O recomeço é sempre um processo difícil. Para muitos garotos ainda no fim da adolescência ou no início da vida adulta, ele é ingrato por natureza. Em “Baby”, o diretor Marcelo Caetano parte de um recomeço forçado para contar uma história de sobrevivência e encontro. Em meio a espinhos, dá para ver florescer uma rede de afetos capaz de salvar quem não deveria precisar tão cedo saber o que é sobreviver. 

O longa nos apresenta a Baby (João Pedro Mariano), um garoto que acaba de sair de um período internado na Fundação Casa, espaço em São Paulo que atende menores de idade que cometeram atos infracionais. Completamente abandonado pela sociedade, ele, tão jovem, precisa aprender o que é um recomeço.

Em cada frame, Caetano entrega um melodrama puro e que vibra nas tintas de uma São Paulo que parece encantar o realizador (que assina o roteiro junto com Gabriel Domingues) na mesma medida em que é descoberta por seu protagonista. 

É no amor que Baby encontra um lugar no mundo, com o acolhimento improvável de pessoas que, assim como ele, também estão à margem. Nesse sentido, o filme é muito feliz ao não apenas apresentar essa família que escolhe Baby, mas ao fazer com que a gente queira que ele se encontre ali. A selva de pedra pode ser carregada de crueldade em suas esquinas, mas também é capaz de transformar amores que podem regar recomeços, mesmo os carregados por cicatrizes.