Fim do primeiro semestre de 2015 e muita coisa rolou nos cinemas até agora. Hora, então, do Cine Set relembrar o quem bombou e decepcionou nas telonas, além dos que ficaram no meio termo.

EM ALTA

Diversidade no cinema em 2015

Diversidade no Cinema

Quando Chris Pine e Cheryl Boone Isaacs, a presidente da Academia de Hollywood, se despediram após anunciar todos os indicados ao Oscar, um movimento crescente no cinema americano por maior diversidade ganhou força.

A esnobada em “Selma” e a predominância de protagonistas homens brancos entre os indicados a Melhor Filme fez explodir a revolta pela desvalorização de negros e mulheres na indústria. Aliado ao escândalo da violência policial em Ferguson, nomes como David Oyelowo e Ava DuVernay lideraram discussões e protestos, incomodando Hollywood.

As mulheres em Hollywood também arregaçaram as mangas. O tapete vermelho das premiações nunca mais foi o mesmo, pedidos de equiparação salariais com os homens cresceram e a exigência por bons papéis femininos voltou à tona. Patricia Arquette agitou o Oscar, estrelas como Cate Blanchett e Emma Watson dando a cara a tapa pela causa…

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Novos tempos no cinema?

Charlize Theron como Imperator Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max e Divertida Mente: blockbusters da unanimidade

Hollywood emplacando os dois filmes mais ovacionados do Festival de Cannes? Sim, 2015 viu isso com George Miller colocando muita poeira, rock e um ritmo alucinante no deserto para reviver a franquia “Mad Max”, enquanto a Pixar voltou aos grandes momentos com a inteligência do roteiro de “Divertida Mente”. E o Oscar 2016 é logo ali.

Velozes e Furiosos 7, com Vin Diesel e Paul Walker

Velozes e Furiosos 7, Jurassic World e Busca Implacável 3: blockbusters do público

Vai entender: duas séries que pareciam sem ter para onde sair conseguiram ser os principais sucessos do cinema mundial no primeiro semestre. “Velozes e Furiosos 7” trouxe as insanas perseguições de carro costumeiras com a despedida de Paul Walker, enquanto “Jurassic World” contou com a saudade do público pelos dinossauros assassinos e ainda traz o astro do momento, Chris Pratt. “Busca Implacável 3”, por sua vez, somente realça Liam Neeson como o Bruce Willis dos tempos modernos.

Sniper Americano, com Bradley Cooper

Sniper Americano: blockbuster inesperado

Nem Clint Eastwood muito menos Bradley Cooper imaginavam que o primeiro fim de semana de lançamento de “Sniper Americano” renderia espantosos US$ 89,2 milhões. O drama de guerra continuou surpreendendo ao se manter na liderança por semanas e fechou com US$ 350 milhões. Maior sucesso comercial da carreira do eterno Dirty Harry. Ganhar apenas 1 Oscar em 6 indicações nem fez tanta falta assim.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), com Michael Keaton

Birdman, Táxi e Dheepan: os premiados

“Boyhood” começou a temporada de premiações em Hollywood como imbatível até o Homem-Pássaro resolver aprontar. Cheio de ironias à indústria do cinema americano, em especial, as adaptações de HQs, “Birdman” levou o Oscar 2015 sem dar chance aos concorrentes. Jafar Panahi voltou a misturar ficção com documentário em nova crítica ao regime iraniano em “Táxi”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Para a surpresa da imprensa especializada, Joel e Ethan Coen resolveram conceder a Palma de Ouro do Festival de Cannes para “Dheepan”.

Julianne Moore em Para Sempre Alice

Julianne Moore

Levando em conta a data de lançamento dos filmes no Brasil, 2015 é o ano de Julianne Moore. “Para Sempre Alice” existe para fazer a atriz brilhar em uma atuação sensível. Já em “Mapas Para as Estrelas”, ela ousa ao trazer uma personagem descontrolada e à beira de um colapso nervoso. Se tirar a bomba “O Sétimo Filho”, que perfeição!

• Leia também: A versatilidade de Julianne Moore

Psicose, de Alfred Hitchcock

Clássicos do Cinemark

Os clássicos exibidos pela rede Cinemark realmente se superaram no primeiro semestre de 2015. Duas das maiores obras-primas de Alfred Hitchcock (“Um Corpo Que Cai” e “Psicose”), os grandes filmes de Steven Spielberg (“Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” e “O Resgate do Soldado Ryan”), produções indiscutíveis (“Doze Homens e uma Sentença”, “Rastros de Ódio”, “O Exorcista”, “Casablanca”) e Stanley Kubrick (“O Iluminado”) estiveram na programação especial. Sorte cinéfila.

NO MEIO DO CAMINHO

Vingadores: Era de Ultron

Vingadores: Era de Ultron

Ok, o faturamento continua incrível (US$ 1,32 bilhão no mundo inteiro e sexta maior bilheteria da história) e os fãs seguem defensores incontestes. Porém, cá entre nós: “Vingadores: Era de Ultron” podia render muito mais. O excesso de sequências de ação deixa a história em segundo plano, fazendo o público, por vezes, não se empolgar mais com tantos combates, tiros e explosões. O frisson deixado por essa sequência não durou muito e o longa empalidece na comparação com o original.

Cena do avião em Relatos Selvagens

Cinema de Arte em Manaus

A ideia do projeto Cinema de Arte em Manaus é um grande alívio para uma programação dominada por blockbusters e sucessos da Globo Filmes. Ter a possibilidade de assistir obras como “Ida”, “Cássia”, “Um Amor em Paris” “Relatos Selvagens”, além do retorno do Festival Varilux, é um alívio depois de tanto tempo. Porém, a pouca variedade das produções lançadas pelo projeto do Cinépolis está deixando de fora importantes filmes como “Estrada 47”, “Últimas Conversas” e “Lugares Fechados”. A iniciativa é boa, mas cabe ajustes.

• Leia também: O que esperar do projeto Cinema de Arte em Manaus?

Crítica de Bolso; Entre Abelhas, com Fábio Porchat

Fábio Porchat

Se Leandro Hassum dominou o mercado do cinema comercial brasileiro em 2014, Fábio Porchat é o cara desse ano. Primeiro começou com o drama cômico “Entre Abelhas”. Para quem esperava mais um projeto fraco do ator, o filme dirigido por Ian SBF (da trupe do “Porta dos Fundos”) surpreende pela delicadeza da abordagem. Pode não ser grandes coisas, mas já é um avanço. Jogando para a galera, “Meu Passado Me Condena 2” faz Porchat apostar no seguro da eloquência e porra-louquice.

Crítica: Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson, com Joaquin Phoenix

Paul Thomas Anderson

Apontado pela imprensa especializada como um dos grandes cineastas americanos vivos, Paul Thomas Anderson viveu um momento raro em 2015. O novo filme da carreira dele, “Vício Inerente”, teve uma passagem despercebida pelos cinemas. Poucos comentários, baixo público, elogios moderados e uma recepção morna no Oscar (uma indicação apenas) mostram que a obra não pegou. Isso mesmo com um elenco de nomes como Joaquin Phoenix, Benicio Del Toro, Owen Wilson, Reese Witherspoon, Josh Brolin e a novata Katherine Waterston. PT. Anderson, pelo menos, tem crédito para tropeçar.

Cinquenta Tons de Cinza, com Jamie Dornan e Dakota Johnson

Cinquenta Tons de Cinza

O sucesso comercial era esperado: best-seller adorado por milhões mundo afora seria uma mina de ouro para a Universal Pictures. A arrecadação de US$ 166 milhões somente nos EUA mostra o acerto. Com o material paupérrimo escrito por E.L James, a diretora Sam-Taylor Johnson consegue fazer o possível para entregar um filme aceitável, contando com o auxílio da carismática Dakota Johnson e a beleza de Jamie Dorman. Porém, James resolveu assumir as rédeas do negócio e Sam-Taylor abandonou o comando do segundo filme. Agora, seja o que Deus quiser.

EM BAIXA

Tomorrowland e Chappie - as decepções

Tomorrowland e Chappie – as decepções

Justo duas produções que apostavam em tramas originais no meio de tantas continuações tiveram desempenhos desastrosos. Nem mesmo o talentoso Brad Bird e o carismático George Clooney conseguiram fazer de “Tomorrowland” um sucesso, enquanto Neill Blomkamp assusta nerds do mundo inteiro com discussões intermináveis para saber se “Distrito 9” foi apenas um lapso.

Mortdecai, com Johnny Depp

Mortdecai – o momento vergonha alheia

O fundo do poço.
O declínio total.
Por quê, céus?

Se você viu “Mortdecai”, sabe o quanto Johnny Depp está vergonhoso. Nunca antes na história da carreira do ator foi possível vê-lo tão desastroso em um personagem como agora. Sim, é pior que “O Turista”.

Próximo!

Golpe Duplo, Insurgente, Corações de Ferro, Caminhos da Floresta e O Destino de Júpiter - alguém viu?

Golpe Duplo, Insurgente, Corações de Ferro, Caminhos da Floresta e O Destino de Júpiter – alguém viu?

Will Smith achou que voltaria aos melhores momentos da carreira com “Golpe Duplo”. Ficou na vontade.

Cosplay de “Jogos Vorazes”, “Insurgente” segue sem empolgar ninguém.

Alguém mais aguenta filmes de heroicos soldados americanos na Segunda Guerra Mundial? “Corações de Ferro” foi mais um da turma.

“Caminhos da Floresta” era para ser um concorrente forte no Oscar. Ficou no querer.

Para quem já fez “Matrix”, “O Destino de Júpiter” é uma decadência sem fim.

E você não lembrará de nenhum deles mais.

Angelina Jolie

Angelina Jolie

Não duvido que Angelina Jolie, ao ter finalizado “Invencível”, tenha dito: chegou a hora de vencer o Oscar!

O drama sobre o atleta olímpico feito prisioneiro de guerra pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial foi feito na medida para a festa da Academia de Hollywood. Porém, a esposa de Brad Pitt exagerou na dose, transformou a história de Louis Zamperini em algo sobre-humano com a intenção de fazê-lo como um deus na Terra e saiu sem indicações no Oscar.

Uma frustração enorme para as expectativas da atriz/diretora.

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