Os episódios 3 e 4 representam duas experiências diferentes. O terceiro é a viagem do agente Cooper por dimensões de tempo e espaço dentro da Lynchlândia, e os reflexos da sua viagem sobre seu duplo, o Senhor C. Tudo é bizarro, mas estranhamente dá para acompanhar. E também é curioso como David Lynch brinca de novo com imagens e cenários tipicamente americanos: a grande autoestrada, o cassino cheio de luzes…

Pensando sobre o chihuahua mexicano:

  • Reconhecem a atriz dentro da segunda sala de estar? Era Phoebe Augustine, que fez Ronette Pulaski na Twin Peaks original. Ligação com o caso Laura Palmer?
  • Risadas garantidas quando Cooper diz “This is wierd…” (Isto é esquisito). E também com os HELLOOOOOs…
  • Aliás, há TRÊS Coopers! Como surgiu o Dougie? Teorias?
  • Gordon Cole e Albert Rosenfield de volta! No escritório deles, uma foto do Kafka e outra de uma explosão nuclear…
  • Quero um aviso para portas “Donut disturb” o mais rápido possível.
  • Um oceano roxo, alguém que desaparece dentro de uma tomada (menos os sapatos), uma mulher sem olhos que guia o herói, e muito vômito de creme de milho, o alimento das criaturas do Black Lodge. E o anel reapareceu! A força imagética de Lynch voltou com força total, grande parte do episódio é sem diálogos.

Já o episódio 4 é mais linear. Descobrimos um pouco sobre o Dougie, encontramos velhos conhecidos em Twin Peaks – o que traz um pouco do sabor nostálgico meio ausente nos episódios anteriores – e Gordon e Albert reveem Cooper depois de anos. Mas o Cooper errado.

Pensando sobre o chihuahua mexicano:

  • Denise foi promovida! E Bobby virou policial! O momento no qual ele chora ao ver o retrato de Laura é engraçado e triste ao mesmo tempo, como na velha Twin Peaks.
  • O personagem Wally Brando é esquisito, mas não de um bom modo. Sua cena é muito longa e tediosa. E Andy e Lucy ficaram gagás com a idade… Em compensação, Robert Forster se encaixa dentro do mundo de Twin Peaks como uma luva – o intérprete original do xerife Truman, Michael Ontkean, se aposentou, por isso Lynch e Mark Frost trouxeram Forster para fazer o irmão dele.
  • Pobre Cooper. Passou 25 anos na Lynchlândia e saiu de lá igual ao Henry de Eraserhaead (1977).
  • Philip Jeffries é bastante mencionado aqui. Será que David Bowie ainda pode aparecer na série? Oficialmente, disseram que não, mas no universo Lynch tudo é possível.
  • Estranhas pitadas de sexismo neste e no episódio anterior: no terceiro, uma moça aparece nua por um bom tempo; neste, Gordon e Albert admiram o andar insinuante da nova agente do FBI. Por outro lado, “conserte seu coração ou morra”, bem como o contexto em que a fala é dita, apresentam uma noção de humanismo importante.

No geral, ainda estamos distantes do espírito da velha Twin Peaks, o que pode desagradar alguns espectadores – não a mim. Mas, pouco a pouco, esse espírito se insinua de volta.

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