Caio Pimenta fala sobre “Babenco” como a escolha brasileira para o Oscar 2021 e os principais rivais em Melhor Filme Internacional.

É raro, mas, não totalmente impossível que documentários sejam indicados a Melhor Filme Internacional. Isso aconteceu apenas três vezes, todas de 2009 para cá. 

A primeira vez aconteceu com a animação israelense “Valsa com Bashir”, indicada em 2009. Depois, vieram o cambojano “A Imagem que Falta”, em 2014, e esse ano com “Honeyland”, da Macedônia.  

Algo interessante apontado pelo Chico Fireman, um baita crítico brasileiro, é que todas estas produções trazem uma narrativa, estrutura que se assemelha ao ficcional, diferente do que “Babenco”. O filme da Bárbara Paz, porém, como eu cheguei a dizer no vídeo da aposta de quem ficaria com a vaga, chega com boas credenciais. 

Afinal, ganhou o prêmio de Melhor Documentário do Festival de Veneza 2019, além de Babenco ter sido um diretor que trabalhou com nomes importantes do cinema americano como Jack Nicholson e Meryl Streep em “Ironweed”, e William Hurt em “O Beijo da Mulher-Aranha“, pelo qual foi indicado e passou perto de vencer em Melhor Direção no Oscar de 1986, e, mais recentemente, com Willem Dafoe de “Meu Amigo Hindu”. 

“Babenco”, porém, terá concorrência vinda de todos os cantos do planeta. Vamos começar a volta pelo mundo lá no continente com mais estatuetas da categoria. 

CANDIDATOS DA EUROPA 

A Europa tem cinco concorrentes muito fortes para a disputa da categoria, sendo que dois deles parecem na frente. 

O dinamarquês “Another Round” é uma das produções mais elogiadas de 2020 pela crítica, venceu o prêmio do público do Festival de Londres, e traz uma parceria que foi indicada anteriormente ao Oscar por “A Caça” entre o diretor Thomas Vintenberg e o astro Mads Mikkelsen, bastante conhecido em Hollywood. Falando em estrela para lá de conhecida, a Sophia Loren conta com o apoio da Netflix para levar a Itália mais um prêmio. “Rosa e Momo” deve ser o nomeado pelo país e pode render indicações a Melhor Atriz e Canção Original com a Laura Pausini. 

Romênia, Polônia e Grécia também são países para ficar de olhos nesta disputa. 

Igual o Brasil, a Romênia apostou em um documentário, no caso, Collective. O filme sobre a investigação de jornalistas sobre fraudes no sistema de saúde do país coleciona prêmios mundo afora e tem potencial para ser o “Honeyland” de 2021. “Never Gonna Snow Again” também chega forte e com o bom retrospecto recente do cinema polonês no Oscar. Por fim, muita atenção para “Apples”: o candidato da Grécia é comandado por Christos Nikou, conhecido por ter sido assistente de direção como “Dente Canino”, do Yorgos Lanthimos, e “Antes da Meia-Noite“, do Richard Linklater. O filme é produzido pela Cate Blanchett e passou elogiado pelos festivais de Chicago, Telluride, Toronto e Veneza. 

Também vale os destaques para “Queridos Camaradas”, da Rússia, “My Little Sister”, da Suíça, e “Charlatão”, da República Tcheca. Já a tradicional França não parece muita cotada com “Nós Duas”, e a Alemanha também não com And Tomorrow the Entire World”. 

CANDIDATOS DAS AMÉRICAS 

Na América do Norte, quem aparece com mais força é o México. 

O país tenta o segundo prêmio da categoria com Ya No Estoy Aquí. A produção conquistou 10 prêmios no Ariel Awards, o Oscar mexicano, além de ter sido premiada no Festival do Cairo. O filme terá o apoio da Netflix.  

Da América Central, muita atenção para “La Llorona, candidato da Guatemala.  

O filme sobre um ditador do país assombrado pelos fantasmas de uma de suas vítimas venceu os prêmios de Melhor Filme e Direção na Mostra Cinema Contemporâneo do Festival de Veneza.   

A América do Sul ainda está tímida com poucos candidatos com possibilidades reais. Com passagens por Cannes e Berlim, o peruano “Canção sem Nome” é quem está em melhor posição. A duas vezes vencedora do Oscar, a Argentina, não deve ter representante tão significativo na disputa. 

CANDIDATOS DA ÁSIA E ÁFRICA 

O Japão tenta o segundo Oscar da categoria com “Mães de Verdade”.  

O filme estaria na seleção de Cannes deste ano e é dirigido pela Naomi Kawase.  A história é um melodrama daqueles para fazer chorar até os mais durões. Pode comover muitos votantes da Academia. Já o Lesoto chega ao Oscar pela primeira vez e pode surpreender com o elogiadíssimo “Isto não é um enterro, é uma ressurreição”, filme premiado em Sundance neste ano. Por fim, a Palestina também pode chegar com “Gaza Mon Amour”. 

Diante deste panorama todo, não aposto muito as minhas fichas em “Babenco”. Se a Academia vier a indicar um documentário para a categoria, acho que ficará com “Collective”, da Romênia. Dois filmes do tipo, seria improvável demais. 

Quanto aos favoritos para a categoria, o dinamarquês “Another Round” e “Rosa e Momo” saem na frente em uma disputa que promete ser muito mais emocionante do que ocorreu nos últimos dois anos, quando “Parasita” e “Roma” reinaram absolutos. 

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