Quando Wallace Abreu abriu as inscrições para a primeira edição do Close – Festival de Cinema LGBTQIAPN+ de Manaus, a expectativa era uma adesão de baixa para moderada. “Esperava, no máximo, uns 70 filmes”, revelou em entrevista ao Cine Set. A surpresa veio 60 dias depois: 210 curtas-metragens inscritos! 

Tais números inesperados levou a curadoria feita por Wallace em parceria com o ator e diretor amazonense Arnaldo Barreto a ampliar os filmes selecionados, passando de 16 para 20 curtas divididos igualmente em mostras competitivas de ficção e documentário (lista completa aqui). Manaus participa com duas obras em cada uma delas: “Conta a Minha História”, de Marcelo Oliveira, está na primeira, enquanto “Camylla Bruno”, de Henrique Saunier, integra a segunda. 

Cada categoria terá um prêmio do júri oficial, outro do júri popular e mais dois prêmios especiais. Obras de todas as regiões do Brasil e ainda de Portugal fazem parte da programação do festival previsto para acontecer gratuitamente no segundo semestre em espaços culturais do Centro de Manaus – há uma expectativa, de acordo com Wallace, de ser na segunda quinzena de setembro. 

LUTA CONTRA O PRECONCEITO 

Com Manaus ocupando o terceiro lugar das cidades mais inseguras para pessoas LGBT+ e com uma classe política altamente reacionária, a chegada do Close – Festival de Cinema LGBTQIAPN+ será um alento de progressismo e tolerância na programação cultural da capital amazonense. Segundo Wallace, ator com trajetória marcada no teatro local pela peça “Escalafobéticos” e no cinema em filmes como “A Benzedeira”, o evento busca combater o preconceito existente na cidade. 

“O Close será um espaço onde a comunidade pode se ver representada, se identificando com esta produções. Nossa vontade é ganhar espaço por termos uma comunidade numerosa, mas, bastante reprimida e vítima de bastante preconceito. A curadoria teve um cuidado muito grande para trazer obras que apresentem diferentes orientações sexuais e representações de gênero”, declarou, revelando ainda que o evento já sofreu ataques preconceituosos através de comentários homofóbicos e piadas pejorativas. “Infelizmente, faz parte do processo e estamos preparados para passar por cima destas questões”, disse Wallace. 

PROGRAMAÇÃO ALÉM DOS FILMES 

Em fase de fechamento de negociações para a programação final, o Close irá contar com uma programação acadêmica com uma oficina ministrada por um convidado nacional e dois workshops feitos por profissionais locais. Haverá ainda um homenageado amazonense.

Realizado pela Cacique Produções em um projeto aprovado no edital da Manauscult através de recursos da Lei Paulo Gustavo, o evento irá movimentar o mercado local com a expectativa de envolver cerca de 40 pessoas remuneradas, a maioria pessoas da comunidade LGBT+. O júri será composto por três nomes, incluindo, Ariel Huma, nome ligado ao teatro e ao cinema com importante contribuição em discussões ligadas a arte e sexualidade em Manaus.