Mesmo tendo apenas 37 anos, e 5 longas na carreira, Jason Reitman já é um nome que envolve expectativas, sinônimo de criatividade e boas ideias. Filho do consagrado Ivan Reitman, diretor de Os Caça-Fantasmas (1984), Jason notabilizou-se pela maturidade das suas comédias, que divertiam, mas que acima de tudo eram cinema de ótima qualidade.

Seus filmes iniciais demonstravam claramente que o diretor queria estudar os anti-heróis, aquelas figuras cheias de problemas morais, mas que de alguma maneira nos faziam torcer por elas. No caso de Reitman, o maior defeito de seus personagens é a imaturidade com que lidam com as situações do cotidiano, figuras com um estranho ar de superioridade em relação aos demais, que por pensarem demais, acabam ficando pra trás em relação aos outros.

Pela precariedade da programação das redes de cinema de Manaus, ainda não pude conferir o seu mais novo longa, Homens, Mulheres e Filhos. É interessante notar que este é o trabalho que vem recebendo as críticas mais duras da jovem carreira do diretor, mais até do que o competente Refém da Paixão (2014), que foi recebido de maneira fria. Fico curioso pra saber como Reitman irá lidar com algo novo em sua carreira, que são as críticas duras, visto que os seus três primeiros filmes foram recebidos de maneira entusiasmada, tendo o cineasta sido indicado duas vezes ao Oscar de Melhor Diretor, por Juno (2008) e Amor Sem Escalas (2010).

A partir de Refém da Paixão Reitman sugeriu que irá buscar outro estilo, dramas mais densos, flertando com o suspense, em tramas melancólicas, bem distantes da comédia de humor negro que o tornou conhecido. Acredito que vale a pena ficar de olho no diretor, que até agora ainda não errou, pelo menos na minha opinião, não à toa foi tão difícil escolher o seu filme “menos melhor”.

youngadult 3. Jovens Adultos (2012)

Se a consagração de Diablo Cody veio com Juno, a maturidade (se é que podemos definir dessa maneira) veio com Jovens Adultos, um filme mais desafiador e melhor resolvido. A escrita da roteirista cai como uma luva no estilo de Reitman, que conversa muito bem com a imaturidade da protagonista, estabelecendo uma personagem perdida em seu egocentrismo, que ao querer mostrar sua superioridade física e intelectual, só chafurda ainda mais na sua incapacidade de se relacionar com o outro. Apesar disso, é com muita tranquilidade que digo que o filme é de Charlize Theron, que mostrou mais uma vez a grande atriz que é, sendo a verdadeira alma do trabalho, compondo com enorme autoridade a figura desta personagem complexa dentro da sua unilateralidade.

up-in-the-air-original 2 . Amor Sem Escalas (2010)

Certamente o trabalho mais respeitado do diretor, Amor Sem Escalas estabeleceu a entrada de Reitman no gênero das comédias dramáticas, um estilo mais apreciado pelas premiações. E o cineasta pareceu não se intimidar com o novo desafio, e passou por uma tranquila transição, dando novos elementos ao seu já conhecido estilo, mas ao mesmo tempo mantendo as pitadas do seu humor cortante. Sedimentando de vez a sua ótima capacidade na direção de atores, Clooney, Farmiga e Kendrick têm uma química extremamente agradável de ver em cena, o que eleva o trabalho para um nível diferenciado, muito além do tradicional feel good movie norte-americano. Trabalho de gente grande.

2829-2006-07-18-23-52-13_4 1. Obrigado Por Fumar (2006)

Tem alguma coisa mágica na arte de fazer filmes. Às vezes ainda não se está pronto, ainda é preciso adquirir mais experiência, conhecer mais de linguagem, etc.. Ao mesmo tempo, o primeiro filme de um cineasta pode ser a chance única de vermos aquele artista antes de ele ser “engolido” pelo sistema, tendo adquirido mais técnica, e perdido o frescor. Reitman se tornou mais sofisticado com o passar dos filmes, adquiriu mais elementos de direção, tem mais conhecimento de roteiro e montagem, mas nada disso se compara a explosão de criatividade que é Obrigado Por Fumar. Criando um filme delicioso sobre… falta de caráter(?), Reitman se mostrou como uma das grandes promessas do cinema independente norte-americano, calcado na atuação fantástica de Aaron Eckhart a melhor de sua carreira.

 O Pior

juno-movie-stills-ellen-page-michael-cera-62Juno (2008)

Eu sei, eu sei… Também não é fácil pra mim colocar Juno como o pior filme do diretor. Não vamos colocar como pior, digamos que apenas ele não é tão bom quanto os demais. E quanto a isso, acredito, não há o que discutir. Refém Da Paixão, além de não ser ruim, representa um passo de coragem do cineasta, não seria justo coloca-lo como o pior. Então, restou Juno, que representa um ponto da carreira de Reitman em que pode-se dizer que ele já fez coisas melhores, no mesmo estilo. Além disso, toda a afetação de Diablo Cody funciona na maior parte da história, mas quando erra, cria momentos que beiram o constrangimento, em que nem a direção conseguem salvar. Filme agradável, mas nada muito além disso.