Será que em 2021 o Brasil finalmente vai conseguir levar o Oscar? Eu trago agora uma lista com 10 filmes que podem ser o nosso representante na festa do cinema americano. 

MARIGHELLA 

Depois de muita polêmica, “Marighella” deve chegar neste ano aos cinemas brasileiros. A produção marca a estreia de Wagner Moura na direção. 

O filme acompanha a trajetória Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro que foi assassinado pela ditadura militar em 1969. A produção foi lançada no Festival de Berlim de 2019. 

Essa presença internacional do filme, que já circulou ao redor do planeta, pode ajudar assim como ter o Wagner Moura, um ator conhecido mundialmente após “Tropa de Elite” e, principalmente, “Narcos”, para abrir portas no mercado americano.  

Por outro lado, “Marighella” é uma produção que, por já ter feito esta trajetória de eventos, pode ter ficado para trás e que o ano dele concorrer era em 2020 e não 2021. Para complicar também, será que não haverá pressões externas para impedir o filme de representar o Brasil no Oscar?  

TRÊS VERÕES 

Depois de “Que Horas Ela Volta?”, a Regina Casé busca uma nova chance no Oscar com “Três Verões”, drama dirigido pela Sandra Kogut. 

No filme, a Regina interpreta novamente a diarista de uma família rica. Ao pedir um empréstimo para a compra de um terreno, ela acaba por se ver envolvida nos obscuros negócios dos patrões. 

Além das semelhanças com “Que Horas Ela Volta?”, “Três Verões” também não chegou a fazer uma trajetória internacional tão forte assim com repercussões modestas e poucos prêmios.  Pode correr por fora. 

BREVE MIRAGEM DE SOL 

O diretor do premiado documentário, “Cinema Novo”, o Eryk Rocha lança, neste ano, “Breve Miragem de Sol”. 

Protagonizado pelo Fabrício Boliveira, a produção traz a história de um taxista novato, recém-separado que preenche o vazio da vida com as histórias de seus passageiros. Em uma destas corridas, ele conhece um novo amor. 

“Breve Miragem de Sol” venceu três prêmios no Festival do Rio 2019: Melhor Ator, Direção de Fotografia e Montagem. Também participou do Festival de Londres. Outro filme que deve correr por fora. 

BABENCO 

Em 2020, “Honeyland” conseguiu um feito histórico: ser indicado a Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Será que o Brasil repete a história no Oscar 2021? 

A produção traz história do diretor de sucessos como “O Beijo da Mulher-Aranha”, “Pixote” e “Carandiru”. Tudo de um ponto de vista muito pessoal da atriz, diretora e esposa do cineasta, Bárbara Paz. 

“Babenco” foi eleito o Melhor Documentário do último Festival de Veneza 2020. Ajuda também o fato do diretor ser um nome conhecido da indústria; vale lembrar que ele foi indicado ao Oscar em 1986 por “O Beijo da Mulher-Aranha”. Seria, sem dúvida, uma escolha ousada e arriscada. Se não tivermos um candidato indiscutível, por que não? 

AOS NOSSOS FILHOS 

A diretora portuguesa Maria de Medeiros realiza o primeiro trabalho na direção de longas de ficção com “Aos Nossos Filhos”. 

A trama mostra um embate de gerações: de um lado, a mãe vivida pela Marieta Severo, uma mulher divorciada após três casamentos, que lutou contra a ditadura e morou em vários países do mundo. Já a filha é uma mulher mais conservadora, quieta no lugar dela e prestes a ter o primeiro filho dela com a esposa. 

É sempre muito bom ver a Marieta Severo nos cinemas, uma das nossas grandes atrizes, mas, que nos cinemas, tem sido cada vez mais raro vê-la. Quanto ao Oscar, parece ainda uma aposta improvável. 

PEDRO  

A Laís Bodansky quase foi a representante brasileira no Oscar, mas, “Como Nossos Pais” acabou preterido no lugar de “Bingo”. Quem sabe em 2021 isso não muda? 

Neste ano, ela lança “Pedro”, um retrato intimista sobre a vida do primeiro imperador do Brasil, focando no ano de 1831, quando ele retorna à Europa após abdicar do trono. Cauã Reymond é o protagonista. 

Dos filmes que fazem parte desta lista, “Pedro” é o de maior porte com orçamento de quase R$ 11 milhões. Além disso, a Laís consegue ser uma diretora com a capacidade de conseguir aliar muita qualidade artística com um tom mais popular. Mesmo que fale de um fato histórico muito importante para os brasileiros, mas, sem maior relevância, por exemplo, aos americanos, acredito que possa sim ser escolhido o nosso representante. 

A MENINA QUE MATOU OS PAIS 

Já imaginou um dos crimes de maior repercussão dos últimos anos no Brasil chegar ao Oscar? Isso pode acontecer em 2021. 

A Menina que Matou os Pais” e “O Menino que Matou os Meus Pais” trazem os pontos de vistas de Suzane Von Richthofen e de Daniel Cravinhos sobre os assassinatos dos pais dela. Feitos para serem vistos um seguido do outro, os filmes somam quase quatro horas de duração. 

Essa proposta de dois filmes com pontos de vistas opostas é bem interessante, porém, como fazer para ser vendida para a Academia? Escolher apenas um dos filmes parece ser uma traição ao próprio conceito do projeto. A ideia de fazer o lançamento no circuito nacional sem antes passar por qualquer festival de cinema ao redor do planeta, como se imaginava antes da pandemia do coronavírus, soa também mais como uma visão de priorizar o mercado interno do que uma busca por voos maiores em premiações. 

TODOS OS MORTOS 

“Todos os Mortos” participou do Festival de Berlim 2020 disputando o Urso de Ouro, prêmio máximo do evento, o que pode credenciá-lo ao Oscar. 

Dirigido pela dupla Marco Dutra e Caetano Gotardo, “Todos os Mortos” mostra uma família rica da São Paulo do fim do século XIX que luta para tentar manter seus escravos mesmo após a abolição da escravatura. 

Entre todos estes citados, “Todos os Mortos” teve a maior janela de exposição que, talvez, o cinema mundial possa ter em 2020 devido ao coronavírus. Por outro lado, a recepção do filme foi para lá de discreta: nem arrancou elogios grandiosos ou críticas negativas. Tem chances de ir para o Oscar. 

PACARRETE 

Grande vencedor do último Festival de Gramado, Pacarrete pode ser o segundo filme estrelado por Marcélia Cartaxo a representar o Brasil no Oscar. A primeira vez foi em 1986 com “A Hora da Estrela”. 

Pacarrete” é ambientado na cidade do interior do Ceará, Russas, e acompanha uma professora de dança sofrendo para conseguir apoio para montar um espetáculo que é o sonho de sua vida. 

O filme até teve uma acolhida boa em festivais na China e EUA, porém, acredito que algumas características regionalistas da obra possam dificultar a participação dele no Oscar. Vale lembrar que “Bacurau” chegou a enfrentar este mesmo tipo de resistência ao ser lançado em Cannes, por exemplo. Acredito em chances pequenas do filme. 

A FEBRE 

Para fechar a lista, um candidato que eu acredito que pode ser uma boa surpresa. 

“A Febre” mostra um indígena trabalhando há mais de 20 anos em Manaus. A filha dele consegue ser aprovada na Universidade de Brasília para medicina, porém, o dilema entre deixar o pai e ou ficar a levam a ter uma misteriosa febre. Em meio a tudo isso, estranhos assassinatos causados por animais ganham destaque na TV local. 

Falado em tukano, “A Febre” vem fazendo sucesso nos festivais mundo afora, sendo premiado em Locarno, Chicago, Mar de Plata, Recife e Brasília. Pode ajudar o filme também a questão da Amazônia estar em voga na atualidade e é raro vermos produções trazerem indígenas de protagonistas.  

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