Dar visibilidade à produção feminina. Este é o objetivo do 1º “As amazonas do cinema”, novidade este ano no 6º Amazônia Doc, e que será aberto nesta segunda-feira (14), às 19h (horário de Brasília), com um Web-Encontro que reunirá as cineastas Tata Amaral (SP), Sabrina Fidalgo (RJ), Julia Katharine (SP), Flávia Abtibol (AM) e Zienhe Castro (PA), com mediação da crítica de cinema, roteirista e jornalista Lorenna Montenegro (PA), para debaterem as “Perspectivas das Mulheres sobre o Audiovisual Brasileiro”. A programação será transmitida pelo canal de YouTube do Amazônia Doc, com retransmissão para o Facebook Equatorial Energia.

As convidadas trazem características próprias em suas trajetórias e prometem levantar um debate plural acerca da atuação feminina no audiovisual brasileiro. Tata Amaral tem uma longa trajetória no cinema nacional. Dirige filmes e séries sobre dramas sociais e políticos. Iniciou sua carreira nos anos 1980, realizando curtas-metragens, quando em 1997, lança seu primeiro longa: Um Céu de Estrelas, filme que conta a história de uma jovem cabeleireira impedida pelo ex-noivo desempregado de viajar para receber um prêmio.

Também participa do encontro, realizadora carioca Sabrina Fidalgo, cujos filmes já foram exibidos em mais de 300 festivais nacionais e internacionais em lugares como Los Angeles e Nova York (EUA), Tegucigalpa (Honduras), Cidade do México (México), Buenos Aires e Córdoba (Argentina), Tóquio (Japão), Praia (Cabo Verde), Acra (Gana), Maputo e Cabo Delgado (Moçambique), Berlim e Munique (Alemanha), entre outros. Já recebeu inúmeros prêmios. Em março de 2018 foi eleita em oitavo lugar pela publicação norte-americana “Bustle” como uma das 36 diretoras de todo o mundo que estão mudando paradigmas em seus respectivos países. Estudou na Escola de TV e Cinema de Munique, na Alemanha, e estudou roteiro pela ABC Guionístas na Universidad de Córdoba, na Espanha.

A atriz, roteirista e diretora Julia Katharine traz ao debate um recorte social bastante contemporâneo. Ela é a primeira mulher trans a lançar um filme no circuito comercial de cinema no Brasil, o “Tea for Two”, curta metragem que conta a história de Silvia, uma cineasta que passa por um momento de crise e é surpreendida pela ex-esposa, Isabel. O reaparecimento do antigo amor entra em conflito com a recente presença de Isabela na vida de Silvia. A relação entre as três mulheres é representada no curta de 25 minutos, roteirizado e dirigido por ela, que também atua no papel da personagem trans, Isabela. O sucesso do filme e o reconhecimento pelo trabalho de Katharine, acabou abrindo portas para o fortalecimento da presença das pessoas trans no cinema brasileiro. Atriz, produtora e diretora, seu interesse pelo cinema surgiu ainda na infância, mas o descrédito das pessoas a sua volta pela sua condição de mulher trans sempre estiveram presentes quando o assunto era a profissão de cineasta.

O audiovisual e a ciência refletem um pouco da experiência de Flávia Abtibol, jornalista de formação, Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com especialidade em Divulgação e Jornalismo Científico na Amazônia pela Fiocruz (ILMD-Amazônia). Fundadora da Tamba-Tajá Criações e professora de Realização Audiovisual do Curso de Tecnologia em Audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ela vem desde 2004 atuando no audiovisual nas áreas de Pesquisa, Produção, Roteiro e Direção de obras independentes para cinema e televisão.

Zienhe Castro, produtora executiva da ZFilmes e Vice-Presidente do Instituto Culta – Instituto de Cultura da Amazônia, é fundadora, diretora, curadora e coordenadora geral do AMAZÔNIA DOC – Festival Pan-Amazônico de Cinema, que recebe filmes dos 09 países pan-amazônicos e que, em meio a pandemia, transformou sua 6ª edição, em formato inusitado, 3 em 1. Natural de Belém, a cineasta e produtora cultural, atua no mercado da produção cultural há quase 30 anos e há cerca de 20 no audiovisual. Na universidade estudou Letras e Artes e Comunicação Social, mas acabou se graduando em Tecnologia do Cinema na Universidade Estácio de Sá-RJ, em 2003. E depois que cursou roteiro e direção para documentários na Escuela de Cine e TV de San Antonio de Los Baños/Cuba, em 2009, redefiniu sua trajetória.

A mediação é de Lorenna Montenegro, crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo, com mais de 15 anos de atuação na área. Faz parte do Coletivo Elvira de Mulheres Críticas de Cinema, que possui integrantes de todo o país. É membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), desde 2012. Cursou Produção Audiovisual na PUCRS e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema/vídeo, e vem participando como júri e palestrante em diversos festivais e de mostras de cinema no país. Lorenna também é coordenadora do 1º Festival As Amazonas do Cinema.

A realização do 6º Amazônia Doc 3 em 1 é do Instituto Culta da Amazônia, com a Correalização do Instituto Márcio Tuma; patrocínio da Equatorial Energia, por meio da Lei Semear de Incentivo à Cultura – Fundação Cultural do Pará – Governo do Pará. Produção da ZFilmes; Apoio: Sebrae, Rede Cultura de Comunicação; Ufpa – Curso de Cinema e Estrela do Norte – Elo Company. O 6º Amazônia Doc – 3 em 1 vai até o dia 23 de setembro com mostras competitivas do Amazônia Doc, 1o Festival As Amazonas do CInema e 1o Curta Escola. As mostras competitivas podem ser acessadas pela plataforma AmazôniaFlix (www.amazoniaflix.com.br). As atividades demais atividades, pelo canal de Youtube do festival: www.youtube.com/user/amazoniadoc.

com informações de assessoria

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