A luta pela manutenção do curso técnico de audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e uma solução para o edital da Secretaria de Estado de Cultura (SEC/AM) com a Agência Nacional de Cinema (Ancine). Estes serão os pontos prioritários definidos pela classe junto com o atual secretário da pasta, Denilson Novo, após reunião de quase três horas de duração no fim da tarde de terça-feira (14) no Palacete Provincial, localizado na Praça da Polícia, no Centro de Manaus.

Denilson Novo abriu o encontro destacando os pilares do que será o trabalho dele à frente da SEC até o fim de 2018: parceria (trabalho permanente junto com a classe artística do Amazonas), simplicidade (diminuir a burocracia), aproximação (diálogo maior com a população para o desenvolvimento cultural sempre visando a responsabilidade com o recurso público), transparência (constante prestação de contas à sociedade para que se saiba o que a SEC está fazendo) e ocupação dos espaços públicos.

Durante a reunião, o titular da SEC explicou que o encontro com as classes visa identificar as demandas prioritárias de cada segmento artístico do Estado para que seja possível encontrar soluções. Denilson, entretanto, salientou sempre a situação financeira dos cofres públicos do Amazonas, declarando que a gestão pública atual vive um período de ‘pós-xepa’.

Como medidas práticas, Denilson anunciou que pretende elaborar ainda neste ano o Conselho, Plano e Fundo de Cultura do Estado. O secretário afirmou que a ideia é fazer a eleição dos conselheiros até o fim do ano. Outra ação será o início do projeto de mapeamento cultural, disponibilizando publicamente informações sobre profissionais do setor, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Os interessados devem mandar todas as informações sobre seus trabalhos para o email: cadastro@cultura.am.gov.br.


PROPOSTAS DO AUDIOVISUAL

Dentro deste contexto, os artistas do audiovisual começaram a falar sobre as principais reivindicações da classe: a volta do Amazonas Film Festival, cineclubismo no Estado, investimento estrangeiro feito no Estado dentro do setor do audiovisual, oficinas no Cláudio Santoro e parcerias com a Secretaria de Educação do Estado estiveram na pauta. No fim das contas, três pontos foram destacados como os fundamentais neste momento: a situação do curso de audiovisual da UEA, o edital SEC/Ancine e o escoamento da produção audiovisual local.

Presentes na reunião, estudantes do curso de audiovisual da UEA colocaram os problemas relacionados ao sucateamento dos equipamentos, falta de pagamentos a professores e o risco de não conseguirem se formar. Denilson Novo declarou que pretende estreitar os laços com a gestão da universidade e juntar forças com a classe artística para impedir o fechamento do curso.

Quanto ao edital de fomento de R$ 3 milhões feito pela SEC em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), Denilson Novo afirmou que, neste momento, não poderia se comprometer em dar o R$ 1 milhão que deve ser feito pela secretaria dentro do acordo devido a atual situação financeira da pasta. A proposta em comum acordo junto com os artistas é que uma resposta definitiva será dada no dia 2 de dezembro durante a realização da terceira Mostra do Cinema Amazonense. Nesta data, será definido ou pelo cancelamento do edital ou se ainda se espera o desenrolar do mesmo.

Por fim, Denilson incumbiu a Amazonas Film Comission de começar a formar um grande acervo das produções audiovisuais amazonenses. O intuito é escoar estas produções para que cheguem no interior do Estado e também possam estar disponíveis no Museu de Imagem e Som do Estado, localizado no Palacete Provincial. O secretário ainda defendeu que os artistas do audiovisual ocupem os espaços artísticos como o Cine Silvino Santos no Centro Cultural Povos da Amazônia – a classe teve, segundo a SEC, apenas dois projetos propostos no Programa ‘Espaço Aberto’.


AVALIAÇÃO DO ENCONTRO

No término do encontro, Denilson Novo falou ao Cine Set sobre o que achou da reunião com a classe do audiovisual. “Acredito que é um momento proveitoso para estabelecer um diálogo franco, aberto de proximidade com a categoria. A classe apresentou as demandas, estabeleceu as prioridades, enquanto, nós da SEC colocamos os nossos propósitos para que viemos e os desafios que temos pela frente e como pretendemos superá-los. O primeiro passo está dado e estabelecido. Queremos uma relação de parceria com a classe e ambos temos muito a ganhar”, declarou.

A atual representante do audiovisual no Conselho Municipal de Cultura, Liliane Maia, também classificou como positivo o encontro. “Para um primeiro momento, é chamar para mostrar para o que veio e pedir paciência. Acho que é um momento para o Denilson mostrar que quer dialogar, mas, também de conhecer a própria máquina”, disse, acrescentando ainda o desafio da atual gestão pelo curto tempo que terá à frente da SEC.

“Foi bom encontro porque abriu para o diálogo, trouxemos a proposta para tentarmos caminhar juntos”, declarou o produtor e fundador da empresa Leões do Norte, Clemilson Farias.

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