É hora da caça ao McGuffin em Lovecraft Country! O quarto episódio desta temporada da série é menos Lovecraft e mais estilo Indiana Jones, o que de novo rende um episódio divertido que consegue aliar cenas tensas e malucas – já se tornando características da série – com um pouco de desenvolvimento dos personagens principais. No entanto, apesar das suas qualidades, é também um episódio com problemas.

CRÍTICA: “Lovecraft Country” 1×01

Nele, intitulado “Uma História de Violência”, nosso trio de heróis TIc, Letitia e Montrose parte numa busca pelo cofre do fundador da Ordem da Antiga Alvorada, Titus Braithwaite. Essa busca os leva a um museu em Boston, e debaixo deste museu eles vão procurar as páginas de um livro, antes que Christina coloque as mãos nelas – Um McGuffin no sentido clássico, o dispositivo de trama do qual todos os personagens estão atrás para mover a trama. Enfim, eles vão andar por catacumbas que começam a se inundar, vão encontrar algumas criaturas sobrenaturais e, na cena mais emocionante do episódio, vão atravessar uma ponte suspensa sobre um abismo. Com um pêndulo no meio do caminho. Sim, isso mesmo, leitor. Tic até afirma: “Parece coisa do ‘Viagem ao Centro da Terra’”, do autor Júlio Verne.

CRÍTICA: “Lovecraft Country” 1×02

Porém, a referência mais próxima para o espectador moderno de TV ou cinema não é Júlio Verne, mas sim Indiana Jones ou Tomb Raider ou até os filmes A Lenda do Tesouro Perdido.  A cena da ponte é realmente empolgante, com Michael K. Williams roubando a cena – a fala dele “É melhor você me pegar, menino!” é um momento de explosão de humor no meio da cena tensa, uma pequena pílula concentrada de riso nervoso criado pelo ator.

Bom que o elenco está elevando o material. No meio da aventura o roteiro encontra oportunidades para aprofundar o relacionamento entre Tic e seu pai, e um também um pouco entre Tic e Letitia. Os momentos entre os personagens funcionam melhor que alguns da trama, que é do tipo divertida, desde que o espectador não pare para pensar por um minuto – Ora, quem preparou essas armadilhas? Por que a direção do episódio não mostra direito os botões que Montrose sabe como apertar para abrir a porta num momento crucial? E o fato das catacumbas se conectarem com a casa do episódio anterior é para lá de conveniente…

EFEITO ‘ESQUADRÃO SUICIDA’ ATIVADO

Fora da trama principal, o episódio traz um interessante encontro entre Ruby (Wunmi Mosaku) e William (Jordan Patrick Smith), que vai render no futuro… Descobrimos, inclusive, que William sobreviveu à destruição do final do segundo episódio, e que continua aliado de Christina. E em outra linha narrativa, Hippolyta parece que vai fazer uma visitinha a Ardham, o que também deve aumentar a tensão dos próximos episódios…

Tudo acontece no episódio de forma rápida, de modo que ele nunca fica realmente chato. Mas começa a se infiltrar em Lovecraft Country uma sensação de superficialidade em excesso. Não questionamos os furos de roteiro na aventura principal porque o elenco, principalmente, está segurando a onda. Mas eles existem. E neste episódio em particular, incomodam bastante as escolhas de canções na trilha sonora – a praga dos seriados e filmes modernos que querem dar uma de “espertinhos” colocando uma canção cool para alavancar cenas, quer elas façam sentido dentro da experiência ou não. Eu chamo de “efeito Esquadrão Suicida”Ouvir Rihanna e Marilyn Manson neste episódio força a barra do anacronismo, e peca também por serem escolhas óbvias e rasas demais dentro das suas respectivas cenas. Com o tempo, essa escolha criativa está começando a cansar e a revelar a superficialidade que está se infiltrando no seriado.

CRÍTICA: “Lovecraft Country” 1×03

Lovecraft Country se iniciou tentando fazer uma ponte entre as exigências de uma narrativa fantasiosa e todos os clichês que isso implica, com uma visão sobre a vida de pessoas negras nos Estados Unidos dos anos 1950, enfrentando um mundo hostil a elas. Até este episódio, a série ainda está fazendo isso… mas desta vez, fica a dúvida se essa ponte é sólida o bastante, e se a exploração de alguns desses clichês será suficiente para manter a série viva e interessante. E olha que a Christina menciona uma “máquina do tempo” neste episódio…

Ainda assim… Michael K. Williams é um grande ator, não é? Só a cena final do episódio, com ele, já volta a despertar o interesse para ver o próximo…

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