De François Truffaut a “Psicose”, Caio Pimenta traz as 10 maiores esnobadas do Oscar nos anos 1960. 

10. OMAR SHARIF, por “DOUTOR JIVAGO”

Você protagoniza um dos maiores épicos da história do cinema, forma um par romântico inesquecível e, mesmo assim, é esnobado no Oscar sem sequer conseguir uma mísera indicação? Foi justamente isso que ocorreu com o Omar Sharif na cerimônia de 1966. 

O ator tinha tudo para ser nomeado por “Doutor Jivago” até por conta do prêmio no Globo de Ouro e pelo filme do David Lean disputar o prêmio máximo do Oscar palmo a palmo com “A Noviça Rebelde”. Porém, na hora da nomeação, esqueceram dele totalmente. 

Pior de tudo é que, se ele tivesse sido indicado, certamente venceria, afinal, o Oscar de Melhor Ator em 1966 foi para o desempenho sofrível do Lee Marvin em “Dívida de Sangue”. 

9. MARILYN MONROE, por “QUANTO MAIS QUENTE MELHOR” 

A Marylin Monroe podia não ser a melhor atriz do mundo, pelo contrário até, passava longe, longe disso. Mas, se teve alguma vez que ela poderia ter disputado o Oscar, com certeza, foi por “Quanto Mais Quente Melhor”. 

No clássico do Billy Wilder, ela interpreta a integrante problemática de um grupo musical e que Jack Lemmon se vê completamente apaixonado. Dentro de suas reconhecidas limitações, a Marilyn consegue aproveitar as boas deixas do roteiro para criar uma personagem adorável e cativante, além de cantar bem e, claro, esbanjando a beleza única dela. Poderia ter sido a chance da Academia de, pelo menos, uma vez reconhecer uma das maiores estrelas do cinema americano. 

“Quanto Mais Quente Melhor”, aliás, foi injustiçado demais no Oscar de 1960: ficou fora de Melhor Filme perdendo a vaga para “Uma Cruz à Beira do Abismo”, drama dirigido pelo Fred Zinnemann e estrelado pela Audrey Hepburn. 

8. “8 ½” 

A Academia nunca escondeu que tem uma queda por filmes que falam sobre cinema. “A Malvada” e “Birdman” que o digam. Porém, o maior de todos acabou esnobado. 

“8 ½”, do Federico Fellini, acabou de fora da lista de indicados a Melhor Filme na cerimônia de 1964. O mestre italiano até conseguiu uma vaga em Melhor Direção, mas, não foi o suficiente para a produção concorrer na categoria máxima.

Talvez o fato de ser uma produção abstrata, onírica e intimista longe da objetividade americana afastaram os votantes da Academia. 

Apesar do Fellini gozar de muito prestígio na Academia – foram quatro indicações a Melhor Direção – nenhum filme dele foi indicado ao Oscar máximo. 

7. FRANÇOIS TRUFFAUT, por “OS INCOMPREENDOS” 

“Os Incompreendidos” é um dos pontos iniciais da Nouvelle Vague francesa e uma das produções mais celebradas da história do cinema.

Porém, o Oscar não se comoveu tanto assim com o filme. 

Na cerimônia de 1960, o drama francês conseguiu apenas uma indicação em Melhor Roteiro Original. Porém, nem o filme muito menos o excepcional trabalho de François Truffaut, ganhador do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes no ano anterior, foram lembrados. 

O Truffaut concorreu apenas uma vez ao Oscar de Melhor Direção: foi com “A Noite Americana” em 1975. 

6. BONNIE & CLYDE EM MELHOR MAQUIAGEM 

Já que eu estou falando da Nouvelle Vague, nada melhor do que recordar de um clássico do cinema americano com influências diretas do movimento francês: “Bonnie & Clyde” até fez bonito na histórico Oscar de 1968 com 10 indicações. Porém, a ausência em uma categoria é inaceitável. 

“Bonnie & Clyde” ficou de fora em Melhor Montagem, justamente um dos pontos altos do filmaço do Arthur Penn. A fúria dos tiroteios e a cena final inesquecível com os cortes rápidos nos olhares dos protagonistas dão um ritmo até então pouco visto para as produções americanas daquela época.

A montagem do filme teve um impacto decisivo para o que viria a seguir na Nova Hollywood. 

5. MIA FARROW, por “O BEBÊ DE ROSEMARY” 

Mocinhas de filmes de terror existem aos montes em toda história do cinema, mas, poucas foram tão brilhantes como a Mia Farrow em “O Bebê de Rosemary”. 

Aqui, ela nos conduz para os mistérios bizarros de uma trama que se revela gradualmente até chegar ao assustador ápice final. Através da descrença inicial até a magreza de uma estranha gravidez, a fragilidade de Mia Farrow diante do mal é um dos trunfos deste clássico do Polanski. 

Impressiona também que a Mia Farrow, apesar de ter estrelado tantos e tantos grandes filmes, principalmente ao lado do ex-marido Woody Allen, jamais foi indicada a um Oscar. 

4. MARCELLO MASTROIANNI, por “A DOCE VIDA” 

Sequência da Fontana de Trevi em A Doce Vida, de Federico Fellini

Marcello Mastroianni ficou imortalizado na história do cinema pelas parcerias com o Federico Fellini, mas, nunca disputou o Oscar por um destes filmes. A maior ausência, sem dúvida, foi em “A Doce Vida”. 

Interpretando o jornalista de celebridades Marcello Rubini, o Mastroianni magnetiza o público com o seu charme e elegância inigualáveis. Pode até ter um ar de canastrão, mas, combina perfeitamente à proposta de um sujeito fútil em crise existencial.  

Curiosamente, a indicação do Mastroianni ao Oscar veio no ano seguinte quando foi nomeado por “Divórcio à Italiana”, comédia dirigida pelo Pietro Germi. 

3. “PSICOSE” EM TRILHA SONORA”

psicose alfred hitchcock cena do chuveiro norman bates

Eu poderia até colocar a ausência de “Psicose” em Melhor Filme ou do Anthony Perkis em Melhor Ator nesta terceira posição, mas, há uma esnobada maior relativa ao filme imperdoável. 

A assustadora trilha sonora composta pelo Bernard Herrmann ficou de fora da disputa da categoria no Oscar de 1961. As composições marcadas por violinos agudos contrastando com outros graves são fundamentais para a maior cena de terror de todos os tempos. 

O Bernard Herrman teve diversas parcerias com o Hitchcock além de “Psicose”, o que incluiu também “Um Corpo que Cai”, por exemplo. Fez a trilha de “Cidadão Kane” e “Taxi Driver”, mas, só venceu um Oscar pelo desconhecido “All That Money Can Buy”. 

2. “2001 – Uma Odisseia no Espaço” em MELHOR FILME 

Em um ano longe do memorável em que o correto musical “Oliver” saiu como o vencedor do Oscar, a Academia teve a audácia de deixar de fora da lista de Melhor Filme um clássico atemporal. 

A maior de todas as ficções científicas da história do cinema, “2001 – Uma Odisseia no Espaço” foi preterida por filmes como “Rachel, Rachel” e “Romeu e Julieta”, do Franco Zefirelli.

A única estatueta vencida pelo longa do Stanley Kubrick foi em Efeitos Visuais. O mínimo que podia ser feito. 

1. SIDNEY POITIER EM MELHOR ATOR 

A maior esnobada do Oscar nos anos 1960 veio em dose tripla. 

No melhor ano da carreira, o Sidney Poitier não foi indicado nem em Melhor Ator muito menos em Ator Coadjuvante pelos desempenhos nos elogiados “Adivinhe quem vem Para Jantar”, “No Calor da Noite” e “Ao Mestre, Com Carinho”.

A ironia é que os dois primeiros filmes que falam sobre o racismo tiveram os intérpretes brancos, respectivamente, Spencer Tracy e Rod Steiger, nomeados. 

Vale lembrar que a cerimônia de 1968 ganhou um caráter simbólico de luta contra o racismo por ter sido realizada três dias depois do assassinato de Martin Luther King.

Uma pisada de bola história da Academia. 

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