Candidato da Paraíba na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Festival de Gramado 2020, “Remoinho” é um filme que se insinua grande em diversos momentos, dá indícios de um potencial enorme. Ao término dele, porém, o sentimento que fica é da frustração pelas possibilidades múltiplas não terem sido exploradas ao máximo. 

Dirigido e roteirizado por Tiago Neves, “Remoinho” acompanha o retorno de uma mulher, ao lado do filho, para a casa da mãe no interior da Paraíba. Silenciosa e de olhar distante, passa os dias entre a solidão e escutando outros conversarem com ela sem esboçar maiores reações. 

A sensação de angústia predomina em “Remoinho” graças à habilidosa construção do roteiro. Tiago Neves não dá respostas claras sobre o que pode ter acontecido com a vida de sua protagonista. Podemos supor uma violência familiar pela forma como se livra do chip do celular após a ligação do marido logo na primeira cena ou a frustração com a vida artística e os sonhos que não deram certo ou não se sentir apta em ser mãe ou simplesmente não estar feliz com a vida que leva.  

Este caráter indecifrável e impenetrável da protagonista, defendida de forma comovente por Cely Farias, alimenta a teia de possibilidades para o espectador preencher com interpretações diversas, sendo a única certeza o sofrimento enorme ali dentro. O contraponto fica por conta da mãe vivida por Zezita Matos (também muito bem): cabe a ela fazer as quebras no silêncio e fornecer pistas sobre o que ocorreu, além de dar uma dimensão social das transformações sociais do povo nordestino e da figura feminina e seus sonhos.  

Com uma direção de fotografia das mais belas dos filmes do Festival de Gramado (apesar de um ligeira desfocada na sequência da chegada da família), “Remoinho” derrapa justo na reta final. Não que fosse necessário respostas fáceis ou didática à la Hollywood, porém, a maneira como tudo se conclui, quase abruptamente, deixa uma sensação de incompletude, de que faltaram peças, elementos para concluir aquele painel tão rico demonstrado até ali.  

Um bom e intrigante filme com um final decepcionante. 

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