A Suécia tem programado até o fim do ano uma série de homenagens a Ingmar Bergman, com exibição de filmes, exposições e publicações sobre um dos grandes ícones do cinema, que completaria 100 anos neste sábado.

A Fundação Ingmar Bergman e o Instituto de Cinema Sueco exibirão filmes em todo o país e o canal público “SVT” – que no mês passado apresentou uma seleção de obras do diretor sueco – terá uma programação especial feita da casa, na Ilha de Farö, onde ele morou durante o exílio e passou os últimos anos de vida.

O Museu de Artes Cênicas, na capital sueca, terá entrada franca para “Ingmar Bergman – verdade e mentira “, a mostra inaugurada no mês passado e que repassa 60 anos da carreira do artista.

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O Museu da Cidade de Estocolmo, por sua vez, organizou um passeio guiado pelos lugares que marcaram a vida de um dos maiores criadores do cinema de todos os tempos.

As comemorações para Bergman – que morreu em 30 de julho de 2007, aos 89 anos – promovidas pela fundação que leva o seu nome, na verdade, começaram no ano passado e tem o ponto alto agora, para terminar em dezembro.

O “Ano Bergman” compreende desde novas biografias, análises de obras e publicação de textos até exposições e adaptações de algumas das suas produções, além da estreia de peças inspiradas no cineasta e em sua trajetória.

O Teatro Dramático Real, que Bergman dirigiu por vários anos, estreará em outubro uma adaptação de “De oroliga”, a autobiografia de Linn Ullmann – filha do cineasta e da atriz Liv Ullmann (atualmente com 79 anos) -, dirigida por Pernilla August, que foi uma das atrizes preferidas do diretor.

No final do ano, o Teatro Municipal de Gotemburgo levará aos palcos uma adaptação do filme “Fanny e Alexander”, com Eva Bergman, outra das suas filhas; enquanto “Cenas de um Casamento” terá uma versão em inglês para a TV dirigida pelo diretor israelense Hagai Levi.

O teatro foi a grande paixão de Bergman. Ele ainda estava na universidade, quando começou a dirigir uma companhia. Era o prelúdio de uma carreira brilhante que incluiu a direção de mais de 100 peças, de vários teatros municipais e do prestigiado Dramaten.

Diferentemente do cinema, foi “muito difícil” Bergman deixar o teatro. Ele dizia sentir falta todos os dias e revelou isso em um documentárioz da “SVT” rodado no exílio de Farö e lançado três anos antes da sua morte.

Apesar do amor pelos palcos, foi o cinema que deu a ele fama internacional. Filho de um pastor protestante e criado em um ambiente religioso e autoritário, Bergman refletiu isso em seus filmes: Deus, solidão, relações de casal, obsessão pela morte e outros problemas existenciais.

Aos 26 anos, estreou como roteirista, com “Tortura do Desejo”, dirigido por Alf Sjöberg. A estreia como diretor aconteceu em 1946, com “Crise”, que foi seguido de dezenas de títulos que foram marcando o seu nome até o sucesso internacional “Morangos Silvestres” (1957), pelo qual recebeu o prêmio de melhor direção do Festival de Cannes, e “O Sétimo Selo” (1957).

Filmes como “A Fonte da Donzela” (1960), “Através de um Espelho” (1961), “Sonata de Outono” (1978) e “Fanny e Alexander” (1982) consolidaram seu nome internacionalmente e ele recebeu vários prêmios no exterior, incluindo o Oscar quatro vezes.

Bergman deu então um passo atrás e passou a dirigir filmes para a televisão, além de escrever roteiros que foram levados às telonas pelo filho Daniel Bergman, o dinamarquês Bille August e pela própria Liv Ullmann.

da Agência EFE

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