De Robert Benton, por “Kramer Vs Kramer”, a Barry Levinson, por “Rain Man”, Caio Pimenta apresenta o TOP 10 dos ganhadores do Oscar de Melhor Direção nos anos 1980. 

Lembrando sempre que esta lista inclui os vencedores dos anos 1980 a 1989. Um detalhe curioso é que apenas uma vez o ganhador da categoria diferiu de Melhor Filme. Levando os anos 1980 não foram nada demais, esta lista não traz trabalhos tão excepcionais assim. 

10. SYDNEY POLLACK, por “ENTRE DOIS AMORES” 

O Sydney Pollack venceu o Oscar de 1986 pelo trabalho em “Entre Dois Amores”. 

A direção do Pollack vai no limite do burocrático. Conduz sem brilho algum uma história que precisa mais da força da dupla de protagonistas formada por Meryl Strepp e Robert Redford para ter não fazer o público dormir.  

E pensar que a Academia perdeu a oportunidade de premiar o Hector Babenco por “O Beijo da Mulher-Aranha” ou até mesmo o Akira Kurosawa por “Ran”. 

9. ROBERT REDFORD, por “GENTE COMO A GENTE” 

Quem acompanha aqui o canal sabe que eu não morro de amores pelo “Gente Como Gente”, mas, eu  sendo bonzinho aqui em colocar o Robert Redford na nona posição. 

Vencedor do Oscar em 1981, o Redford traz como principal mérito estrear na direção com um trabalho difícil que investe muito mais nos dramas internos que angustiam os personagens sem que isso exploda na tela. É um trabalho competente ainda que falte mais força para que saia do convencional. 

Mesmo assim, segue inexplicável essa vitória quando a gente tinha entre os indicados Martin Scorsese, por “Touro Indomável”, David Lynch, por “O Homem Elefante” e até mesmo o Roman Polanski, por “Tess”. 

8.  RICHARD ATTENBOROUGH, por “GANDHI”

Conhecido pelo público mais novo como o dono do Parque dos Dinossauros, o Richard Attenbourough levou o Oscar pelo trabalho em “Gandhi”. 

Como nos grandes épicos, o que mais chama a atenção é a escala absurda dos cenários e locações com centenas de figurantes nas cenas. Coordenar tudo isso impressiona na mesma medida em que incomoda o convencionalismo do modelo clássico de cinebiografias adotado pelo Attenbourough. 

Aqui, mais um ano em que a Academia poderia ter sido mais ousada e premiado o Steven Spielberg por “E.T”, um filme que envelheceu mil vezes melhor do que “Gandhi”. 

7. JAMES L. BROOKS, por “LAÇOS DE TERNURA” 

O James L. Brooks é mais um diretor iniciante que levou o Oscar nos anos 1980. 

Premiado em 1984, o Brooks pode não ser o diretor mais original em termos de sequências ou narrativas ousadas, porém, sabe como poucos tirar o melhor do seu elenco, dando um terreno amplo para brilharem. E quando você tem Shirley MacLaine e Jack Nicholson isso se torna um cenário perfeito. 

O Brooks é um cara tão talentoso nisso que o Jack Nicholson venceu dois dos três Oscars com ele: Ator Coadjuvante por “Laços de Ternura” e Ator Principal com “Melhor é Impossível”. E as protagonistas dos dois filmes, a Shirley MacLaine e a Helen Hunt, também foram premiadas. 

6. BARRY LEVINSON, por “RAIN MAN” 

Em 1989, o Barry Levinson conquistou o Oscar de Melhor Direção por “Rain Man”. 

Semelhante ao que faz o James L. Brooks, o Levinson trabalha todo o filme em cima da dinâmica dos seus protagonistas, interpretados por Tom Cruise e Dustin Hoffman. Dosando bem humor e drama, ele torna “Rain Man” um projeto longe do brilhante, porém, extremamente agradável de se ver ao longo de duas horas. 

5. WARREN BEATTY, por “REDS” 

O Warren Beatty foi o único na década de 80 que levou Melhor Direção sem o filme ter a conquistado a categoria máxima do Oscar.  

Em “Reds”, o Warren Beatty ecoa a Nova Hollywood em sua face contestadora e politizada ao falar sobre a Revolução Russa, assunto tabu nos EUA, e no desafio épico pessoal de ser diretor, produtor e protagonista. O filme pode até não ter a coesão dos melhores dramas políticos da época e ser excessivamente longo, mas, ainda sim tem seus méritos, especialmente, na direção de arte, figurinos e na Diane Keaton. 

Na lista de indicados de 1982, a gente tinha o Steven Spielberg, por “Os Caçadores da Arca Perdida”, mas, não chega a ser absurda esta vitória do Warren Beatty. 

4. ROBERT BENTON, por “KRAMER VS KRAMER” 

Derrotando Francis Ford Coppola, de “Apocalypse Now”, e Bob Fosse, de “All That Jazz”, o Robert Benton venceu o Oscar de Melhor Direção em 1980 por “Kramer Vs Kramer”. 

A simplicidade do estilo de direção econômico do Robert Benton encontra vazão em uma história sobre a ruptura familiar e a complexidade de um divórcio. Explorando o intimismo das relações entre o ex-casal e do pai com o filho, ele acha o tom perfeito que torna tão crível e palpável para o espectador todo aquele doloroso processo. 

3. OLIVER STONE, por “PLATOON”

O primeiro dos dois Oscars conquistados pelo Oliver Stone veio em 1987 com “Platoon”. 

O drama sobre a luta de jovens americanos para sobreviverem no meio da guerra do Vietnã traz a potência típica do cinema de Oliver Stone sempre contestadora e inquieta. Com cenas inesquecíveis ainda na memória do público cinéfilo até hoje e com um elenco formado por jovens estrelas, “Platoon” segue sendo um dos grandes dramas de guerra da história. 

2. BERNARDO BERTOLUCCI, por “O ÚLTIMO IMPERADOR”

Em meio a tantos nomes americanos, o Oscar se rendeu ao italiano Bernardo Bertolucci em “O Último Imperador”, ganhador do prêmio em 1988. 

Mais do que a narrativa cansativa em muitos momentos, é a escala absurda e a fidelidade às tradições e cultura chinesa que tornam o trabalho de Bertolucci impressionante. De todos os épicos grandiosos sem personalidade feitos nos anos 1980 para vencer o Oscar, “O Último Imperador” é um dos raros exemplares que foge à regra e não envelheceu nada mal. 

Cada entre nós também, a vitória do Bertolucci foi uma barbada em 1988. Entre os indicados não tinha nenhum que sequer o ameaçasse. 

1. MILOS FORMAN, por “AMADEUS” 

O Milos Forman é disparado o primeiro lugar deste TOP 10 com o trabalho único em “Amadeus”. 

Poderia ter sido uma cinebiografia à la “Gandhi” ou um épico enfadonho como “Entre Dois Amores” ou focando apenas na técnica absurda como “O Último Imperador”. Porém, Milos Forman estica o material em mãos e oferece não a trajetória de um gênio, mas, sim um jogo sobre admiração e inveja e todo o incrível processo de criação artística.

Aliado a atuações inesquecíveis de F. Murray Abraham e Tom Hulce e mais todo o primor técnico, “Amadeus” é a obra-prima definitiva de Milos Forman. 

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