Para alguns, “Três anúncios para um crime” é um filme sobre uma mãe revoltada em busca de justiça, mas outros não conseguem aceitar o policial racista da trama, que consideram ter sido injustamente redimido.

“Me chame pelo seu nome”, um romance gay de cortar o coração, está sendo muito elogiado, mas algumas pessoas não conseguem entender por que seus produtores escalaram dois atores heterossexuais para os papéis principais do filme.

Em 2015 (com a campanha #OscarSoWhite) e em 2016 (com a campanha # OscarSoWhite), a cerimônia foi criticada por subrepresentar mulheres e negros. Em 2017, já houve seis atores negros concorrendo.

Já neste ano, os indicados estão enfrentando reações negativas e escândalos que vão de acusações de plágio (no caso de “A forma da água”) e assédio sexual a críticas das comunidades gay e afro-americana.

A temporada de premiações de três meses de Hollywood, que culmina na cerimônia do Oscar neste domingo (4), junto com a influência das redes sociais, vem alimentando tais críticas.

Na semana passada, a fantasia “A forma da água”, que lidera a disputa com 13 indicações, foi alvo de um processo de violação de direitos autorais que alega que sua trama sobre uma faxineira muda que se apaixona por uma criatura aquática misteriosa foi baseada, sem dar crédito, em uma peça de teatro de 1969 do falecido dramaturgo norte-americano Paul Zindel.

 O estúdio Fox Searchlight disse que as alegações são “infundadas (e) totalmente sem mérito”.

“The Post – A guerra secreta”, da 20th Century Fox, tem sido criticado por passar a ideia equivocada de que o jornal “The Washington Post” deu o furo sobre um estudo da Guerra do Vietnã, conhecido como Papéis do Pentágono, e não o “New York Times”.

Entretanto, as maiores críticas foram contra “Três anúncios para um crime”, favorito da Fox Searchligh para a categoria de melhor filme.

Críticos acreditam que a maneira como a comédia dramática retrata um policial racista, interpretado por Sam Rockwell, é uma afronta ao preconceito enraizado e ainda existente nos Estados Unidos, e qualificaram a produção como “​alienada”.

O diretor britânico Martin McDonagh, que também escreveu o roteiro, defendeu o filme.

“Não acho que seu personagem [de Rockwell] seja redimido de forma nenhuma. Ele começa como um babaca racista e é basicamente o mesmo no final, mas no fim percebe que precisa mudar”, disse à revista “Entertainment Weekly”, em entrevista.

da Agência Reuters

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