De “Na Corda Bamba” a Gwyneth Paltrow, Caio Pimenta traz os dez resultados injustos do Oscar nos anos 1990.

10. NA CORDA BAMBA EM MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

O décimo lugar desta lista é a vitória de “Na Corda Bamba” na categoria de Melhor Roteiro Adaptado no Oscar de 1997. 

O trabalho do Billy Bob Thorton é realmente competente no filme, porém, o que o Kenneth Branagh faz com a adaptação de “Hamlet” é impressionante. Transformar em cinema e na íntegra a obra mais da carreira do Shakespeare não era tarefa fácil e ele o fez com brilhantismo. 

Aliás, o “Hamlet”, infelizmente, perdeu as quatro indicações que tinha no Oscar, entre elas, Melhor Figurino e Direção de Arte que também merecia o prêmio. 

9. “FORREST GUMP” EM MELHOR FILME

“Forrest Gump” foi um sucesso de bilheteria e se tornou uma obra para lá de querida de grande parte do público. Porém, tinha um filme que merecia a vitória muito mais. 

Ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1993,Pulp Fiction – Tempo de Violência” consolidou o Quentin Tarantino como o grande nome do cinema americano nos anos 1990. A violência de uma trama divertida repleta de referências ao cinema e cultura pop com personagens marcantes deu a base das obras seguintes do diretor. Além disso, o filme salvou  John Travolta, firmou a parceria do Tarantino com Samuel L Jackson, fez deslanchar a carreira da Uma Thurman e deu um dos melhores papéis do Bruce Willis. 

Mesmo que “Pulp Fiction” não vencesse, tinha outro candidato melhor do que “Forrest Gump”: eu  falando, é claro, de “Um Sonho de Liberdade”. 

8. JAMES COBURN EM MELHOR ATOR COADJUVANTE 

Vamos começar a falar da cerimônia de 1999. Esse Oscar vai dominar este TOP 10. Na oitava posição, a vitória inesperada do James Coburn, por “Temporada de Caça”. 

O James Coburn está bem no filme até porque os roteiros do Paul Schrader sempre grandes personagens. Porém, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante era para ter ido para o Ed Harris. Sempre com seu estilo discreto, calmo e elegante, ele cria um antagonista cirúrgico para o protagonista interpretado pelo Jim Carrey.  

Talvez, de todas as indicações do Ed Harris, essa era aquela que ele ficou mais próximo de vencer. Infelizmente, não rolou e, até hoje, ele não tem um Oscar. A última indicação, aliás, faz tempo: foi em 2003 com “As Horas”. 

7. CONDUZINDO MISS DAISY EM MELHOR FILME 

O Oscar 1990 trouxe ecos das cerimônias monótonas da década de 1980. A lista dos indicados a Melhor Filme não era das mais empolgantes, mas, a Academia conseguiu o êxito de escolher o pior de todos. 

“Conduzindo Miss Daisy” carrega quase todos os problemas de “Green Book”: um filme correto no limite no burocrático, e pouco contestador no debate sobre o racismo, trazendo a história a partir do ponto de vista do branco.  Entre as opções que a gente tinha dava para o Oscar ter ido novamente para o Oliver Stone por “Nascido em Quatro de Julho” ou para “Meu Pé Esquerdo”. 

6. JESSICA LANGE EM MELLHOR ATRIZ

A Jessica Lange venceu o Oscar de 1995 em Melhor Atriz pelo desempenho em “Céu Azul”, mas, um tinha um trabalho melhor que o dela. 

Em “Nell”, a Jodie Foster está incrível como uma mulher que ficou isolada com a mãe e criou um dialeto próprio, mas, que precisará aprender a viver em sociedade. Ela tinha tudo para cair nos maiores clichês, mas, se sai bem e mostra porque era grande atriz dos anos 1990. 

Talvez tenha pesado o fato da Jodie Foster já ter dois Oscars na carreira e uma terceira estatueta aos 32 anos de idade poderia soar como excessivo. Por isso, a Jessica Lange acabou sendo uma opção viável, apesar do filme não fazer jus ao talento dela. 

5. SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS EM MELHOR ROTEIRO ADAPTADO 

“Sociedade dos Poetas Mortos” tem o seu valor, mas vencer o Oscar de Roteiro Original quando todos os outros concorrentes eram melhores não dá. 

O filme protagonizado pelo Robin Williams superou “Crimes e Pecados”, comédia dramática das melhores do Woody Allen, “Harry e Sally”, a comédia romântica mais original dos anos 1980, “Sexo, Mentiras e Videotape”, trabalho que revelou Steven Soderbergh, e “Faça a Coisa Certa”, obra-prima do Spike Lee que continua atual mesmo 30 anos depois do lançamento. 

4. SHAKESPEARE APAIXONADO EM MELHOR FILME

Nunca o Harvey Weinstein foi tão forte como no Oscar de 1999 e conseguiu um dos resultados mais inacreditáveis da história do prêmio. 

“Shakespeare Apaixonado” pode até não ser uma porcaria como muita gente diz por aí, mas, isso não o salva de ser um filme insosso, longe de atingir tudo o que seu ótimo ponto de partida oferece. Com uma cena de abertura inesquecível e um final eletrizante, “O Resgate do Soldado Ryan” era o grande filme da temporada e deveria ter vencido o Oscar sem muito trabalho. 

3. KEVIN COSTNER EM MELHOR DIREÇÃO 

O Martin Scorsese perdeu inexplicavelmente o Oscar de 1981 para o Robert Redford. Dez anos depois, mais um astro de Hollywood tirou a oportunidade dele, finalmente, ganhar o prêmio. 

O Scorsese disputava o Oscar por “Os Bons Companheiros”, uma das obras-primas fundamentais da carreira do diretor em que exerce todo o seu domínio técnico e narrativo em um dos filmes definitivos sobre a máfia. Mas, o Kevin Costner, igual o Redford, levou o prêmio logo no primeiro filme da carreira. Aqui, “Dança de Lobos”, épico de 3h30 com grandes cenas e uma temática social importante americana. 

De fato, “Dança com Lobos” é muito bem conduzido pelo Kevin Costner, mas, a direção do Scorsese está anos-luz na frente. Para mim, não tem comparação e é uma daquelas injustiças marcantes da história do Oscar. 

2. ROBERTO BENIGNI EM MELHOR ATOR

A medalha de prata vai para a categoria de Melhor Ator do Oscar de 1999. Nunca que Roberto Benigni poderia vencer o prêmio com o Edward Norton na disputa. 

Em “A Vida é Bela”, Benigni tenta emular um Charlie Chaplin em pleno Holocausto na Segunda Guerra Mundial com muitas gracinhas e pouca inspiração. Por outro lado, temos um Edward Norton visceral interpretando um neonazista com todo seu preconceito brutal na primeira parte de “A Outra História Americana” e um outro mais suave, tentando a todo custo salvar o irmão caçula. 

Esse é, de longe, o melhor trabalho da carreira do Edward Norton e é um filme para os tempos atuais de tanta intolerância. Sobre o Oscar, o resultado só não foi mais patético do que a comemoração bisonha do Benigni. 

1. GWYNETH PALTROW EM MELHOR ATRIZ

Era inevitável este primeiro lugar do TOP 10: a vitória da Gwyneth Paltrow em Melhor Atriz por “Shakespeare Apaixonado”. 

Não pode ser sério quando um trabalho tão sem graça como da Paltrow leva o prêmio mais cobiçado do mundo do cinema. Principalmente, quando temos a atuação que levou o mundo a olhar com mais atenção para Cate Blanchett e, claro, o maior trabalho da carreira da Fernanda Montenegro, uma gigante capaz de destruir qualquer barreira de idioma ou idade. 

Esse resultado foi danoso para a própria Gwyneth Paltrow: a coitada ficou estigmatizada e muita gente carrega o ranço até hoje. Uma pena porque ela já teve boas atuações depois como em A Prova e Amantes.   

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