Refletir sobre a função política do cinema documental. Com este intuito, 20 jovens interessados em produção audiovisual participaram do curso de ‘Documentário e Ativismo’, ministrado por Aldemar Matias, diretor amazonense de premiados curtas como  Parente“, “Años de Luz“, “El Enemigo” e “When I Get Home, além do longa selecionado para a Mostra Panorama do Festival de Berlim 2019, “La Arrancada”. Promovido pela Formiga de Fogo Filmes em parceria com a empresa de Consultoria Audiovisual Leão do Norte e a Manauscult, a atividade realizada no Casarão de Ideias reuniu rostos conhecidos do setor audiovisual como Keila Serruya, Diego Bauer, Victor Kaleb, Alberto César Araújo, Robert Coelho, Danielle Nazareno e Paulo Trindade.

Ah, quase esqueci: eu também estava entre os selecionados.

Aldemar idealizou o curso com a ideia de “reunir pessoas interessadas em documentários que proporcionam uma reflexão política e, assim, discutir formas de construção dessa produção”. Para alcançar essa meta, assistimos documentários diariamente, todos com tonalidades diferentes, mas envoltos da temática política. No final de cada exibição, discutíamos os processos que o realizador passou na construção documental e quais as melhores formas de fazer com que essas obras cheguem a quem tem uma visão política totalmente diferente de quem está por trás da obra. Esses elementos são importantes para “ativar a sensibilidade dessas pessoas e contrapor o documentário de criação e uma obra ativista, levando a indagação se as duas coisas podem ser uma só e como eu posso diferenciá-las”, disse Aldemar.

Além de analisar os caminhos da produção documental, também expressávamos nossa opinião sobre as obras vistas. Para a estudante de jornalismo Beatriz Aquino, “os debates abriram a mente sobre o que é documentário. Vim para adquirir e compartilhar conhecimento e esses momentos foram decisivos para iluminar minhas ideias”, contou.

Em alguns momentos, as leituras dos documentários apresentados se chocavam como, por exemplo, no último dia de encontro, quando discutimos até que ponto a ficção interfere na narrativa documental e o que é verdade ou não. Embora a discussão tenha se arrastado por quase todo o tempo de debate, é importante lembrar que, no final das contas, o maior peso sempre vai ser o ponto de vista do documentarista. A mediação de Aldemar foi vital para que compreendêssemos empiricamente o que se passa na cabeça de quem tem ativismo e audiovisual na veia.

A escolha do tema

Falar sobre ativismo é um tema muito particular para Aldemar. “Essa é uma discussão que eu sempre tive comigo como artista, porque nas nossas obras a gente tenta causar uma reflexão política. Para mim, toda obra tem que levar a essa análise”, contou.

Particularmente, eu tinha uma visão muito restrita sobre como seria a aplicação do ativismo no formato audiovisual e as peças apresentadas no curso me fizeram compreender que, assim como a política está presente em todas as esferas sociais, o ativismo também está na produção audiovisual. Minha percepção foi semelhante a do fotógrafo Robert Coelho: “o documentário sempre vai ser ativista, porque sempre vai ter uma luta envolvida, mesmo quando ele é intimista ou familiar. Você lutando contra ou a favor de algo”, comentou.

Já para a Beatriz, “o documentário tem a intenção de contar uma coisa, mostrar a verdade para certas pessoas e com o ativismo você pode levar as pessoas a entenderem a situação do que está acontecendo, sem se impor, mas falando a verdade para que o público possa compreender outras formas de viver além da sua”, revelou.

A questão levantada no curso por Aldemar foi até que ponto se está dando espaço para reflexão ou impondo uma visão e querendo convencer o outro. Para expandir a nossa concepção, analisamos produções como “Espero a tua (Re)volta” de Eliza Capai, e “Fogo no Mar” de Gianfranco Rosi, nas quais existe uma diferença abismal em relação a construção narrativa, o que acaba por interferir na criação de empatia e distanciamento dos personagens com o público. Em ambas, o debate nos guiou a refletir até que ponto uma versão da realidade está sendo imposta e como os parâmetros utilizados para contar a história cria o efeito almejado pelo realizador. Para o diretor, existe um espectro cinza nessa indagação que pode ser respondido de forma coletiva, ou seja, em escutar várias perspectivas diferentes.

“Acredito que seria mais proveitoso trazer pessoas que são de áreas distintas, ou seja, cineastas, estudantes, sociólogos, antropólogos, pedagogos, militantes e jornalistas para saber qual ponto de vista de cada um e como cada pessoa vê a construção desses documentários”, disse Aldemar.  Por esse motivo, foram escolhidos para compor a turma pessoas de idades e profissões diferentes que pudessem dialogar com o maior número de público e situações possíveis. “Quanto mais pontos de vista diferentes melhor a gente se forma como artista, como público”.

Caminhos abertos

Para a Beatriz, o curso tirou muitas dúvidas em relação à produção documental e, quem sabe, não pode ter sido um ponto de partida para uma futura documentarista. “Tenho muitas ideias e quero tirá-las do papel. Ainda sou nova no audiovisual e eu quero me aprofundar bastante nessa área. Eu tinha um visual muito fechada sobre documentário. Que era algo monótono, onde havia acontecimentos e entrevistas e eu vi que não é necessariamente dessa forma que é feito. Ele pode ser uma história contada a partir do ponto de vista de uma pessoa ou várias e isso mudou o meu ponto de vista”.

Tema do próximo curta-metragem de César Nogueira, o Robert Coelho também já mira em futuros trabalhos a partir do que assimilou no curso. “Eu achava que eu só poderia chegar perto da realidade, mas agora percebo que eu posso interferir naquilo que eu quero propor e isso me chama muita atenção. Mudou toda percepção que eu tinha sobre documentário e agora estou tentando entender onde eu quero chegar com o meu documentário”.

Quanto a mim, o curso foi inspirador para compreender como pessoas de áreas distintas lêem filmes e atestar as milhares de possibilidades que a produção documental oferece.

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