Para fechar o especial ‘A Volta de “Arquivo X”’ para o Cine Set, eu e o colega Ivanildo Pereira como fãs da série, resolvemos fazer uma parceria para elencarmos os dez piores episódios do seriado em nossas humildes opiniões referente as nove temporadas. Neles, não encontramos monstros assustadores ou conspirações miraculosas, apenas a falta de criatividade da equipe técnica de roteiristas é que realmente nos aterrorizou.

Para evitar repetições na lista, dividimos os trabalhos: fiquei responsável em fazer a lista dos piores relacionados ao período de Vancouver, no caso da primeira a quinta temporada e Ivanildo pelo período do “glamour” colorido de Los Angeles, da sexta a nona temporada. Explicaremos nesta lista, os motivos pelos quais estes episódios são esquecíveis. Com certeza se os roteiros passassem antes pelas mãos do nosso amigo Canceroso, todos seriam eliminados antes de verem a luz do dia. Pois bem senhores, a nossa lista dos piores episódios para curar a insônia de qualquer um.


1) O Demônio de Jersey
1ª Temporada

Depois de quatro episódios iniciais ótimos, este quinto episódio da primeira temporada é abaixo da média e por isso inaugura nossa lista. Escrito por Chris Carter, o criador da série (sim, até os pais erram) é uma forma de explorar a lenda do Pé Grande nas florestas de New Jersey. Alguma coisa está devorando os moradores de rua em Jersey. Mulder acredita que o caso tem a ver com um dos seus antigos “Arquivos X”. A única coisa que o roteiro de Carter consegue fazer ligação ao elo perdido, refere-se ao tempo que perdemos em acompanhar uma trama onde nada acontece. É muita enrolação para pouca história e isso fica evidente quando o episódio tenta dividir a narrativa em duas: uma que mostra Scully na sua vida pessoal e a outra centrada em Mulder que está investigando o caso. Uma sugestão: É melhor ver ao clássico da Sessão da Tarde, Harry – Um Hóspede do Barulho, um Pé Grande que é mais divertido que o nosso personagem deste episódio.


2) A Trindade
2ª Temporada

O plot principal é sobre um grupo pessoas que se acham vampiros e que matam para continuarem imortais. Mulder investiga o caso e acaba se envolvendo com uma das mulheres deste grupo. A ideia de um Arquivo X com Vampiros funcionava muito bem na teoria, mas na prática o resultado ficou bem indigesto. É um episódio problemático que vem logo em seguida de dois episódios tensos da mitologia (Duanne Barry e Ascensão) que envolvem o desaparecimento de Scully. Evidencia que ele serviu mais para preencher linguiça e lacunas do que agregar mistério ao seriado. Nota-se que a dupla Glenn Morgan e James Wong depositou toda sua criatividade no episódio seguinte, o ótimo Por um Fio, sobrando para A Trindade a falta de imaginação. É o único que Gillian Anderson não aparece na temporada.


3) A Maldição da Múmia
3ª Temporada

Os restos de uma suposta feiticeira são encontrados por exploradores no Equador. Ao recolher o corpo dela como um artefato histórico, cada integrante acaba por desaparecer. Mulder e Scully são chamados para investigarem o caso. O episódio escrito por John Shiban é bem estranho, com uma história confusa e um roteiro sem nexo. As pitadas de humor negro utilizada pelo texto acabam deixando a situação ainda mais trash. Falta tensão e suspense para uma sinopse que fala sobre maldição. Inclusive a cena envolvendo o ataque dos gatos gera mais risadas involuntárias do que sustos. No geral, um episódio que faz jus a sua sinopse: parece ter sido amaldiçoado pela falta de criatividade e inspiração.


4) O Mundo Gira
4ª Temporada

Quem não se lembra do famoso caso do Chupacabra? Ele que teve grande repercussão na década de 90 inclusive em programas sensacionalistas nacionais, serviu também de base para os roteiristas do seriado. Scully e Mulder investigam a morte de uma moça imigrante envolvida em um triângulo amoroso entre irmãos. Os moradores locais acreditam que ela tenha sido vitimada por uma criatura conhecida da lenda mexicana chamada Chupacabra. Mais uma vez, John Shiban brinda o público com uma história bizarra que jamais consegue explorar com qualidade o folclore em torno da criatura. Há até boas ideias em discutir a questão da imigração mexicana nos EUA, mas o roteiro perde tempo em focar no triângulo amoroso meia boca, digno de novela mexicana. O nível é tão fraco que até é recomendável você procurar no youtube os programas do Gugu que na época abordou o fenômeno de forma mais divertida a existência da incrível criatura .


5) Visão Interior
5ª Temporada

Mulder e Scully ajudam um detetive encarregado de um caso inusitado de uma moça cega (Lily Taylor) que supostamente assassinou um traficante de drogas. O policial suspeita que ela tenha um tipo de visão especial. Este episódio talvez seja a melhor definição de como fazer Arquivo X uma mistura nada atraente com os filmes de suspense que passavam no Supercine. Escrito pelo novato Tim Miner, serve como um bom remédio para curar insônia, até pela forma didática e sonolenta de como o roteiro constrói o suspense. A ideia por si só não apenas já foi vista de forma mais interessante em outros episódios nas temporadas passadas, como alguns filmes B já trabalharam a temática com uma desenvoltura maior.


6) O Perigo Vem da Água

 6ª Temporada

Podia ser um episódio épico: Mulder e Scully presos na Flórida por causa de um furacão enquanto investigam uma forma de vida aquática que está causando umas mortes. E de fato, tanta água e a inundação dos cenários devem ter dado muito trabalho para a produção, e no início ainda temos uma pequena participação de Darren McGavin, o astro do seriado pai do Arquivo X, o cultuado Kolchak e os Demônios da Noite. Mas este Monstro da Semana vira uma confusão visual dentro daqueles cenários molhados e a trama é pouco inspirada e cheia de caricaturas. E o monstro, que não passa de uns tentáculos, é um dos menos ameaçadores da série.


7) Hollywood D. C.

7ª Temporada

Uma coisa interessante a se notar sobre Arquivo X é que os três grandes nomes do seriado, o criador Chris Carter e os atores David Duchovny e Gillian Anderson, são pessoas com… Digamos, um lado excêntrico. Duchovny, em particular, muitas vezes pareceu um ator cômico preso num personagem dramático. Este episódio foi escrito e dirigido por ele e, como foi um dos últimos da temporada 7, ele já estava de saída do seriado e sabia disso. Por isso, deve ter sentido uma vontade de avacalhar com tudo, com uma trama nonsense com zumbis e uma relíquia que ressuscita os mortos. E de quebra, até a sua esposa na época, a atriz Téa Leoni, aparece no episódio, fazendo uma versão ficcional da agente Scully. Sim, na trama deste episódio um caso dos agentes acaba virando um filme, e as cenas deste filme parecem uma tirada de sarro meio ácida demais para com o seriado que fez a fama do ator/diretor. E no final, zumbis dançam por alguma razão. Algumas poucas boas cenas metalinguísticas não redimem esse fraco momento da série.


8) Clube da Luta

7ª Temporada

Este é o pior episódio da série, em minha opinião (Ivanildo).  Escrito pelo próprio Chris Carter, é um episódio “vergonha alheia” cuja trama nem faz sentido, usando a comediante Kathy Griffin (sem graça) e a ideia de que todo mundo tem um dublê em algum lugar. E por algum motivo que só Carter sabe, até Mulder e Scully têm os seus e quando esses duplos se encontram, atos de violência acontecem. Comédia sem graça já é ruim de aguentar, e esta aqui não arranca nem um sorriso amarelo. E de quebra, Carter cria uma cena na qual Mulder cai num bueiro e vai parar no esgoto – será que o clima andava mal, na época, entre produtor e astro? Vendo este episódio, parece que a resposta é sim.



9) O Vingador

8ª Temporada

Este é um monstro da semana sem pé nem cabeça: um mendigo indiano que usa um carrinho para se locomover viaja até os Estados Unidos dentro do corpo de um homem – não me perguntem como ele entrou, até mesmo porque o roteiro não explica. E por outra razão inexplicável, o vilão começa a perseguir alguns garotos. A única coisa que este episódio tem a seu favor – e talvez este seja o único motivo pelo qual foi produzido – é a presença do ator anão Deep Roy no papel do vilão – mais tarde ele fez os Oompa Loompas em A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) de Tim Burton, entre outros trabalhos. Sua aparência é estranha e tem impacto, mas só ela não consegue segurar nosso interesse por 45 minutos.


10) Improvável

9ª Temporada

Mais um exemplo de excentricidade dos principais nomes da série criando uma história completamente sem noção que resulta em longuíssimos 45 minutos. Aqui o culpado é ninguém menos que o próprio Chris Carter, que um belo dia conseguiu o telefone de Burt Reynolds e o convenceu a interpretar Deus no seu roteiro maluco – ou, pelo menos, eu acho que é isso, pois mesmo depois de algumas assistidas ainda não entendo muito bem a trama deste episódio. Ah, e tem umas referências à numerologia e umas canções estranhas para testar a paciência do telespectador. Definitivamente a série teve alguns episódios bizarros em decorrência da sua própria premissa, e enquanto a maioria acertava o alvo – e isso é um grande feito – às vezes eles erravam o alvo. E, em alguns episódios, erravam FEIO.