Caio Pimenta analisa quais são as cinco categorias mais indefinidas da disputa pelo Oscar 2021 e as possibilidades dos indicados. 

CANÇÃO ORIGINAL 

A categoria traz “Speak Now”, de “Uma Noite em Miami”, “Fight for You”, de “Judas e o Messias Negro”, “Io Si”, de “Rosa e Momo”, “Hear my Voice”, de “Os Sete de Chicago”, e “Husavik”, de “Eurovision” entre os indicados.

Desta turma toda, acredito que “Eurovision” e “Os Sete de Chicago” não tem a menor chance. Já “Judas e o Messias Negro” tem pequenas chances devido ao grande momento da H.E.R que se destacou no último Grammy ao levar Melhor Canção do Ano por “I Can´t Breath”, uma homenagem ao George Floyd. 

Porém, a disputa está entre “Speak Now” e “Io Si”. Para o filme da Amazon, pesa o fato de que é aqui a grande chance de sair premiado no Oscar, além de que reconheceria o Leslie Odom Jr, indicado em Ator Coadjuvante e vivendo uma fase de reconhecimento pela indústria do cinema com o sucesso de “Hamilton” no streaming.  

Já “Io Si” é o representante internacional na disputa com uma intérprete bastante conhecida mundialmente como a Laura Pausini e, claro, tem o fator Diane Warren: a compositora concorre pela 12a vez ao Oscar e há uma sensação de que pode ter chegado a hora dela. A vitória no Globo de Ouro deu um empurrãozinho. 

MONTAGEM 

Nomadland”, “O Som do Silêncio”, “Meu Pai”, “Bela Vingança” e “Os Sete de Chicago” são os indicados em Melhor Montagem. 

Levando em conta que, nos últimos 10 anos, o vitorioso do Oscar de Melhor Montagem saiu cinco vezes dos indicados ao Eddie Awards, o prêmio dos profissionais da categoria, a situação se complica para “Meu Pai”. O longa com o Anthony Hopkins não foi nomeado ao evento. 

Também não vejo tanta força assim para “Os Sete de Chicago” conquistar, enquanto “Bela Vingança” parece mais um azarão. A disputa mesmo deve ficar entre “Nomadland” e “O Som do Silêncio”.  

A minha aposta é que a Amazon leve esta categoria pelos ritmos de contrastes que oferece da maior fúria do início para um tom mais ameno na reta final, além de uma parceria perfeita com o complexo design de som. 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL 

Disputam Melhor Roteiro Original “Minari”, “Os Sete de Chicago”, “Judas e o Messias Negro”, “Bela Vingança” e “O Som do Silêncio”. 

Três filmes estão fortes na categoria:

  • “Bela Vingança” venceu o prêmio do Sindicato dos Roteiristas, traz uma temática muito forte e cara à Academia neste ano e a subida do longa nas últimas semanas mostra que ele caiu nas graças de Hollywood;
  • já “Os Sete de Chicago” tem a grife do Aaron Sorkin, um sujeito para lá de respeitado na indústria com quatro indicações em 10 anos, incluindo, a vitória de “A Rede Social”;
  • e ainda tem “Minari”, o qual não pode disputar o WGA pelo Lee Isaac Chung não ser filiado à entidade, mas, traz elementos de uma clássica história com bons personagens, um contexto social relevante e ainda um tom pessoal bastante sensível . 

Acredito que a estatueta seja disputada entre “Minari” e “Bela Vingança” com o último saindo como favorito por surfar na onda do feminismo, tão fundamental nos dias atuais. Vale lembrar que a última vitória de uma mulher na categoria foi lá no distante 2008 com a Diablo Cody, por “Juno”. 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE 

Essa é a categoria mais maluca do Oscar 2021. Vamos para as indicadas: temos a Glenn Close, por “Era uma vez um Sonho”, Amanda Seyfried, por “Mank”, Maria Bakalova, de “Borat 2”, Olivia Colman, por “Meu Pai”, e a Yuh-Jung Youn, de “Minari”. 

A única que vejo fora de qualquer chance de vencer o Oscar é a Olivia Colman. Muito disso pelo fato de ter ganhado recentemente uma estatueta por “A Favorita”, além de que “Meu Pai” tem uma força muito grande para o Anthony Hopkins. Vejo que este reconhecimento todo deve cessar com a nomeação.  

Quanto a Amanda Seyfried, ela, neste momento, corre bem por fora. Ainda que tenha tido 10 indicações, “Mank” passa longe de ter todo este carinho da Academia, o que afeta as chances delas. De qualquer modo, essa indicação é importante demais para a Amanda porque mostra que ela está no radar e sendo vista de um outro modo pelos colegas. 

As duas favoritas são a Bakalova e a Yuh-Jung.  

A atriz de ”Borat 2” tem o apelo pop, porém, a resistência das alas mais conservadores e atuações cômicas raramente levam o prêmio da categoria.  

A última vez foi com a Mira Sorvino em “Poderosa Afrodite”, em 1996.  

Já a Yuh-Jung tem a possibilidade de ‘vingar’ o elenco de “Parasita’ e dar a oportunidade da Academia premiar atores asiáticos, contribuindo para o discurso da diversidade que esta edição pode impulsionar. 

E a Glenn Close? Ela é o grande mistério da categoria: vai pesar o fato dela ter perdido de forma tão frustrante em 2019 e a Academia procurar, finalmente, premiá-la após sete derrotas? Ou o fracasso de “Era uma vez um Sonho” e o constrangimento por dar a estatueta por um trabalho pelo qual ela também participa do Framboesa de Ouro serão mais fortes? 

O SAG dará bons nortes em relação a isso. 

MELHOR ATRIZ 

Andra Day, por “Os EUA contra Billie Holiday”, Carey Mulligan, de “Bela Vingança”, Frances McDormand, de “Nomadland”, Vanessa Kirby, por “Pieces of a Woman”, e Viola Davis, de “A Voz Suprema do Blues” são as indicadas em Melhor Atriz.

Apesar de ter vencido o Festival de Veneza e ser lembrada no Bafta, Globo de Ouro e SAG, a Vanessa Kirby não me parece com chances de vencer. Deve ser o mesmo caso da Amanda Seyfreid em que vale a experiência para futuras indicações. 

A Viola Davis também dá sinais de que está ficando para trás na disputa. Isso porque as atenções estão todas voltadas para o parceiro dela de cena, o Chadwick Boseman, e a ausência de “A Voz Suprema do Blues” em Melhor Filme demonstra que a Academia não morre de amores pelo filme. 

A Frances McDormand está no filme da temporada e, com isso, é inevitável que ela não pode ser descartada. Por outro lado, vencer o terceiro Oscar da carreira pouco tempo depois de ter ganhado o anterior pode levar a Academia para outro caminho.  

Andra Day se encaixa em um padrão adorado pela Academia: as tradicionais cinebiografias de grandes nomes da história.  

Não bastasse aqueles momentos explosivos feitos para ganhar o prêmio, ela ainda canta as músicas clássicas de Billie Holliday no filme. A vitória no Globo de Ouro serviu para colocá-la no radar. 

Seria favorita absoluta se não fosse Carey Mulligan. A atriz britânica é uma das maiores da sua geração, mas, nunca ganhou tanta atenção do Oscar: foi indicada uma única vez em 2010, bem no início da carreira, por “Educação”.  

No filme, ela encarna uma personagem que sintetiza e vinga de forma catártica mulheres vítimas do machismo, sendo um símbolo desta era #MeToo. 

Logo, Carey Mulligan é a favorita, mas, muita atenção para Frances McDormand e Andra Day. 

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