Mesmo com o colapso da rede de saúde, a elevação dos números diários de novos casos e óbitos pela COVID-19, suspeitas de elevada subnotificação, enterros em valas comuns e baixa quantidade de testes, o Amazonas anunciou um plano de reabertura gradual da economia para começar a acontecer nos próximos dias. Os cinemas estão na quarta e última fase do plano com previsão para serem reabertos no dia 29 de junho. 

As salas locais fecharam as portas no dia 19 de março. Ao todo, Manaus conta com 69 salas de cinema, sendo 68 delas dentro de shoppings centers de seis redes (Cinépolis, Cinemark, Cine Araújo, CenterplexKinoplexPlayarte e UCI) e apenas um cinema de rua (Casarão de Ideias). No interior do Estado, somente Itacoatiara (Cine Theatro Dib Barbosa) e Manacapuru (Cine Kimak) possuem salas. 

Segundo dados do Observatório do Cinema Brasileiro, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), as 68 salas da cidade registraram venda de 650 mil ingressos no primeiro trimestre de 2020 contra 891 mil no mesmo período do ano passado. Houve também redução de 21,5% na arrecadação das bilheterias: R$ 9,9 milhões neste ano contra R$ 12,6 milhões. “Minha Mãe é uma Peça 3” foi o filme mais assistido com 161 mil ingressos vendidos. 

OS CINEMAS AO REDOR DO PLANETA 

Lugares fechados e de grande aglomeração, os cinemas são locais propícios para o contágio pelo novo coronavírus. Por isso, as salas foram os primeiros locais a serem fechados e a reabertura ainda causa muito debate ao redor do planeta. 

Epicentro inicial da doença, a China estimava reabrir os cinemas no final de abril, porém, o temor de uma segunda onda de contágio levou o governo local a suspender a decisão. Atualmente, o país conseguiu controlar a COVID-19 e registrou 11 dias sem mortes nesta semana. Nesta semana, o governo local estabeleceu o retorno para junho. 

Após viver dias terríveis em março e na primeira quinzena de abril, a Europa vive um momento de redução no número de novos casos e óbitos. A reabertura dos cinemas varia para cada país: França, Itália e Inglaterra não tem previsão, a Espanha deve voltar entre 11 e 26 de maio, a Noruega retornará no dia 7 de maio com, no máximo, 50 pessoas por sala. 

Nos EUA, a decisão é de autonomia de cada Estado. Geórgia e Texas deram autorização para a reabertura, mas, importantes regiões como Los Angeles e Nova York ainda estão bem longe deste processo. Aqui, no Brasil, todos os cinemas seguem fechados sem previsão para a retomada das atividades. 

PLANO EM MEIO À PRESSÃO ECONÔMICA E POLÍTICA 

O anúncio do plano de reabertura da economia local pelo governo do Estado aconteceu na última quinta-feira, 30 de abril. Por ‘coincidência’, no mesmo dia em que o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Josué Neto (PSC), aceitou o pedido de impeachment do governador Wilson Lima, e do vice Carlos Almeida, após denúncia feita pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas por má gestão na administração da crise da COVID-19. 

O estudo foi coordenado pelos professores Samy Dana e Alexandre Simas, e contou com apoio de médicos, infectologistas, estatísticos e economistas. Condicionado à evolução ou regressão dos casos da COVID-19 e abertura de vagas no sistema de saúde, o plano estadual de retomada da economia prevê a reabertura em quatro fases: 

1º. Ciclo (em adição às atividades essenciais em funcionamento – início previsto em 14 de maio) 

  • Lojas de artigos esportivos e afins 
  • Lojas de artigos para casa 
  • Lojas de vestuário, acessórios, calçados e afins 
  • Lojas de móveis e colchões 
  • Joalherias e relojoarias 
  • Comércio de artigos médicos e ortopédicos 
  • Serviços de publicidade e afins 
  • Pet-shops e afins 
  • Lojas de variedades 
  • Agências de turismo e afins 
  • Concessionárias e revendas de veículos em geral 

2º. Ciclo (em adição às atividades em funcionamento – início previsto em 21 de maio) 

  • Lojas de brinquedos 
  • Lojas de departamentos e magazines 
  • Comércio de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 
  • Lojas de eletrodomésticos, áudio e vídeo 
  • Lojas de informática, comunicação, telefonia e materiais e equipamentos fotográficos 
  • Livrarias e Papelarias 
  • Comércio de animais vivos 
  • Comércio de bijuterias e semi-joias 
  • Comércio especializado de instrumentos musicais e acessórios 
  • Comércio de equipamentos de escritório 
  • Floriculturas 
  • Restaurantes, bares, cafés, padarias e fast-food para consumo no local 

3º. Ciclo (em adição às atividades em funcionamento – início previsto em 28 de junho) 

  • Igrejas e templos 
  • Lojas de bijuterias, artesanatos e souvenires 
  • Cabelereiros, barbearias e outras atividades de tratamento de beleza 
  • Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes 
  • Bancas de jornais e revistas 
  • Academias e similares 
  • Comércio varejista de artigos de caça, pesca e camping 
  • Comércio de objetos de arte 
  • Comércio de fogos de artifício e artigos pirotécnicos 
  • Comércio varejista de armas e munições 

4º. Ciclo (em adição às atividades em funcionamento) 

  • Creches, Escolas e Universidades – a partir de 06 de julho 
  • Cinemas – a partir de 29 de junho 
  • Casas de show e eventos – a partir de agosto. 

Atualmente, um decreto estadual estabelece o fechamento dos serviços não essenciais no Amazonas desde o dia 23 de março. Porém, a quarentena e o isolamento social não surtiram muito efeito na prática com o descumprimento generalizado, observado na movimentação constante nas ruas de Manaus e do interior do Estado. Wilson Lima, entretanto, se recusa a adotar políticas mais rígidas como o ‘lockdown’. 

Em pleno pico da pandemia, Manaus fechou abril com 5.224 casos e 425 mortes pelo COVID-19, o novo coronavírus.  

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