Filho de um poeta e uma roteirista, Jake Gyllenhaal nasceu predestinado para fazer cinema. Como se já não bastasse a origem artística da família, nasceu em Los Angeles e é dono de um belo par de olhos azuis. Futuro galã, diriam os executivos ao ver aquele jovem rapaz. Tanto que estreou nos cinemas aos 10 anos de idade com uma pequena participação em “Amigos, Sempre Amigos” ao fazer o filho de Billy Cristal.

Somente após se formar no ensino médio e chegar a cursar a Universidade de Columbia por dois anos, largou os estudos para se dedicar a atuação. Em 1998, Jake Gyllenhaal estrelou o primeiro filme da carreira, o drama “O Céu de Outubro”, e não parou mais. Em 2015, pode conseguir o sonho de todo ator americano: a primeira indicação ao Oscar por “O Abutre”.

Quem pensa que só de cinema vive Gyllenhaal está enganado: o ator possui fortes ligações com o Partido Democrata e chegou a colaborar para as campanhas de John Kerry e Barack Obama. Além disso, o astro é integrante da União Americana pelas Liberdades Civis e um ambientalista ferrenho.

VEJA A LISTA DO CINE SET SOBRE A CARREIRA DE JAKE GYLLENHAAL:

5 – Marcados Para Morrer

Neste policial superestimado pela crítica, Jake Gyllenhaal forma uma dupla excelente com Edgar Ramírez. Aliado ao estilo found footage impresso pelo então diretor revelação David Ayer, a química entre os atores eleva o nível de “Marcados Para Morrer” a partir de diálogos e gestos tão naturais capazes de fazer o espectador acreditar se tratar de fatos reais. Serve para mostrar como o astro consegue ser capaz de salvar projetos medianos.

4 – O Segredo de Brokeback Mountain

O negócio não estava bom para Jake Gyllenhaal depois de “Donnie Darko” em 2001. Coadjuvante de dramas românticos com Jennifer Aniston (“Por um Sentido na Vida”) e blockbusters (“O Dia Depois de Amanhã”) era a tônica da carreira do ator. Eis que surge Ang Lee e tudo muda com “O Segredo de Brokeback Mountain”.

Enquanto Heath Ledger representava o lado mais resistente do relacionamento dos caubóis gays, Gyllenhaal trazia a explosão do desejo dentro do limite possível. Pela forma menos presa de viver e por ser o dono das atitudes em relação ao casal, Jack Twist cria o elo mais emocional com o espectador.

Com esse trabalho, Gylleenhaal dava um salto na carreira e se consolidava como um dos melhores atores da atual geração do cinema americano.

3 – Donnie Darko

“Donnie Darko” conseguiu uma combinação de fatores raros de se ter no cinema americano: um diretor/roteirista estreando com um excelente projeto próprio, produtores independentes dispostos a investir no filme, fazer uma mistura de promessas (Ashley Tisdale, Jena Malone, Maggie Gyllenhall) com nomes conhecidos (Drew Barrymore, Patrick Swayze) e ter a moda do momento (no caso, a reviravolta surpreendente tão utilizada por M. Night Shymalan).

Protagonista do filme, Jake Gyllenhaal contou com toda essa sorte e estreou com pé direito em Hollywood. Em “Donnie Darko”, o ator, apesar de mostrar certa inexpressividade característica de início de carreira em determinados momentos, consegue criar uma figura enigmática capaz, ao mesmo tempo, de fazer o espectador torcer por ele e temer seu próximo passo.

Somente por esse feito, Gyllenhaal já mostrava potencial acima da média dos atores da geração dele. Onde a maioria criaria figuras genéricas e clichês sem personalidade, o ator vai fundo para transformar o personagem-título em uma figura multidimensional. E “Donnie Darko” era apenas o começo.

2 – Os Suspeitos

Hugh Jackman, Terrence Howard, Viola Davis, Maria Bello, Paul Danno, Melissa Leo.

Conseguir ser o melhor entre todos desse elenco de grandes atores já seria justificativa suficiente para explicar este segundo lugar. Jake Gyllenhaal expande a qualidade do trabalho meticuloso de “Zodíaco” neste suspense de Denis Villeneuve. O cansaço da angústia de não conseguir encontrar solução para o sumiço das garotas mesclado com repentinos acessos de fúria mostram um homem atormentado em busca de respostas.

A sutileza do trabalho do ator acabou não sendo reconhecida pelo Oscar, porém, demonstrou para cinéfilos do mundo inteiro como Gyllenhaal está em plena forma.

1 – O Abutre

“O Abutre” consolida a grande fase da carreira de Jake Gyllenhaal. Interpretando um sujeito disposto a qualquer coisa para conseguir vender a melhor imagem para um telejornal de Los Angeles, o ator mergulha em um personagem doentio e sem limites morais.

Desde o emagrecimento de 14kg passando pelas olheiras até a forma de ameaçadora como conversa com os outros personagens, Gyllenhaal encarna uma figura sombria e instável tanto na aparência física como nos pequenos gestos. O olhar psicótico ao filmar mortes e acidentes captado pela câmera de Dan Gilroy reforça a imersão do ator naquele ambiente doentio.

Reconhecido pelo Globo de Ouro com a indicação na categoria de Melhor Ator em Drama, Jake Gyllenhaal aguarda o Oscar para fechar com chave de ouro um momento de ascensão iniciado com “Contra o Tempo” e que ainda trouxe o excelente “O Homem Duplicado”.

E se a Academia não indicá-lo?
Azar o do Oscar.

O pior

O Príncipe da Pérsia

Atores de Hollywood acumulam dívidas. Atores de Hollywood gostam de gastar dinheiro. Atores de Hollywood gostam de viajar e ficar hospedados nos melhores hotéis do mundo. Atores de Hollywood amam se sentir bonitos e imortais. Atores de Hollywood …

Vai ver alguma dessas frases acima explica o motivo de Jake Gyllenhaal topar fazer uma obra tão sem graça como este “O Príncipe da Pérsia”. Tentativa da Disney emplacar uma nova franquia do tipo “Piratas do Caribe”, a superprodução apostou no diretor dos últimos filmes da saga Harry Potter, atores renomados (Ben Kingsley e Alfred Molina) e teve um orçamento superior a US$ 150 milhões.

A brincadeira acabou em um fracasso enorme (US$ 90 milhões arrecadados nos EUA) e ficou como uma mancha na carreira de todos os envolvidos. Pelo menos, Gyllenhaal percebeu a necessidade de voltar a fazer bons filmes e pode aproveitar a barriga sarada para fazer sucesso na balada.