Com a ideia de um terror embasado cientificamente, Jeffrey A. Brown faz sua estreia como diretor apresentando uma boa história sobre mutações infecciosas na natureza. “The Beach House” é baseado em uma realidade possível, apresentando também o benefício de bons elementos visuais para compor as criaturas fantasiosas. Apesar de toda grande ambientação, a produção comete consecutivos erros ao desenvolver seus personagens, culminando em uma história que perde seu fôlego justamente durante o clímax. 

“The Beach House” apresenta o jovem casal Emily (Liana Liberato) e Randall (Noah Le Gros) numa viagem romântica a uma casa de praia. No local, ambos conhecem o casal mais velho, Jane (Maryann Nagel) e Mitch (Jake Weber). Tudo vai bem até que uma infecção misteriosa começa a se espalhar pelo litoral expondo diretamente os quatro personagens. 

Ao apresentar o embasamento científico da trama, o diretor possui uma grande facilidade em tornar o assunto compreensível ao seu público, fazendo questão de relacionar as novas mutações com o surgimento da vida na Terra. Apesar de nenhum dos personagens ser desenvolvido devidamente, as justificativas de Emily sobre a carreira a qual pretende seguir são uma narração quase exata do que está acontecendo no mar próximo a eles e, para facilitar ainda mais o entendimento, pequenas pistas visuais são deixadas pelo diretor ajudando também na sua ambientação. 

VISUAL CHAMATIVO 

Com dezenas de produções no currículo atuando no setor de locações (incluindo títulos como ‘The OA’ e ‘O Lobo de Wall Street’), Jeffrey Brown entende a importância de uma boa ambientação para a história. Assim, temos a grata surpresa de um terror que não ocorre exclusivamente com cenas escuras ou durante a noite, mas, também possui a capacidade de criar tensão em plena luz do dia, com um cenário paradisíaco no plano de fundo. 

Para completar essa boa apresentação visual, os elementos científicos de “The Beach House” também possuem uma verossimilhança como os micróbios irradiando luz azul. Da mesma forma, as criaturas mutáveis também apresentam um desenvolvimento técnico bem feito e aproveitado pela direção de fotografia para criar momentos memoráveis. Esta, por sua vez, se arrisca em ângulos incômodos enfatizando a estranheza sobre o local e os personagens em si. 

Ausência de bons personagens 

Confiando na boa atmosfera de terror imposta pelo cenário, “The Beach House” não precisa apelar para consecutivos sustos, criando uma certa liberdade para o elenco crescer dramaticamente sem o exagero nas atuações. Entretanto, o roteiro não ajuda em nada os atores no desenvolvimento de personagens já que a vida de cada um dos quatro é pouco abordada e até mesmo parece inconveniente para a trama. Com exceção de Emily, nenhum dos personagens consegue apelo mínimo para o público torcer por sua sobrevivência. 

Assim, com Emily carregando o terceiro ato nas costas, seu desenvolvimento defasado começa a fazer falta para “The Beach House”, iniciando o uso sucessivo de clichês e das famosas escolhas “burras” feitas em filmes terror. Tudo isto advém meramente da construção de personagem mal idealizada que permite a Emily realizar uma quase cirurgia no próprio pé e, instantes depois, nem sequer conseguir dirigir para se salvar. 

Essa falta de protagonismo e consecutivas escolhas ruins do roteiro fazem “The Beach House” perder sua força inicial e toda expectativa criada sobre a narrativa. Apesar disso, ainda existem bons momentos na história que não tornam o filme estreante de Jeffrey Brown uma total perda de tempo. Para quem gosta de terror ou ficção científica, a trama pode ser bem mais rica e melhor aproveitada, já que estes elementos justificam toda história e fazem valer a pena dedicar atenção a narrativa mal explorada. 

‘Noite Passada em Soho’: quando prazer e pavor caminham lado a lado

É normal filmes de terror isolarem seus protagonistas antes de abrirem as válvulas do medo. "Noite Passada em Soho", novo filme do cineasta Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo” e “Baby Driver – Em Ritmo de Fuga”), inverte essa lógica. Sua protagonista sai de...

‘Duna’: conceito se sobrepõe à emoção em filme estéril

Duna, o filme dirigido por Denis Villeneuve, começa com o protagonista acordando de um sonho, e tem alguém falando sobre um planeta, um império e uma tal de especiaria... A sensação é de ser jogado num universo alienígena e ela perdura por praticamente todo o filme. É...

‘Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ e um herói para inspirar o coletivo

Vamos responder logo de cara: Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o último filme da bat-trilogia do diretor Christopher Nolan, é o pior dos três? É. É um filme com problemas? Sim. Mas é um filme ruim? Longe disso. Na verdade, quando Nolan foi concluir sua...

‘Spencer’: Kristen Stewart luta em vão contra filme maçante

Em "Spencer", Kristen Stewart se junta ao clube de atrizes - que inclui Naomi Watts (“Diana”) e Emma Corrin (“The Crown”) - que se lançaram ao desafio de retratar a Princesa Diana. A atriz traz uma energia caótica à personagem e a coloca no caminho de uma quase certa...

‘O Garoto Mais Bonito do Mundo’ e o dilema da beleza

Morte em Veneza, o filme do diretor italiano Luchino Visconti lançado em 1971 e baseado no livro de Thoman Mann, é sobre um homem tão apaixonado, tão obcecado pela beleza que presencia diariamente, que acaba destruindo a si próprio por causa disso. E essa beleza, no...

‘Venom: Tempo de Carnificina’: grande mérito é ser curto

Se alguém me dissesse que existe um filme com Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris e Woody Harrelson, eu logo diria que tinha tudo para ser um filmaço, porém, estamos falando de “Venom: Tempo de Carnificina” e isso, infelizmente, é autoexplicativo. A...

‘A Casa Sombria’: ótimo suspense de desfecho duvidoso

Um dos grandes destaques do Festival de Sundance do ano passado, "A Casa Sombria", chegou aos cinemas brasileiros após mais de um ano de seu lançamento. Sob a direção de David Bruckner (responsável por dirigir o futuro reboot de "Hellraiser"), o longa é um bom exemplo...

‘Free Guy’: aventura mostra bom caminho para adaptação de games

Adaptar o mundo dos jogos para as telonas é quase uma receita fadada ao fracasso. Inúmeros são os exemplos: "Super Mario Bros", "Street Fighter", "Tomb Raider: A Origem" e até o mais recente "Mortal Kombat" não escapou de ser uma péssima adaptação. Porém, quando a...

‘A Taça Quebrada’: a angustiante jornada de um fracassado

Não está fácil a vida de Rodrigo: músico sem grande sucesso, ele não aceita a separação da esposa ocorrida há dois anos (sim, 2 anos!) muito menos o novo relacionamento dela, além de sofrer com a distância do filho e de ver o trio morar na casa que precisou deixar. E...

‘Halloween Kills: O Terror Continua’: fanservice não segura filme sem avanços

Assim como ocorreu com Halloween (2018), a sensação que se tem ao final da sua sequência, Halloween Kills: O Terror Continua, é de... decepção. O filme dirigido por David Gordon Green que reviveu a icônica franquia de terror no aniversário de 40 anos do clássico...