A Natureza brinca com o protagonista de “Até o Fim”. Como um teste de resistência, o homem sem nome (Robert Redford) precisa enfrentar tempestades no meio do oceano, ser jogado de um lado para outro dentro do barco, o sol para acabar com a pele, a falta de comida, tubarões. Da mesma maneira como a personagem de Sandra Bullock em “Gravidade”, vemos quanto o ser humano não é nada perante ao universo ao seu redor.

Após a bela estreia em “Margin Call”, o diretor e roteirista J.C Chandor volta a colocar seu protagonista em uma situação de ruína. Se os personagens do suspense econômico estavam em posição crítica pelos próprios erros cometidos por anos de arrogância e desmandos, aqui a fraqueza vem da pequenez do homem em relação ao que o cerca. A Natureza parece revidar o desprezo do ser humano e utiliza aquele sujeito perdido no Oceano Índico como vingança.

Como em um plano maligno, a correnteza leva um contêiner em direção ao pequeno barco, destruindo, logo de cara, os aparelhos de comunicação, símbolos do poder do homem. Dali em diante, ventos e chuva fazem o trabalho de castigo. A câmera sempre em planos fechados ou médios nos impede de ver a dimensão do drama e a edição de som amplifica cada barulho causado pela destruição natural, deixando o espectador e personagem em uma sensação de constante angústia e desespero por não saber o que virá.

Sem muitos diálogos, “Até o Fim” conta com o talento de Robert Redford para carregar o filme. Consagrado em papéis clássicos como em “Todos os Homens do Presidente”, “Golpe de Mestre” e “Butch Cassidy”, o ator se entrega ao personagem. Mesmo sem informações sobre quem é ou que faz aquele homem, o público passa a admirar aquele sujeito, não apenas pela condição crítica em que está, mas, também, pela inteligência e engenhosidade dos planos para se manter vivo, além da sobriedade mantida como forma de não se entregar à morte. Esse caráter minimalista evita situações melodramáticas já consagradas como as “cenas do Oscar”, o que transmite naturalidade ao que assistimos.

Mesmo não sendo uma história das mais originais (vide “O Náufrago”, “Kon-Tiki” e “As Aventuras de Pi”) e com uma parte final decepcionante permeada de clichês e resoluções estapafúrdias, “Até o Fim” compensa por trazer um subtexto sutil sobre a nossa posição no mundo. Em tempos de desmatamentos, poluição e aquecimento global, nada melhor do que uma obra capaz de mostrar como somos frágeis na luta contra a Natureza.

NOTA: 7,0

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