Leonardo DiCaprio em O Regresso

Caio Pimenta
Filme escolhido: “O Regresso”

“O Regresso” é a volta de Alejandro González Iñarritu ao estilo que mais lhe é confortável: pesado, duro e depressivo, a obra é um faroeste com tons de Terrence Malick para mostrar a natureza selvagem e violenta do homem, que, por onde passa, deixa rastro de destruição sem perceber a pequenez dele perante a natureza. Se, pelo lado técnico, “Birdman” é uma delícia de se ver pelos planos-sequências de tirar o fôlego, a crítica presente contra a indústria do cinema e do show business soam apenas gritos ao vento, pois, sem realmente acrescentar algo como fez, por exemplo, “Crepúsculo dos Deuses”, muito menos fez ecoar ao longo do ano em que venceu o Oscar para fazer Hollywood refletir. Meu voto: “O Regresso”.

Michael Keaton em Birdman

Camila Henriques
Filme escolhido: Birdman

Tanto ‘Birdman’ quanto ‘O Regresso’ são giros de 180 graus na filmografia do mexicano Iñarritú, até então mais versado em dramas densos e cheios de conflitos familiares e culturais. Se ‘Birdman’ encanta pelo uso da metalinguagem (capitaneado pelo casting esperto de Michael Keaton) e pelo falso plano-sequência, ‘O Regresso’ é um épico em escopo maior que qualquer outro trabalho do cineasta. Ainda assim, o filme protagonizado por Leonardo DiCaprio peca quando o assunto é ‘ritmo’, coisa que ‘Birdman’ tem de sobra. Por isso, meu voto vai para o frenético estudo de fama, relevância e medo que Iñarritú fez dentro de um triste teatro novaiorquino.

Michael Keaton em Birdman

Danilo Areosa
Filme escolhido: “Birdman”

A passionalidade presente no cinema de Alejandro G. Iñárritu é com certeza um dos motivos do cineasta mexicano ser amado por muitos e odiado por outros. Pessoalmente, admiro seus trabalhos, principalmente os primeiros (‘Amores Brutos’ e ’21 Gramas’), que continuam entre os meus favoritos.

Tanto ‘Birdman’ quanto ‘O Regresso’ são representantes da maturidade na qual o mexicano atingiu recentemente na sua carreira. Mesmo com a minha predileção pelos dramas intimistas, densos e que debatem a dicotomia entre vida e morte – o que poderia indicar um voto ao épico protagonizado por DiCaprio –  minha escolha nesta disputa vai para ‘Birdman’, o filme mais inusitado da sua filmografia.

A desenvoltura com que Iñárritu trafega pela comédia e humor negro é surpreendentemente boa, logo ele, um cineasta habituado a realizar dramas pesados. Tecnicamente, é uma obra de encher os olhos como seu concorrente, mas ‘Birdman’ é um trabalho mais autoral, uma crítica a Hollywood feita com doses de uma boa ironia, sutil em conciliar temas como o real e o fantástico.  Neste ponto, ‘O Regresso’, mesmo com seu estilo épico majestoso visualmente, perde pontos pelo ritmo irregular, não atingindo a mesma concisão (e precisão) narrativa insinuante do filme do homem-pássaro.

Michael Keaton e Edward Norton em Birdman

Ivanildo Pereira
Filme escolhido: “Birdman”

Entre os dois, fico com Birdman, embora em minha opinião ambos ainda percam para o verdadeiro melhor filme do Iñarritú, Amores Brutos (2000). Birdman é mais engraçado (claro), e por isso ganha alguns pontos comigo, e possui mais substância do que O Regresso. Não que O Regresso seja fraco ou apenas um exercício de estilo, longe disso, mas digamos que o longa com DiCaprio tem um pouquinho (só um pouquinho) mais de problemas do que o longa com Keaton, e as considerações deste último sobre a natureza da arte e da produção artística neste nosso mundo tumultuado me estimulam mais.

Michael Keaton em Birdman

Lucas Jardim
Filme escolhido: “Birdman”

A verdade incômoda que paira sobre esses dois filmes, que se torna evidente quando temos de compará-los, é que nenhum deles reinventa a roda. Ambos são produtos de realizadores dedicados ao ponto da quase insanidade e destreza técnica acima da média, mas estão longe de representar algo novo quanto a estrutura e narrativa. Entre os dois, creio que ‘Birdman’ se destaca por levar à cena (e conseguir com que nos importemos com) personagens infinitamente mais complexos (e menos empáticos) que ‘O Regresso’. A aventura com DiCaprio, em determinada hora, cede aos contos clássicos de vingança familiar, na melhor tradição dos faroestes que Iñárritu queria subverter. ‘Birdman’, enquanto seguidor da escola de análises ácidas de Hollywood à la ‘Crepúsculo dos Deuses’, consegue nos levar pelo labirinto do teatro e das mentes dos protagonistas de uma maneira contundente sem pesar tanto a mão em sua mensagem.

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso, de Alejandro González Iñarritu

Susy Freitas
Filme escolhido: “O Regresso”

Respeitando as devidas propostas de cada filme, tanto “Birdman” quanto “O Regresso” são irrepreensíveis do ponto de vista técnico. No plano criativo, a direção de Iñárritu também garante uma pegada autoral e toda sorte de soluções para a fluidez narrativa. No entanto, “O Regresso” possui em seu cerne algo mais elementar à alma humana; é um filme que, ao contrário de “Birdman”, apela a coisas em nós que são mais primitivas, básicas – amor, memória, sobrevivência – encapsuladas em uma narrativa de superação e na reverência às forças naturais que não podemos controlar (por mais que tentemos). Já “Birdman” é mais urbano, mais ácido, fala à sociedade do espetáculo como um todo, e não tão diretamente ao âmago do espectador. Por seu caráter transcendental, “O Regresso” busca cravar um espaço próximo aos filmes de Tarkovski, Bergman e Malick. Se não chegou lá, chegou perto, e, de quebra, o fez vencer a batalha contra “Birdman”.

Arte de Birdman

PLACAR FINAL
“Birdman” 4 X 2 “O Regresso”