De Michael Caine e a Angelina Jolie até Heath Ledger e Penélope Cruz, Caio Pimenta analisa o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator e Atriz Coadjuvantes.

10. TILDA SWINTON, por “CONDUTA DE RISCO” 

Para começar a lista, eu coloco a Tilda Swinton, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2008 por “Conduta de Risco”. 

Não que seja o melhor trabalho da Tilda Swinton, passa longe disso, aliás, porém, ela consegue arrancar uma atuação interessante pela dubiedade da firmeza das ações que precisa ter como advogada ao mesmo tempo em que o peso moral das decisões que toma a assombram. 

Se a Cate Blanchett poderia ter vencido o Oscar interpretando o Bob Dylan em “Não Estou Lá”, por outro lado, a falta de reconhecimento à Tilda em filmes como “Precisamos Falar Sobre Kevin” e “Suspiria” acaba fazendo com que este prêmio seja um jeito da Academia já ter reconhecido uma das principais atrizes da atualidade. 

9. ANGELINA JOLIE, por “GAROTA INTERROMPIDA” 

A nona posição fica com a Angelina Jolie, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2000 por “Garota Interrompida”. 

Antes de se tornar um símbolo do cinema americano e humanitário ao redor do planeta, Angelina Jolie venceu o único Oscar da carreira com um trabalho em uma fase mais ousada. A presença enigmática em cena e repleta de sensualidade criam uma boa combinação com Winona Ryder. 

8. PENÉLOPE CRUZ, de “VICKY CRISTINA BARCELONA” 

A Penélope Cruz venceu o Oscar 2009 de Melhor Atriz Coadjuvante com o trabalho de “Vicky Cristina Barcelona”. 

Woody Allen coloca sua homenagem a Almodóvar na viagem espanhola através da personagem de Penélope Cruz. Esbanjando sensualidade e atitude, ela cria um contraponto interessante à fragilidade e neuras da Scarlett Johansson em um triângulo amoroso repleto de química com o Javier Bardem.   

De fato, é um dos grandes trabalhos da Penélope Cruz, porém, o meu voto teria ido para a Viola Davis, de “Dúvida”, que, mesmo com uma única cena, domina o filme. 

7. BENICIO DEL TORO, por “TRAFFIC” 

Continuando na turma latina, Benicio del Toro conquistou o Oscar em 2001 pelo desempenho em “Traffic”. 

Mesmo com um elenco repleto de estrelas do calibre de Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones, o Benicio del Toro rouba a cena em suas aparições. A figura enigmática de um estranho herói dúbio combina com a complexidade da temática do filme.  

Gosto muito da atuação do Albert Finney, em “Erin Brokovich”, também indicado naquele ano, mas, é um trabalho tão excelente do Benicio del Toro que o Oscar ficou em boas mãos. 

6. MORGAN FREEMAN, por “MENINA DE OURO” 

Um dos maiores nomes da história do cinema americano, o Morgan Freeman, ganhou um único Oscar. Foi em 2005 com “Menina de Ouro”. 

O Morgan Freeman não difere das atuações clássicas da carreira dele: comedimento, calma, silêncio e um olhar que diz muito além de mil palavras. Uma vitória pelo conjunto da obra. 

5. RACHEL WEISZ, por “O JARDINEIRO FIEL” 

Quinto lugar deste TOP 10 fica com a Rachel Weisz, por “O Jardineiro Fiel”, filme dirigido pelo Fernando Meirelles. 

A Rachel ilumina a tela toda vez que está em cena. Seja como uma ativista contra os abusos da indústria farmacêutica na África repleta de coragem e inquietude ou seja como a apaixonada esposa do diplomata vivido por Ralph Fiennes. É um trabalho tão bom que poderia disputar facilmente na categoria principal. 

A atriz tinha boas concorrentes como a Michelle Williams, de “O Segredo de Brokeback Mountain”, e a Frances McDormand, por “Terra Fria”, mas, não tinha a menor chance dela perder o prêmio. 

4. CATE BLANCHETT, por “O AVIADOR”

Maior atriz da geração dela, a Cate Blanchett recebeu o primeiro Oscar da carreira em 2005 por “O Aviador”. No longa do Martin Scorsese, ela interpreta Katherine Hepburn. 

Do sotaque carregado ao jeito apressado de andar até a presença sempre marcante em cena, a Cate Blanchett não se acanha com o desafio de viver um ícone de Hollywood. Tudo isso sem cair em modismos vistos em tantas cinebiografias. 

Esse é um trabalho tão bom que a gente lamenta ela não ter tanto espaço na trama como a gente gostaria. Mesmo com tudo isso, o Oscar daquele deveria ter ido para a Natalie Portman, inesquecível em “Closer”. 

3. CATHERINE ZETA JONES, por “CHICAGO” 

Abrindo o pódio deste TOP 10 está a Catherine Zeta-Jones, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Chicago” em 2003. 

Zeta Jones rouba o filme da Renée Zellwegger. Não apenas por uma dançarina e cantora mais completa do que a colega, mas, por ter uma personagem capaz de ir do drama ao humor repleto de cinismo em poucos instantes. A dança do desespero já era suficiente para que vencesse o prêmio. 

Apesar de adorar a Meryl Streep, em “Adaptação”, e a Julianne Moore, por “As Horas”,  não tinha como esse Oscar não ir para a Zeta-Jones. 

2. JAVIER BARDEM, por “ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ” 

A medalha de prata fica com o Javier Bardem como o inesquecível vilão de “Onde os Fracos Não Têm Vez”. 

O assassino sem motivações aparente decidindo o destino de quem estiver pela frente pela sorte, símbolo do mundo amoral da obra-prima dos irmãos Coen seria suficiente para qualquer bom ator brilhar. Javier Bardem, entretanto, vai além ao personificar a psicopatia de Anton Chigurh no modo andar calculado e arrastado, no olhar incapaz de enxergar um ser humano à sua frente e no mórbido prazer pela violência.  

Mesmo tendo feitos tantos grandes personagens ao lado de importantes diretores, este é o papel que define a carreira do Javier Bardem. Um detalhe injusto do Oscar 2008 na categoria de ator coadjuvante é que o Paul Dano, por “Sangue Negro”, ficou de fora da lista de indicados. Inacreditável. 

1. HEATH LEDGER, por “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

Não tinha como ser diferente: Heath Ledger é a melhor atuação vencedora das categorias de coadjuvantes no Oscar na década 2000. 

Heath Ledger é a alma de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e grande responsável do filme ter sido um ponto de virada na forma como os filmes baseados em HQs são vistos hoje em dia. Igual Anton Chigurh, o Coringa de Ledger é uma figura fascinante por apostar no caos como elemento inerente do ser humano, sendo ele apenas o propagador para isso. Este enigma do vilão que age sem motivos permite a ele uma construção fabulosa desde o visual até o modo de falar do personagem. 

Na minha visão, se eu tivesse que escolher entre o Coringa dele e do Joaquin Phoenix, meu voto ficaria com o Heath Ledger.  

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