Filme de intenções bem claras, “A Cápsula” parece se orgulhar muito de sua premissa, de sua trama, de seus simbolismos. Uma distopia de ficção científica filmada e ambientada em Maringá e em outros lugares do interior do Paraná.

O que é interessante por si no papel, entretanto. Em um roteiro até bem estruturado na forma como se organiza ao redor de um mistério e na exploração de temas caros para quem sofre de ansiedade climática. Não se traduz bem para o cinema. Para a prática do cinema. Para a encenação.

Na articulação, ou melhor, na falta de uma articulação cinematográfica dessas ideias, o filme decai para basicamente uma série de oportunidades de expor o que é pelos seus diálogos. Suas conversas não naturais que existem mais para o fim de delimitar e esclarecer os temas e as tramas que compõem o filme do que para construir algo de sólido nesse universo futurista. 

Em um filme que é completamente tributário de um mistério. De uma reviravolta que eventualmente ele vai parar pra explicar muito bem para que não se tenha a menor dúvida sobre o texto e o subtexto. Onde essa divisão deixa de existir. Mas mesmo que até esse enredo possa ser colocado em crise. “A Cápsula” encontra seus principais problemas em uma certa ausência de como concretizar suas ideias para além de um formato banal e de um drama que parece por vezes muito amador. 

E mesmo os lampejos interessantes que ele tem. Como a forma que ele vai concretizar certas violências que quase vão para um lado mais maneirista e de filme B. Isso tudo entra em choque com o simplismo de todo o resto. Dando mais a impressão de que essa violência mais pura mal combina com o que a gente vê até então. 

O que “A Cápsula” se parece, no fim das contas, é com um filme que confia demais na qualidade inerente de suas ideias de trama. Mas que nem nos convence tanto destas qualidades, nem, quando é o caso dessas ideias realmente trazerem algo de interessante, consegue fazer justiça a elas em tela.

No todo. Aqui e ali existe algo de interessante em como Ribamar Nascimento captura as paisagens naturalmente distópicas de Maringá e arredores. Até mesmo com o uso banal dos Drones. Paisagens de terra vermelha, fábricas e usinas desativadas. Planícies acachapantes. É preencher esses lugares o desafio principal.

É uma sensação amarga a de criticar dessa forma algo com tanto potencial quanto um sci-fi hiper regional brasileiro. Mas a condescendência com o filme não faria bem nenhum a ele ou ao cinema independente nacional.