ao menos, ser indicado, é (para muitos) a validação máxima de respeito na indústria. Porém, isso não significa que a estatueta dourada seja sinônimo de uma carreira ilibada, como Halle Berry, Hilary Swank e Jean Dujardin podem comprovar.

Ainda assim, é momento de celebrar o bom ano que passou e colher os louros de trabalhos bem recebidos, porque, como o Cine SET vai mostrar a seguir, nem só de obras-primas se faz a carreira de um ator indicado ao Oscar – e não, Sylvester Stallone* não é o único indicado desse ano com bombas dignas de Framboesa de Ouro na filmografia.

* inclusive, não o coloquei na lista porque seria covardia demais, né?

“Garota Veneno” (2002) – Rachel McAdams

Doze anos depois de nos matar de rir com a sua subestimada (em termos de Oscar, pelo menos) performance em “Meninas Malvadas”, Rachel McAdams conquistou a sua primeira indicação pelo trabalho como a jornalista Sacha Pfeiffer em “Spotlight – Segredos Revelados”. A carreira de McAdams nesse meio tempo tem sido irregular, com sucessos e fracassos (o mais recente foi o aborrecido ‘Sob o Mesmo Céu’). No entanto, a atriz nunca teve um filme realmente ruim em sua filmografia pós-Menina Malvada. Antes de dar vida à icônica Regina George, porém, ela fez uma ponta no mal recebido “Garota Veneno”, onde divide a personagem principal com o grande ator Rob Schneider. Ainda bem que não durou muito tempo e a sorte de McAdams mudou, com o sucesso de “Meninas Malvadas” e do açucarado “Diário de Uma Paixão”. Good for you, Glen Coco!

“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008) – Cate Blanchett

Nem uma estrela já oscarizada e com autores de peso no currículo escapa de ter um filme ruim aqui e outro acolá. No caso de Cate Blanchett, era compreensível a sua escolha em participar do quarto filme da série “Indiana Jones”: a chance de trabalhar com Steven Spielberg e Harrison Ford e reviver uma franquia icônica do cinema parecia boa demais no papel. Mas foi só no papel mesmo. A reinvenção das aventuras de “Indy” em meio ao cenário da Guerra Fria foi um justo fracasso de crítica e nem Blanchett foi poupada. O trabalho da australiana como a vilã Irina é uma das poucas manchas em uma carreira quase perfeita.

“O Homem da Máscara de Ferro” (1998) – Leonardo DiCaprio

No auge da ‘Titanic’-mania, um outro filme estrelado por Leonardo DiCaprio ganhou as telas de cinema mundo afora e capitalizou (MUITO) na fama do então mais novo astro de Hollywood. A dramatização da história do irmão gêmeo do rei francês Luis XIV é um daqueles filmes que o DiCaprio pós-Scorsese nem tocaria. Aliás, ele nem deve gostar de lembrar de sua atuação afetada e do roteiro pobre do longa. Ainda bem que o eterno Jack Dawson teve muitos filmes e papeis para se redimir depois, né?

“O Destino de Júpiter” (2015) – Eddie Redmayne

Quem segue a corrida do Oscar lembra bem do ano de 2007: Eddie Murphy era o favorito absoluto para o prêmio de ator coadjuvante pelo papel em “Dreamgirls”. No dia da cerimônia, quem levou a melhor foi Alan Arkin, o simpático e desbocado vovô da “Pequena Miss Sunshine”. Muita gente atribui a derrota de Murphy ao filme “Norbit”, lançado justamente na época em que os votos para o Oscar estavam em curso. Esse dito “efeito Norbit” é sempre lembrado por publicistas e estúdios na hora de montar uma estrategia de campanha para prêmio e, desde então, não rendeu nenhuma surpresa desagradável a qualquer favorito à estatueta.

Pois bem.

Eddie Redmayne QUAAASE foi vítima desse fenômeno, não fosse o seu desempenho inegável em “A Teoria de Tudo”. Lançado no meio da votação do Oscar, “O Destino de Júpiter” é um sci-fi sofrível cuja cereja no bolo é justamente a atuação de Redmayne, a pior do longa e uma das mais ‘vergonha alheia’ da história do cinema. De volta ao Oscar com “A Garota Dinamarquesa” este ano, ele também foi “reconhecido” pelo Framboesa de Ouro pelo desempenho no filme dos irmãos Warchowski.

“A Hospedeira” (2012) – Saoirse Ronan

Parece que toda atriz promissora tem que emprestar seu nome a alguma adaptação de um livro voltado ao público adolescente e ‘jovem adulto’. Kristen Stewart e Jennifer Lawrence tiveram sucesso (a primeira, só de público) com “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, respectivamente, enquanto Shailene Woodley ainda tenta a sorte com “Divergente” e Chloe Grace Moretz amarga o fracasso de “A Quinta Onda”.

Indicada ao Oscar pela segunda vez aos 21 anos, Saoirse Ronan não fugiu a essa quase regra e estrelou “A Hospedeira”, adaptação do livro homônimo de Stephenie Meyer (autora da saga ‘Crepúsculo’). No filme lançado em 2013, Ronan é uma jovem que enfrenta uma “alma” que tenta invadir seu corpo. Sim, a sinopse é tão boa quanto o filme em si. Com filmes de Wes Anderson, Joe Wright, Peter Jackson e Peter Weir no currículo, é de se espantar que Ronan tenha achado que “A Hospedeira” seria uma boa ideia. Para a sorte dela, quase ninguém lembra desse filme.

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