O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Romero Reis.   

O candidato do Novo tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Romero Reis encara a primeira eleição da carreira ao lado do vice Eduardo Costa. 

Conforme estabelecido junto a todas as chapas, as perguntas são idênticas para todos os candidatos e feitas na mesma ordem.  

Cine Set – Qual deve ser o papel do Estado no setor cultural e qual será o foco da sua gestão no setor?  

Romero Reis – A cultura é fundamental. A Prefeitura tem responsabilidades claras, previstas na Constituição, como, por exemplo, o ensino fundamental e a saúde básica. Acredito que é preciso fazer uma imersão na cultura, especialmente, nas escolas. O aluno manauara precisa descobrir a nossa história e cultura. Só assim vai despertar nas pessoas aquele sentimento de pertencimento. Isso é genuíno e fará com que a cultura tenha uma abrangência ainda maior.

Os artistas não são como peças feitas em uma fábrica; eles são criação de Deus e o talento de cada um, seja no canto, música, poesia, é muito rico. Precisamos despertar isso nas escolas. O papel da Prefeitura é promover uma grande imersão na arte, o que irá despertar as vocações de quem tem talento.

Com isso, o povo voltará a sentir orgulho de si próprio, cultuando aquilo que é caro e precioso para nós. Esse é o papel da Prefeitura e a Manauscult tem que atuar de forma profissional; parar de ficar fazendo atividades pontuais, dirigidos por empresários. Temos que fazer o que a cidade necessita com indicadores e medições.

Precisamos prestigiar o artista local, criar um calendário de eventos na cidade. Se tivermos, no mínimo, a cada 15 dias, um evento de cunho nacional ou internacional teremos um grande fluxo de pessoas e movimentação do setor de serviços, estimulando a criação de empregos e geração de renda de qualidade.

Cine Set – Como tornar a Lei Municipal de Incentivo à Cultura mais eficiente em sua proposta? 

Romero Reis – O Brasil e Manaus são férteis em leis. Não precisamos de mais leis e sim arquivar aquelas que não funcionam mais. Agora, em relação à cultura, é preciso sensibilizar as empresas de que vale a pena destinar parte daquilo que você pagaria como imposto para atividades culturais.

A Prefeitura fará isso através de um evento com os 100 maiores arrecadadores de ISS (Imposto Sobre Serviços) mostrando a importância de se investir na cultura como forma de se ter orgulho da nossa história e valorização do que é caro para nós.

Cine Set – Como a Prefeitura pode estimular a iniciativa privada a apoiar e investir na cultura local? 

Romero Reis – Temos uma arma atômica em nossas mãos para promover a cultura local. Isso não é demagogia. Defendo há anos que Manaus deve ser inserida no destino turístico internacional e, para isso, não dá para a Manauscult, Amazonastur e a Secretaria de Cultura terem uma visão míope e distante do governo federal.

Quando tornarmos Manaus um destino turístico internacional capaz de receber o mesmo número de visitantes que o Brasil recebe por ano – 6 milhões de turistas – teremos uma revolução na cidade. Vai demandar muitos empregos e a iniciativa privada investirá em shows, os restaurantes e bares serão valorizados e criaremos exposições. Naturalmente, isso irá aflorar a cultura amazonense para que possamos apresentá-la para as pessoas.

O turismo, além de gerar emprego e renda de qualidade, pode ser uma arma poderosa para a divulgação da nossa cultura. Pintores como o Moacyr Andrade precisam ser conhecidos no mundo inteiro. Não faltará empregos nem estrutura para a área cultural de Manaus.

Cine Set – Como a Prefeitura de Manaus pode ajudar a descentralizar as atividades culturais para que elas cheguem nas regiões periféricas, especialmente, nas zonas norte e leste da capital? 

Romero Reis – A atual administração fez algumas coisas sensatas e a nossa candidatura é independente. Aquilo que está certo e vale a pena prosseguir, vamos manter. Já o que está errado, apresentaremos as soluções.

As galerias populares, por exemplo, estão abandonadas por não terem gestão profissional, o que leva as pessoas a não irem nelas por terem melhores alternativas. A nossa proposta para o Shopping Popular Phillipe Daou é integrá-lo ao T4, achando um espaço nela para levar os comerciantes da Feira do Produtor para lá. Teremos os boxs adequados para venda de carne, peixe, hortifrutigranjeiro, artesanato e demais segmentos no piso inferior, enquanto no superior haverá um grande palco de shows acompanhado de praça de alimentação, Defensoria Pública e bancos. 

Se você criar um circuito onde os artistas possam circular pelas galerias com datas certas de apresentação iremos atrair o público e todo mundo sairá ganhando. A cultura será promovida e ainda irá gerar empregos na área. Perceba como a Prefeitura tem condições de atuar nos bairros.   

Outra proposta que trazemos para o setor é a Arena Manauara. Será um grande evento começando na Praça São Sebastião com Feira do Livro, shows de artistas da terra, culinária amazonense, exposições de artesanato. Depois terá edições itinerantes indo, por exemplo, para o bairro Alvorada, o próprio Shopping Popular Phillipe Daou até chegar em todas as zonas administrativas da cidade.   

Cine Set – Políticas de editais públicos para o setor cultural como, por exemplo, “Conexões Culturais” e arranjos regionais em parceria com a Ancine, serão mantidas? Se sim, como poderão ser aprimoradas? 

Romero Reis – Isso é fundamental. Manaus tem belezas naturais incríveis com histórias que merecem ser contadas. Uma parceria com a Ancine e o Governo Federal é vital. O cinema é uma grande indústria e precisamos valorizar isso. 

Essa é uma responsabilidade da Manauscult que precisa interagir com os programas do Governo Federal e atrair recursos para cá. Quem quiser gravar um filme em Manaus terá todo o apoio da Prefeitura. É o mínimo que podemos fazer. Todas as contratações que faremos serão através de editais sérios, transparentes com objetivos claros para servir e promover a cultura.

Precisamos ter pessoas técnicas na área. Não vai ocupar a Manauscult pessoas que sejam ligadas a grupos políticos ou tenham outros interesses. Será um artista, uma pessoa conhecedora da nossa cultura, alguém que valoriza essa história para realizar um trabalho sério. Tudo isso com planejamento. 

Certamente não estamos entre as melhores cidades brasileiras onde são gerados filmes, peças teatrais. É necessário inserir Manaus neste circuito cultural em nível nacional e internacional. Vamos permitir que o mercado ocupe essas oportunidades de recursos federais, estaduais e municipais de uma forma justa para obras culturais de qualidade para toda nossa população.  

Cine Set – Artistas amazonenses quando precisam realizar atividades formativas ou cursos, mesmo de curta duração, muitas vezes, precisam sair de Manaus para fazer estas atividades, pois, elas não existem por aqui, sendo inviável para muita gente. Como a Prefeitura pode contribuir neste aspecto formativo do setor?  

Romero Reis – Uma coisa fundamental é que a Secretaria de Cultura e a Secretaria do Trabalho, Emprego e Inovação vão trabalhar coordenadas. Vamos promover calendário de cursos, então, se a pessoa precisa ter formação em uma área, isso será disponibilizado. 

Não será a custo zero porque, quando é de graça, não se dá valor. Precisa ter um valor simbólico, mas, o papel da Prefeitura é induzir sim, formando mão de obra, despertando talentos. Não tenha dúvida: teremos um calendário de cursos para preparar melhor os nossos artistas e dotar os nossos empresários de conhecimento na área turística e cultural.

Seja presidente, governador ou prefeito, gestão pública não cria emprego. Isso é uma falácia. Quem cria emprego é a iniciativa privada. O papel da Prefeitura é desburocratizar e fazer o recurso chegar de forma transparente, além de mostrar que existe um ambiente propício para que as pessoas possam empreender. 

Cine Set – O senhor pretende ter uma secretaria ou fundação destinada exclusivamente à cultura ou ela estará associada junto a algum outro setor? Por quê? 

Romero Reis – Atualmente, a Prefeitura possui 25 secretarias e autarquias. É um desperdício generalizado. As pessoas que trabalham na máquina pública não se preocupem: elas serão valorizadas com treinamentos e capacitações, além de serem muito bem remuneradas. 

Mas, vamos sim fazer uma reforma administrativa. Se vai ter Secretaria de Cultura ou se será apenas uma área, isso é apenas um rótulo. Precisamos é fazer a cultura funcionar com pessoas competentes no setor. Você pode ter uma diretoria de cultura, por exemplo, mas, ainda não é algo certo. 

Certo mesmo é que vamos reduzir o número de secretarias e fundações para 15. Isso irá enxugar a máquina, mas, entregando à população um serviço de qualidade. Garanto que a cultura terá profissionais da área à frente dela para inserir Manaus no circuito mundial. Faremos tudo de maneira profissional sem política barata ou eleitoreira. Este é o nosso diferencial. 

Cine Set – O senhor conhece alguma obra do cinema amazonense? Já assistiu? Tem algum que o senhor mais gosta? 

Romero Reis – Confesso que não tenho apelo por uma obra ou outra, mas, sou um amante da cultura local. Eu adoro as nossas exteriorizações culturais, peças de teatro, cinema. Tenha a certeza que vamos promover o cinema de qualidade aqui na cidade. Tornaremos Manaus em um local em que os empreendedores na área do cinema vão reconhecer o nosso trabalho de dar apoio, prover a segurança, facilitar os meios, ter parcerias com a Ancine e fazer o recurso chegar a quem merece. Esse é o nosso desejo. Cultura é solidificar o nosso passado e construir um presente com visão de futuro tendo orgulho da nossa terra, povo e costumes.

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