No Dia Internacional da Mulher, a equipe do Cine Set elege as grandes personagens femininas da história do cinema. Confira:

Uma Rua Chamada Pecado Blanche DuBois

Caio Pimenta – Blanche DuBois, de Uma Rua Chamada Pecado

Há duas Blanche DuBois: a primeira traz um sobrenome afrancesado, roupas elegantes, jóias e a empáfia de uma rica misturada à corja; a segunda é uma mulher desesperada, fora da realidade pela incapacidade de encarar o fracasso e a pobreza com um passado encoberto por uma mancha misteriosa. Vivien Leigh incorpora essa mulher dividida e desorientada em um trabalho marcante pelo confronto da teatralidade dela em contraste com a vivacidade de Marlon Brando. Uma personagem rica em ambiguidades e intrigante como este clássico de Elia Kazan.

fargo frances mcdormand

Camila Henriques – Marge Gunderson, de Fargo

Uma policial grávida que soluciona, sozinha, um misterioso crime no interior dos EUA. Marge Gunderson é cheia de nuances e com tantas caras e bocas que mais parece ter saído de um desenho animado ou de um filme mudo. Mas ela é fruto da atuação maravilhosa de Frances McDormand e da intrépida mente dos irmãos Ethan e Joel Coen, que têm na protagonista (eu a considero assim) de “Fargo” um dos melhores personagens (feminino ou masculino) criados durante a carreira. Marge é engraçada, atrapalhada, inteligente, vulnerável, tem sangue frio e reina em uma profissão que – infelizmente – ainda é considerada “coisa de homem”.

precisamos falar sobre kevin tilda swinton

Diego Bauer – Eva, de Precisamos Falar Sobre Kevin

Existe algo em relação a Tilda Swinton. Claro que ela não é a mais bonita, ou a mais sexy de Hollywood, mas há alguma coisa não revelada no seu olhar que me faz ter uma verdadeira adoração por essa atriz. Portanto, antes de escolher qualquer personagem feminino, escolhi a Tilda. Dito isso, pode parecer inadequada a minha escolha para esta data (a de uma mulher que possui certa rejeição pelo filho mais velho), mas é que esse é, na minha opinião, o trabalho mais contundente da atriz, e isso quer dizer muita coisa. É exatamente por mostrar aquela mulher cheia de problemas com tanta dignidade e sutileza, que é possível que consigamos enxergar ali um ser humano, que no fundo está implorando por ajuda por não fazer a menor ideia do que fazer, de que maneira agir perante a sociedade.

alien sigourney weaver tenente ripley

Ivanildo Pereira – Tenente Ripley, série Alien

Para mim, um dos melhores exemplos de personagem feminina no cinema vem do gênero da ficção-científica: pelos quatro filmes da série Alien, a Tenente Ellen Ripley luta contra o mais terrível monstro da história do cinema e triunfa onde todos os homens morrem. O segundo filme da série, Aliens: O Resgate, é o que mais explora o subtexto feminino da série, colocando Ripley contra uma colônia de monstros dominados pela assustadora Rainha Alien. Pelo filme, Sigourney Weaver foi indicada ao Oscar, a primeira concorrente na categoria de Melhor Atriz por um filme de ficção-científica, e também abriu o caminho para todas as heroínas que a seguiram. Ela muitas vezes salva os homens, não precisa ser resgatada, exerce sua sexualidade quando quer (no terceiro filme) e se mostra determinada a tudo para proteger sua prole. Não há personagem feminina mais forte, inteligente, determinada e icônica dentro do cinema de gênero.

elisabeth vogler persona quando duas mulheres pecam

Susy Freitas – Elisabeth Vogler, de Quando Duas Mulheres Pecam

Uma mulher que passa em suas entrelinhas um conflito interno intenso que vai para além da condição feminina em si: essa é Elisabet Vogler em “Quando Duas Mulheres Pecam”. O diretor Ingmar Bergman apresentou boa parte de seu inventário da condição humana através de personagens femininas, incluindo essa, uma atriz que se recusa a falar e que vive reclusa num misto de tratamento e reclusão junto a enfermeira Alma, cuja personalidade se mostra igualmente doentia. Embora personagens femininas com transtornos mentais seja um tipo geralmente explorado no cinema, a apresentação da complexidade da mulher no filme de Bergman surpreende, coloca-a para além dos clichês ao qual o público se acostumou quando associa o sofrimento ou condição feminina à questões de relacionamento ou maternidade, e nisso o diretor surpreende e lembra ao cinema que sim, há um mundo dentro de cada pessoa, e ele não se define cem por cento por seus genitais ou orientação sexual.

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